Uma nova técnica utilizada pelos peritos do Departamento de Identificação (DEI) da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) trouxe mais agilidade para o processo de identificação de corpos no Departamento Médico Legal (DML), por meio de impressões digitais. A partir da aplicação do método “WaterBoilingTechique”, os cadáveres em decomposição vêm sendo identificados e liberados para os familiares com maior agilidade.

Um dos desafios desses profissionais é conseguir realizar a identificação dos cadáveres em diversos estágios de composição, pois muitas vezes a identificação visual torna-se insegura, restando como alternativas a identificação por meio das impressões digitais, do DNA e da arcada dentária. No último caso, a dificuldade se dá pelo fato de que nem sempre existem arquivos dentários do indivíduo.

Uma das alternativas que vem sendo utilizada e trazendo resultados positivos na identificação dos corpos é a técnica “WaterBoilingTechnique”, de recuperação de impressões digitais em derme, por meio de fervura.

A médica veterinária e perita oficial criminal, Carolina Perin Motta, que atua no Laboratório de Necropapiloscopia Forense, explica que muitos corpos chegam com a pele superficial perdida ou danificada, demandando tratamento específico da camada subsequente da pele.

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Foto: GovernoES/Divulgação

“No caso desses cadáveres em decomposição, tidos como especiais, os desafios são ainda maiores, pois muitos demandam um tratamento especializado para impressões digitais, que varia de acordo com cada caso e estágio de decomposição, para que sejam evidenciadas as impressões digitais, e possibilitando assim o confronto papiloscópico e a consequente identificação” disse Carolina Perin.

A perita acabou de finalizar uma pós-graduação Latu Sensu em Identificação Humana, na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, e o trabalho de conclusão de curso foi pautado na aplicação dessa técnica destinada à recuperação de impressões digitais em derme, por meio da fervura, em cadáveres em decomposição do Departamento Médico-Legal.

“Anteriormente, muitos dos cadáveres em decomposição eram encaminhados para exame de DNA, cujo resultado demanda um prazo longo e tem um custo médio de cerca de R$ cinco mil reais aos cofres públicos. Atualmente, com a aplicação da técnica, temos conseguido identificar a maioria deles e agilizar a liberação dos corpos para os familiares no mesmo dia”, informou a perita.

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Além do curso de pós-graduação, Carolina Perin recentemente esteve no Estado do Rio de Janeiro para aprimorar as técnicas e trocar experiências com peritos do Instituto Médico Legal (IML), da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ), possibilitando a inclusão de etapas do processo que antes não eram utilizadas aqui, como o uso de vinagre de maçã antes da fervura, para auxiliar na evidenciação dos desenhos digitais da derme.

O chefe do Departamento de Identificação, o perito Jenildo Barcellos Gusmão, falou da importância do trabalho desenvolvido e parabenizou o empenho dos servidores. “É de grande relevância a busca pelo conhecimento e a implantação de novas técnicas para o aprimoramento do trabalho, trazendo resultados positivos para a sociedade capixaba”, disse.

Jenildo Gusmão destacou a redução do tempo de espera dos familiares para a liberação do corpo, possibilitando maior celeridade, além da confiabilidade da metodologia aplicada, permitindo o sepultamento de forma digna e a segurança jurídica proporcionada à família, uma vez que se comprovando a identidade do cadáver, por meio da confecção do laudo necropapiloscópico, promove-se a sucessão (divisão de bens patrimoniais, pensão, herança, entre outros), alicerçada no Código Civil. Deste modo, deixa-se de utilizar procedimentos de outros setores mais complexos e burocráticos (DNA), o que diminui os custos financeiros.

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Método ‘Water BoillingTechnique’: traduzido do inglês significa Técnica de fervura de água.

 

Texto: Adriana Nascimento Amaral – Policial Civil – Seção de Imprensa e Comunicação Interna (Sicoi).

Foto do destaque: GovernoES/Divulgação

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