O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) agendou uma visita a São Mateus para quarta-feira (17), com o objetivo de investigar a espada encontrada no dia 17 de março no Rio Cricaré, nas Meleiras. O interesse do Iphan aconteceu após a Rede TC noticiar o achado. Na quarta-feira, o especialista em armas militares Carlos Fernando Parreira Júnior, considerado um dos maiores entendedores do assunto da América Latina, confirmou por meio de estudos que o artefato é do século XVI e pode ter pertencido a um nobre do período colonial brasileiro. O historiador Eliezer Nardoto, que iniciou as investigações, afirma que a espada pode ter sido usada na Batalha do Cricaré.

Em entrevista por telefone à Rede TC, o arqueólogo e técnico na Superintendência do Iphan no Espírito Santo Rafael Borges Deminicis disse que, a partir do achado, o local pode ser transformado em sítio arqueológico submerso e até mesmo reforçar uma antiga reivindicação da comunidade científica do norte do Espírito Santo, que é a instalação de um escritório local do Iphan em São Mateus. Ele frisou que o Estado possui mais de 650 sítios arqueológicos, sendo mais da metade localizados no norte capixaba, com a grande maioria em São Mateus.

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O arqueólogo salientou ainda que próximo ao local onde foi encontrada a espada existem duas áreas arqueológicas demarcadas, o Sítio Barreiras e o Sítio Seu Tutu. Acrescenta que não falta empenho dos profissionais do Iphan em realizar os estudos e que em apenas dois anos foram feitas cerca de 20 visitas técnicas em São Mateus. “Queria ter mais estrutura, por exemplo, um escritório técnico no norte. A Secretaria Estadual de Cultura está se mobilizando para isso” – enfatizou.

ALERTA

O arqueólogo do Iphan alerta que nenhuma pessoa não autorizada pode explorar a área em busca de artefatos antigos, sob pena de responder criminalmente pelas ações. Em mensagem por e-mail à Rede TC, ele acrescenta que os objetos históricos pertencem à União e estão protegidos pela Constituição, outras leis federais e portaria do Iphan. “Burlar essas regras configura como crime ao patrimônio cultural”. O objetivo dele é desestimular uma possível caça ao tesouro na região. Segundo Rafael, até tomar conhecimento do achado por meio de reportagem do jornal Tribuna do Cricaré, o Iphan ainda não havia sido avisado sobre a espada.

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SERGIPE

A notícia do achado arqueológico chegou até a uma graduanda em Arqueologia da Universidade Federal de Sergipe. A espada encontrada no Rio Cricaré despertou o interesse da técnica de geoprocessamento e mergulhadora avançada Clara Reis de Arimateia, que enviou mensagem por e-mail à Rede TC na tarde desta sexta-feira (12). Ela também manifestou preocupação para a preservação do patrimônio histórico.

Eliezer: “Promover o turismo científico de São Mateus”

O historiador Eliezer Nardoto afirma que não tinha avisado o Iphan sobre o achado porque ainda estava estudando o artefato, inclusive patrocinando a vinda do especialista de São Paulo. Segundo ele, a espada já foi entregue a Weverson Pirola Martins, o Beto, que encontrou o artefato no fundo do rio, por entender que o local não se trata de sítio arqueológico e que o objeto foi um achado fortuito.

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“Cumpri o meu papel de defesa da história de São Mateus. O mais importante é descobrir mais coisas e promover o turismo científico de São Mateus. Meu maior interesse é a história de São Mateus” – declarou.

São Mateus–ES

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