Aplicar medidas de prevenção ao novo coronavírus (Sars-CoV-2) no agronegócio requer conhecimento técnico e prático sobre a rotina nas fazendas. O alerta é da zootecnista e gestora de agronegócio Renata Erler, em mensagem à Rede TC. “Só assim será possível minimizar o impacto na produção. Nessas horas a orientação especializada faz a diferença, pois concilia as medidas de prevenção de maneira sustentável para o dia a dia no campo”.

Foto: Divulgação

Na mensagem à TC, Renata Erler responde a uma série de perguntas, orientando como se organizar para aplicar as medidas de prevenção no campo. Além de zootecnista, Renata é gestora de agronegócio e vice-presidente da Associação dos Zootecnistas do Espírito Santo (Azes). Confira as orientações.

O que pode mudar no dia a dia do campo diante da quarentena?

Renata Erler – A rotina de visitas muda. Só receber visitas extremamente necessárias, como as de veterinários, caso haja animal doente, e de entregadores de insumos. Evitar contato direto com as pessoas. O manejo dos animais segue a rotina normal, podendo sofrer mudanças quanto a estratégia de suplementação das diferentes categorias devido a algum agravante no mercado, como o aumento de custo dos insumos. Na prática, os funcionários vão precisar redobrar os cuidados durante o manejo, lavando sempre as mãos ao término de cada atividade, evitar tocar no rosto (boca, nariz e olhos) com as mãos sujas, seguindo recomendações da OMS.

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Quais os cuidados necessários para esse período de quarentena?

Renata Erler – Os funcionários devem manter distância segura de 1 a 2 metros uns dos outros. Em refeitórios devem ser orientados a sentarem afastados uns dos outros, e se revezarem no almoço, mantendo no local um número reduzido de pessoas. Os ambientes precisam ser arejados. Quanto a equipamentos, do uso diário, pode ser feito uma desinfecção simples utilizando solução clorada (90% água e 10% de cloro). Essa mesma solução pode ser usada para desinfecção interna dos veículos.

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Tenham muito cuidado no uso dos banheiros coletivos, mantendo-os sempre muito limpos, e todo mundo deve higienizar muito bem as mãos. E para secar, evitar compartilhamento de toalha de pano, priorizando o uso de papel. Ter álcool 70 para desinfetar as mãos quando estiverem em algum ambiente que não tem como lavá-las.

Como as fazendas podem minimizar os impactos?

Renata Erler – É preciso conhecer bem seu custo de produção, capacidade de investimento e entender que o risco do negócio pecuária aumentou. Com essas observações, cada fazenda terá uma postura diferente, porém acho prudente para algumas categorias trabalhar com suplemento mineral aditivado de baixo consumo (de 0,5 a 1 gr/kg/PV), pois mantém ganho de peso considerável, diminui a frequência de abastecimento, facilitando logística, diminuindo a circulação de funcionários na fazenda, e investimento imediato.

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Existem medidas paliativas caso o produtor se veja sem alimento para os animais?

Renata Erler – Verificar fornecedores, revendas próximas a fazenda que tenham estoque, e optar por produtos de consumo baixo ou moderado (0,5 a 1 g/kg de PV) até regular o estoque com que era usado antes. Em situação muito crítica, deve-se pensar em parceria com outros produtores ou venda desses animais.

Quais ferramentas possíveis podem facilitar a vida dos produtores nesse momento?

Renata Erler – O uso do celular e da internet vai ser fundamental nesse contexto. Ter uma linha direta com os profissionais de confiança, que possibilite tirar dúvidas, se atualizar, fazer treinamentos online. (…) Os produtores que têm mais dificuldade com os meios digitais vão precisar contar com a ajuda dos filhos, funcionários e amigos.

Cada setor está adotando medidas paliativas de acompanhamento de seus clientes para garantir a continuidade do serviço. No caso da zootecnia, como isso é possível?

Renata Erler – As visitas devem ser interrompidas. Reuniões e treinamentos devem ser feitos via ferramentas online. Com o uso do celular é possível enviar foto ou vídeo dos animais, pastos, cochos para que o profissional possa verificar, além da possibilidade de avaliar escore de fezes via aplicativo gratuito disponível (My RumiDiag), que permite, através de foto das fezes, identificar se há problema na dieta ou não.

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