Comemorando 36 anos de fundação do jornal Tribuna do Cricaré neste domingo (12 de janeiro), o Diretor Geral da Rede TC de Comunicações, Márcio Castro, afirma que o desafio da sociedade contemporânea nesta nova década é aprender a lidar com as novas ferramentas tecnológicas em benefício de um rearranjo da força de trabalho de forma a conquistar equilíbrio das relações sociais. Nesta entrevista, ele destaca que a Rede TC continuará levando aos leitores informação apurada e consistente, com a mesma credibilidade alcançada ao longo dos anos. Márcio Castro fala também sobre como enfrentar as fakes news proporcionando um jornalismo independente, isento, confiável e de tradição, que ajuda a sociedade a entender o que é fato e o que é contrainformação.

Foto: TC Digital

Neste contexto, o Diretor Geral enfatiza que a equipe de jornalismo da TC é orientada a dar a informação o mais rápido possível, mas de maneira apurada. “Não temos como missão levar a notícia pura e simplesmente de forma rápida. É rápida, mas apurada, com credibilidade. Porque este é o nosso papel: levar informação e não contrainformação, ou desinformação” – garante.

Márcio Castro aproveita também para discorrer sobre as relevantes conquistas ao longo desses 36 anos completados neste domingo, sobre o pioneirismo nos avanços tecnológicos que a TC trouxe para o jornalismo capixaba, além da participação nas principais bandeiras de lutas da comunidade regional, demonstrando como se faz o verdadeiro jornalismo comunitário-construtivista.

Rede TC de Comunicações – Nesta trajetória de 36 anos, quais as principais contribuições da empresa jornalística à comunidade regional?

Márcio Castro – Os desafios vencidos nestes 36 anos são de fato de grande relevância. Começamos a Tribuna do Cricaré numa época em que São Mateus não tinha nenhum veículo de comunicação em atividade. Não existia nenhum jornal, nem emissora de televisão ou de rádio. Não havia, então, tradição de comunicação social organizada. Essa comunicação se dava mais no boca-a-boca, através de panfletos e outros mecanismos mais simples.

Num tempo de difícil acesso à tecnologia, nós conseguimos implantar um jornal que nasceu quinzenário, que evoluiu para semanário, bissemanário, para três vezes por semana, até chegarmos ao jornal diário em julho de 1998. Isso foi se fazendo à medida que desenvolvíamos o hábito da leitura na população, as formas de comunicação empresarial também, não só para empresas genuinamente mateenses, mas para aquelas que chegavam fazendo este Município crescer. Em síntese, instalamos a TC num município de 43 mil habitantes e, 36 anos depois, temos um município vigoroso com 130 mil habitantes.

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Participamos das suas inquietudes, na formulação de ideias que resultaram em desenvolvimento, na organização, na catalisação do esforço da comunidade. Isso nos permitiu fazer convergir a população a temas relevantes como a questão da instalação do Ceunes, da instalação do serviço de hemodiálise em São Mateus, do serviço oncológico, da política de atração de investimentos industriais para o Município. Enfim, para o desenvolvimento do meio rural, a necessidade de apoio ao homem do campo, da democratização da sociedade, de relações públicas transparentes.

Rede TC – A Rede TC implanta novas ferramentas, como o Portal TC Online e perfis em redes sociais, para estar ainda mais inserida na vida de mateenses, capixabas, brasileiros, de gente do mundo todo, mantendo, sempre, a qualidade editorial e jornalística da informação. Como essa credibilidade há anos conquistada pode ser usada para combater esse cenário atual de disseminação de fake news?

Márcio Castro – A fofoca sempre existiu. Desde os tempos primórdios. As novas tecnologias nos trazem enormes avanços e nos possibilitam grandes conquistas. Mas ela também tem os seus efeitos colaterais. E um desses é a possibilidade da fofoca eletrônica, que se chama hoje fake news. Fake news, ou contrainformação.

Esses métodos de contrainformação sempre foram utilizados por pessoas poderosas, até por exércitos, forças armadas, por grupos no poder, e, também, como forma de combate ao próprio poder. E de uma forma mais simples por pessoas e seus grupos sociais, no clube, no local de serviço, na escola, às vezes com intrigas. Isso sempre existiu na sociedade. As novas tecnologias vieram facilitar isso. E quanto mais isso se alastra, maior a necessidade do jornalismo independente, maior a necessidade de um jornalismo isento, confiável, com credibilidade e tradição para poder ajudar a sociedade a entender o que é fato e o que é fake news.

Este é o nosso papel e vamos continuar empenhado com força. Nosso desafio continua sendo levar a informação de forma apurada e consistente, checada. Colocamos para a nossa equipe o desafio de dar a informação o mais rápido possível. Mas, antes, ela deve ser apurada. Não temos como missão levar pura e simplesmente a informação de forma rápida. É rápida e apurada, com credibilidade. Porque este é o nosso papel: levar informação e não contrainformação ou desinformação.

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Rede TC – Estamos iniciando numa nova década. A TC venceu muitos desafios nestes 36 anos de história. O que fazer para vencer outros tantos desafios neste mundo cada vez mais tecnológico?

Márcio Castro – Os desafios que se colocam atualmente são igualmente grandes. O mundo está passando por conflitos sociais e econômicos muito grandes. Devemos compreender que a absurda concentração de renda no Brasil é resultado de conflito econômico no modo de organização da produção e da forma como se distribuem os seus resultados.

As novas tecnologias trazem para toda a sociedade também uma necessidade de uma reorganização de todas as suas forças produtivas empresariais e sociais. Elas atingem de forma impactante o meio jornalístico, como também o meio comercial, porque está aí o comércio eletrônico, está chegando a internet das coisas, a automação, a robotização nas indústrias, a inteligência artificial, gerando aumentos de produtividade e, ao mesmo tempo, provocando desemprego imediato que necessita de rearranjo institucional e econômico, para não cairmos no caos social.

Enfim, as novas tecnologias estão gerando desafios tremendos para a sociedade. Não é diferente para os jornais. Temos feito todo um esforço empresarial para acompanhar o desenvolvimento dessas tecnologias. Fomos pioneiros na implantação da impressão digital. Em 1990 fomos o primeiro jornal do Espírito Santo a implantar a tecnologia digital na produção jornalística. Vamos continuar empenhados, compreendendo a necessidade de nos mantermos atualizados com essas tecnologias para que a gente possa estar correspondendo às demandas que a sociedade impõe no momento.

Dentro disso é que está o Portal TC Online. Está aí a nova forma de distribuição de conteúdo que temos utilizado, seja por e-mail, por WhatsApp, nas redes sociais, ou pela internet através do Portal. Isso leva a um aprofundamento da interação entre a Edição do jornal e o seu próprio público. Sempre pactuamos de que a grande diferença na TC quem faz é o nosso cliente pela disposição, desde o início, de interagir com ele. E as novas tecnologias vêm nesse sentido, facilitando. E, hoje, cada leitor da TC é também um colaborador ativo, que nos manda conteúdo, seja através das mídias sociais, diretamente, fazendo contato conosco, pessoalmente ou por telefone.

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Vamos nos manter antenados e conscientes dos desafios que são colocados não só para os jornais, mas para toda a sociedade que precisa discutir com profundidade o novo rearranjo da força de trabalho e da forma de produzir e compartilhar o resultado dessa produção.

Rede TC – Quais são as expectativas para 2020 e esta nova década que se inicia?

Márcio Castro – Que a sociedade possa aprofundar o debate sobre como lidar com essas novas tecnologias. A gente tem visto uma preocupação crescente com os níveis de desemprego predominante. Sabemos que a tecnologia vem revolucionar a forma de produzir, vender e distribuir produtos. E isso, num primeiro momento, causa um desarranjo na força de trabalho porque profissões estão sendo extintas e outras criadas. Postos de trabalhos, que eram manuais ou mecanizados, passam a ser robotizados. No primeiro momento isso causa um desarranjo institucional no mercado de trabalho com consequências políticas, econômicas e sociais gravíssimas.

A sociedade precisa avançar na discussão das novas possibilidades de organização dessas forças de trabalho porque, sem organização no sentido de buscar um regime mais equilibrado socialmente, todo o sistema político e econômico está sob instabilidade. Não é possível achar que a sociedade vai aceitar, por longo tempo, uma miséria crescente, uma exclusão social crescente. Isso gera revolta, instabilidade. É preciso que nesta nova década se discutam com clareza os avanços sociais que são necessários para que todos possam ter preservadas a sua integridade e condições de se realizar como pessoa, cidadão, pai, estudante, como profissional.

Cada um no seu espaço, mas com perspectivas positivas para toda a sociedade. Este é o principal desafio para estes novos tempos: criar condições para que o nível de informatização, de robotização, de automação, não venha gerar grandes massas de exclusão social. Precisamos discutir novas formas de organização do trabalho e de avanços na redução da carga horária de trabalho em todo o Planeta em função das novas tecnologias.

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