De olho também no exigente mercado europeu, a Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac) está reforçando o foco nos quesitos de qualidade e de sanidade da pimenta-do-reino para exportação. “Tratando da porteira para dentro, com o produtor rural, nosso cooperado, e da porteira para fora, oportunizando a comercialização direta do cooperado no mercado externo”, explica o presidente da Coopbac, Erasmo Negris.

De acordo com ele, a União Europeia estabeleceu uma barreira sanitária que levanta suspeita de que seja disfarce para barreira comercial. “Está ficando muito difícil exportar para a Europa”. Erasmo salienta que o percentual de retenção em porto, para análise de salmonela, passou de 5% para 20% e pode chegar a 40% da carga exportada.

“No Espírito Santo, estamos trabalhando junto com Governo do Estado, Ministério da Agricultura, Sebrae, Senar e associação dos exportadores, para tentar reduzir o nível de contaminação. Só que os europeus querem pimenta secada no Sol, de terreiro. Pimenta de secador não entra na Europa. A probabilidade de se ter uma contaminação com secagem a céu aberto é maior. Mesmo com os tratos culturais e as boas práticas de produção do produtor, o produtor pode, de forma até inocente, sem má-fé, estar contaminando o produto”.

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Segundo Erasmo, o Governo do Estado está começando a trabalhar uma campanha de boas práticas agrícolas, para tentar mitigar esse volume de contaminação. “Se a pimenta para exportação chegar contaminada lá na fábrica, não tem muito a fazer. Exceto se fizesse a esterilização, mas o Brasil ainda não tem essa tecnologia. É outra variável que estamos trabalhando também”.

O presidente da Coopbac acrescenta que a cooperativa está buscando sensibilizar o Governo Federal para a importância de as indústrias terem esterilizadores, inclusive com participação governamental, “para que a gente possa ofertar uma pimenta esterilizada e dar garantia ao mercado”. Erasmo recorda que há ainda uma articulação para obtenção da identificação geográfica da pimenta-do-reino produzida no Espírito Santo.

ESPERANÇA

Mesmo com as dificuldades decorrentes da crise hídrica, que provocou, entre outros reflexos, endividamento rural, Erasmo reforça que o agricultor nunca deve perder a esperança, mas não somente esperar. “Tem que agir um pouquinho também. Sair da porteira pra fora, buscar parceiros na cooperativa, nos órgãos governamentais, nas instituições de capacitação. A capacitação sempre é importante para avaliação de custo de produção e para saber onde está investindo o dinheiro, se está dando realmente retorno”.

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