sábado, abril 18, 2026
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Virgínia, a mulher que reaprende a dormir… e a sonhar!

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Durante anos, Virgínia de Jesus da Silva aprendeu a existir quando o mundo dormia. No silêncio das madrugadas, enquanto casas se apagavam e ruas se esvaziavam, ela permanecia desperta –não por escolha, mas por uma condição que só muito mais tarde ganharia nome, explicação e, finalmente, cuidado.

De acordo com a Assessoria de Comunicação da Superintendência Regional Norte de Saúde, Virgínia é servidora da Secretaria Estadual de Saúde do Espírito Santo (Sesa) há três décadas. “Ela é exemplo para este Dia Internacional da Mulher, e para todos os outros dias, pois construiu sua trajetória com a discrição de quem cumpre deveres sem alarde”, reforça a Superintendência.

Natural de Conceição da Barra, cresceu sob os cuidados exclusivas de uma mãe que criou oito filhos com firmeza e ternura. Desde menina, porém, carregava um desencontro invisível com o tempo. Dormia quando o corpo permitia, acordava quando conseguia. E seguia.

Neste mês dedicado às mulheres, a servidora pública Virgínia de Jesus da Silva vence batalhas invisíveis com resistência, reinvenção, arte e coragem.
Foto: Ascom-Sesa/Divulgação

Vieram os anos, o concurso público, o trabalho, as responsabilidades. Vieram também os julgamentos apressados, os rótulos fáceis, as explicações erradas. O que ninguém via era o esforço silencioso de quem lutava contra o próprio relógio biológico.

Mas foi a perda que mudou tudo. Em um intervalo de poucos dias, Virgínia se despediu de uma irmã e da mãe. Restou o vazio –e a ausência completa do sono. As noites tornaram-se longas travessias sem descanso. O corpo adoeceu, a mente se cansou, e viver passou a ser um exercício de resistência.

Até que, após décadas de incompreensão, veio o diagnóstico: seu organismo seguia um ciclo invertido, uma condição real, reconhecida pela medicina do sono. Pela primeira vez, sua história fazia sentido.

 

Tratamento

 

O tratamento trouxe ciência, tecnologia e esperança. Com o uso da luminoterapia, por meio de um dispositivo chamado Luminette, e o acompanhamento especializado, Virgínia começou a reconstruir aquilo que parecia perdido. Dormir deixou de ser um milagre distante e voltou a ser possibilidade.

Mas Virgínia também aprendeu a despertar de outras formas. Entre relatórios e rotinas administrativas na Superintendência Regional Norte de Saúde, em São Mateus, onde exerce a função de gestora de remessas de contratações, Virgínia encontrou na literatura um território de afeto e permanência. Criou histórias, deu vida a personagens e transformou memórias em arte, em livros infantis à espera de editora. Escrever, sobretudo sobre o mundo mágico de seus pets, tornou-se uma forma de reorganizar o mundo – e a si mesma.

Hoje, sua trajetória é feita da mesma matéria que sustenta tantas mulheres: coragem cotidiana, resiliência silenciosa e a capacidade de recomeçar, mesmo após as noites mais longas.

Virgínia reaprende a dormir. E, ao fazê-lo, reaprende também a sonhar.

 

Foto do destaque: Ascom-Sesa/Divulgação

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