Por Wellington Prado – Repórter
A greve dos trabalhadores florestais da empresa Emflora, prestadora de serviços para a Suzano, está mantida, pelo menos até a semana que vem. A informação foi passada para a Reportagem pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Atividades de Extração e Exploração de Madeira e Lenha (Sintral), Antônio Lemes da Silva Júnior. De acordo com ele, ocorreram conversas com representantes da empresa nesta sexta-feira (24).
Ele frisa que houve a oferta de pagamento de um abono de R$ 300, que se somaria à primeira proposta apresentada pela Emflora e recusada pelos trabalhadores. De acordo com o dirigente sindical, a proposta não agradou a categoria, que optou por rejeitar novamente, reivindicando a mesma correção salarial oferecida aos trabalhadores da empresa que atuam na Suzano na Bahia.
A Emflora havia apresentado uma primeira proposta de Acordo Coletivo de Trabalho para o cargo de ajudante florestal, salário de R$ 1.624,28, ticket de R$ 358,45, prêmio fixo de R$ 191,80, sem ticket nas férias e sem abono, que, somados, dariam um total mensal de R$ 2.174,50. Logo, com a proposição do abono, o valor chegaria a R$ 2.474,50, ainda assim, abaixo da remuneração dos trabalhadores da Bahia, que chega a aproximadamente R$ 2.500.
Antônio Lemes disse que a Emflora procurou o Sintral para dialogar, com conversas realizadas na manhã de ontem e também à tarde. “Pela manhã, ela só apresentou que não tinha possibilidade de ter nenhum reajuste além do que já tinha proposto. E a gente também pontuou que, os trabalhadores estão sendo bem firmes no posicionamento de não aceitar algo que seja inferior à proposta feita na Regional da Bahia” – relata.
Empresa teria afirmado que proposta apresentada faria com que salários dos capixabas ficassem mais altos que dos baianos
São Mateus – Conforme o dirigente sindical Antônio Lemes, os representantes da Emflora teriam manifestado nas reuniões que os benefícios apresentados na primeira proposta fariam com que a remuneração dos trabalhadores do norte do Espírito Santo ficasse mais alta que dos baianos. “Eu falei que, se isso realmente acontecesse, a empresa não tinha nenhuma dificuldade em propor a mesma proposta da Bahia, o que estaria atendendo à reivindicação dos trabalhadores capixabas”.
Antônio Lemes disse que na tarde de ontem, os representantes da Emflora entraram em contato novamente e reapresentaram a proposta, acrescentando um abono de R$ 300, que foi recusado pelos trabalhadores, mantendo assim a greve até nova negociação, que ele espera que aconteça na semana que vem.
MPT
O Sintral reforçou que solicitou a mediação do Ministério Público do Trabalho no Espírito Santo (MPT-ES). Em nota à Reportagem, o MPT-ES manifestou que recebeu o pedido de mediação por parte do sindicato e que gerou a Notícia de Fato número 000197.2026.17.002/8.
EMFLORA
Desde o início da greve, no dia 14, a Reportagem tenta ouvir a Emflora, que, até a tarde de ontem, ainda não havia respondido. O espaço continua aberto para que a empresa possa registrar o posicionamento.
SUZANO
Em nota na noite de 14 de abril, primeiro dia de greve, a Suzano afirmou que acompanha a situação e que exige da contratada o rigor no cumprimento das leis trabalhistas. Conforme a Suzano, “a empresa respeita a autonomia das prestadoras de serviços e a gestão de pagamentos é de responsabilidade direta da contratada, o que está em linha com o princípio da liberdade de gestão empresarial”.




