Os dados da primeira etapa do inquérito epidemiológico no sistema prisional do Espírito Santo revelam que a prevalência do novo coronavírus foi muito maior no norte do Estado, com 43,7% dos internos testados.

De acordo com o estudo, em todo o Espírito Santo, a prevalência mostra que 7 mil dos 22 mil internos tiveram contato com o novo coronavírus. O resultado foi apresentado nesta quarta-feira (16) pela Secretaria Estadual da Justiça (Sejus)

A Secretaria detalha que o estudo foi realizado entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro. Foram constatados 81 casos ativos da doença entre os 844 internos testados. Nesta primeira etapa do inquérito epidemiológico no sistema prisional foram realizados 1.830 testes rápidos do novo coronavírus em internos, servidores penitenciários e profissionais de saúde de todas as unidades prisionais do Espírito Santo.

“A iniciativa do Governo do Estado, por meio da Sejus, em conjunto com a Secretaria da Saúde, Universidade Federal do Espírito Santo e Instituto Jones dos Santos Neves, buscou identificar a realidade da doença no sistema prisional para avaliação das medidas de prevenção, controle e tratamento adotados” – afirma.

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Penitenciária Regional de São Mateus. Foto: Reprodução

PREVALÊNCIA

Com a testagem de 844 presos, o estudo indica uma prevalência de 31,6% entre internos do sistema prisional. Desses, 267 tiveram resultados positivos, sendo 81 casos ativos –os demais já estavam curados. Prevalência indica a proporção de casos existentes numa determinada população em um determinado período.

O estudo indica que dentre os 22 mil presos do sistema penitenciário capixaba, cerca de 7 mil teriam sido infectados. Na Região Norte, 43,7% dos custodiados testados tiveram resultado positivo para a covid-19. Na Região Metropolitana, essa taxa foi de 28,7%, enquanto na Região Sul 19,8% dos presos testados tiveram contato com o vírus.

Além disso, os dados apontam que 95% dos internos infectados são do sexo masculino e que 79,6% dos positivados tem entre 21 a 40 anos.

O levantamento traz um importante dado sobre os cuidados adotados nas unidades e sobre atenção à saúde prestada: 791 internos afirmaram higienizar as mãos com frequência e 675 internos positivados apresentaram apenas um ou nenhum sintoma.

Perfil dos profissionais testados positivamente

 

A pesquisa também abrangeu os servidores penitenciários e profissionais da saúde do sistema. Foram realizados 675 testes em servidores penitenciários, dos quais 149 tiveram resultados positivo para a doença –sendo 48 ativos na data da testagem. A prevalência entre os servidores penitenciários é de 22,1%.

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Os profissionais de saúde que atuam nas unidades também realizaram os exames: dos 311 testados, 37 apresentaram resultados positivos para a doença – sendo três ativos no momento da testagem. A prevalência para essa categoria foi de 11,9%.

O estudo seguiu os mesmos moldes adotados no inquérito sorológico realizado pela Sesa nos municípios capixabas. Os testes foram realizados de forma aleatória, a partir de um sorteio feito por meio de aplicativo específico executado pela Ufes.

Para o secretário da Justiça Luiz Carlos Cruz os resultados levantados permitem uma avaliação positiva das medidas adotadas nas unidades prisionais:

“A suspensão das visitas, o reforço na higienização pessoal, dos espaços em comum das unidades e viaturas, além do uso de máscara pelos nossos profissionais, demonstra a eficácia para a prevenção e controle da doença. O estudo também permite identificar que os presos com sintomas gripais tiveram o atendimento médico no sistema. O baixo número de casos ativos no momento da testagem é mais um indicativo de que a doença está controlada. A Sejus agora irá reavaliar protocolos para promover ainda mais saúde e segurança ao sistema prisional capixaba” – pontuou.

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A professora e epidemiologista da Ufes, Ethel Maciel, ressalta que o resultado do inquérito irá pautar as ações da Sejus com relação aos protocolos de biossegurança.

“Esse estudo para o sistema prisional é de extrema importância porque ele vai fornecer subsídios aos gestores da Secretaria para, diante dos resultados, tomar melhores decisões em relação aos protocolos de biossegurança e para entender também os impactos das ações implementadas até agora para a diminuição da transmissão, adoecimento e letalidade da doença. Os resultados da pesquisa irão guiar de forma científica essas ações e torná-las mais efetivas”, disse Ethel Maciel.

 

SEGUNDA FASE DO INQUÉRITO

Para realização da segunda fase do inquérito epidemiológico, a Sejus aguarda o recebimento dos testes pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen), com a previsão de testagem de cerca de 2 mil pessoas.

1 COMENTÁRIO

  1. Querem previnir mais casos? Acaba com as visitas durante uns 20 dias.
    Não sei porque ainda existem visitas com essa pandemia que estamos tendo, por isso não vão diminuir nunca os casos.

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