Secretário municipal de Saúde, Henrique Follador relata que o caso do jovem de 25 que morreu há mais de uma semana vítima de febre maculosa é o primeiro caso da doença com registro em São Mateus. A doença é transmitida aos humanos por picada de carrapato.

Diante disso, a Secretaria Municipal da Saúde monitora a Região dos Quilômetros, especialmente nas imediações de Nova Aimorés (Km 35), local da notificação.

A Vigilância Ambiental monitora a Região dos Quilômetros, mas não foi mais registrados outros casos de febre maculosa. Fotos: Divulgação

O secretário Henrique Follador esteve nesta segunda-feira na região onde ocorreu a picada acompanhado da equipe de Vigilância Ambiental em Saúde. O Município agendou para o dia 22 uma capacitação para médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde a respeito da febre maculosa.

Follador salienta que não há motivo para pânico porque não há outro caso registrado e a doença não é transmitida por humanos, mas sim por carrapatos. Entretanto, frisa que a população, principalmente da Região dos Quilômetros, deve ficar em alerta, evitando, sendo possível, áreas de mata. Para adentrar nessas áreas, o recomendável é usar botas e calça.

Porém o secretário afirma ainda que o uso desses acessórios não afasta totalmente o risco de ser picado por um carrapato, “mas o reduz”.

VETOR DA DOENÇA

O vetor da febre maculosa é o carrapato, principalmente os que se encontram em animais silvestres, como capivara, lontra, raposa, gambá, conforme exemplifica o secretário. No caso específico registrado em São Mateus, Follador detalha que tanto a vítima fatal da doença como a mãe foram picados por carrapatos, mas apenas o jovem foi contaminado.

O secretário afirma que há registros de casos de febre maculosa em municípios do noroeste, mas não são recentes. “Em São Mateus, é o primeiro registro”, reafirma.

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Primeiros sintomas são parecidos como de outras doenças

Os primeiros sintomas da febre maculosa têm semelhança com outras doenças, o que dificulta o diagnóstico. Por esse motivo, a picada de carrapato precisa ser relatada no primeiro atendimento médico.

O secretário de Saúde Henrique Follador explica que a vítima fatal registrada na zona rural de São Mateus procurou uma unidade de saúde municipal, a princípio com febre, dor de cabeça e dor no corpo. Diante desses sintomas, foi notificado como caso suspeito de covid-19. Mas, o teste deu negativo.

Henrique frisa que posteriormente os sintomas aumentaram, com a infecção atingindo o sistema nervoso e com o paciente ficando com os movimentos paralisados. Ele foi levado para o Hospital São Marcos, em Nova Venécia, onde iniciou a suspeita da febre maculosa. Foi transferido para o Hospital Roberto Silvares, ficou entubado por alguns dias, mas não resistiu e faleceu.

SINTOMAS

O secretário Henrique Follador destaca que os principais sintomas da febre maculosa são febre alta, dores de cabeça, dores no corpo, náuseas e vômito. Caso a pessoa não tenha percebido, verificar a existência de vermelhão de picada de carrapato. “Com isso o tratamento correto é logo iniciado com boa evolução do quadro e cura da doença”, frisa. “Não é possível aplicar produtos químicos para matar os carrapatos pois são parte da fauna natural do local. Não há motivo para pânico, a estratégia de saúde do Município está se preparando para atender novos possíveis casos. O perímetro onde o paciente pode ter se contaminado está sendo observado para melhor estudo do caso” – acrescenta o secretário.

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Morte em São Mateus é a 4ª registrada no Espírito Santo em 3 anos

A morte na zona rural em São Mateus por febre maculosa é a quarta registrada no Espírito Santo em três anos. Sem especificar os municípios, a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) detalha que em 2019 foram notificados três casos da doença, sendo que dois resultaram em óbito. Em 2020, foram dois casos e uma vítima fatal. Neste ano, houve um caso confirmado de febre maculosa que levou a óbito, ocorrido em São Mateus.

Ainda de acordo com a Sesa, a febre maculosa tem sido registrada em áreas rurais no Estado desde 1991.“A Secretaria da Saúde, por meio do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica, informa que realiza a vigilância epidemiológica e ambiental através de ações junto às secretarias municipais, com o intuito de detectar e tratar precocemente os casos suspeitos, visando reduzir a letalidade e controlar surtos” – frisa a posta em resposta à Rede TC de Comunicações.

Conforme acrescenta, são adotadas medidas de controle, “conhecendo a distribuição da doença, investigando os locais prováveis de infecção, recomendando a adoção de medidas de controle e prevenção”.

Ainda sobre a doença, a Sesa orienta a população capixaba que esteja atenta aos sintomas de febre de início súbito, mialgia e cefaleia e que tenha tido histórico de picada de carrapato, contato com animais silvestres ou ter frequentado áreas de transmissão da febre maculosa nos últimos 15 dias, que procurem o serviço de saúde mais próximo e relate essas informações ao médico

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Entenda o que é febre maculosa

O Ministério da Saúde registra que a febre maculosa é uma doença infecciosa febril aguda, transmitida por carrapatos, de gravidade variável, de forma leve ou até grave. No Brasil, os principais vetores e reservatórios são os carrapatos do gênero amblyomma, conhecido como carrapato estrela.

Entretanto, o Ministério da Saúde explica ainda que, potencialmente, qualquer espécie de carrapato pode ser reservatória, por exemplo, o carrapato do cão, rhipicephalus sanguineus. Os equídeos, roedores como a capivara e marsupiais como o gambá, têm importante participação no ciclo de transmissão da febre maculosa.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Por ser uma doença sistêmica, o Ministério da Saúde detalha que a febre maculosa pode apresentar um curso clínico variável. O início costuma ser abrupto e os sintomas são inespecíficos de início (febre, em geral alta, cefaleia, mialgia intensa, mal-estar generalizado,

náuseas e vômitos). Embora seja o sinal clínico mais importante, o exantema (vermelhão no local da pi-cada) pode estar ausente, o que pode dificultar ou retardar o diagnóstico e o tratamento, determinando uma maior letalidade, chegando a 80% quando ele não ocorre o tratamento.

TRATAMENTO

O Ministério da Saúde frisa que o sucesso do tratamento contra a febre maculosa está diretamente relacionado à precocidade e especificidade do antimicrobiano prescrito. “As evidências clínicas, microbiológicas e epidemiológicas estabelecem que a doxiciclina é o antimicrobiano de escolha para terapêutica de todos os casos suspeitos de infecção, independentemente da faixa etária e da gravidade da doença.

Na impossibilidade de utilização da doxiciclina, oral ou injetável, preconiza-se o cloranfenicol como droga alternativa” – reforça.

 

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