A tempestade com granizo que atingiu municípios do no norte do Espírito Santo e no sul da Bahia na noite de quarta-feira (17) foi provocada por um sistema frontal, que é o encontro de duas massas de ar de características diferentes. A explicação foi dada à Rede TC de Comunicações pelo coordenador de Meteorologia do Incaper, Hugo Ramos. Ele acrescenta que eventos climáticos com a mesma característica ocorreram também no litoral sul capixaba.

“A gente estava na semana passada numa condição de tempo abafado, o ar estava bastante quente. A partir deste momento que esse ar mais frio, em função dessa massa de ar polar que atravessou pelo Brasil, o encontro, ela organiza essa grande faixa de nuvens que a gente chama de frente” – explica.

Ele aponta que essa interação de massas de ar leva à formação de nebulosidade, que organiza as nuvens de tempestades. “A instabilidade foi tão rápida que houve a formação de granizo, tanto no norte e sul do Estado”, acrescenta.

 

ESTRAGOS

Em Mucurici, a tempestade iniciou por volta de 18h. Moradores registraram um rastro de destruição. “Estamos todos assustados com o que aconteceu, um verdadeiro cenário de guerra. Onde a gente passa vê as pessoas em cima das casas tentando recuperar o telhado” – afirmou na manhã de ontem o advogado e morador de Mucurici, Gabriel Ferreira.

Ex-vereador, Gabriel relatou ainda que o Fórum da Cidade também registrou muita destruição, assim como outros órgãos públicos, casas e quadra de esportes. Ainda na noite de terça-feira, funcionários do Fórum de Mucurici realizaram uma vistoria no prédio identificando várias salas destruídas, inclusive o Salão do Júri.

Em Mucuri, na Bahia, de acordo com o morador Paulo Meirelles, a tempestade iniciou por volta das 19h e foi rápida. No entanto, após a passagem da chuva, foram registrados muitos imóveis danificados na cidade, como um hotel e várias casas nas partes mais altas.

A rodovia de acesso à cidade, a BA-698, ficou interditada na altura do km 19 por conta de queda de árvores.

 

 

Épocas de transição

Coordenador de Meteorologia do Incaper, Hugo Ramos explica que, como o Espírito Santo está localizado na região tropical do Brasil, “diferente de áreas temperadas ou subtropicais onde as estações do ano são bem definidas, aqui a gente tem duas épocas, quente e chuvosa, que coincide com os meses de Verão, e a época fria e menos chuvosa, que coincide com o período de Inverno”.

Neste sentido, o meteorologista detalha que, entre os dois períodos, existem o que é denominado de épocas de transição. “O mês de maio é o segundo da transição entre o Verão, quente e úmido, e o Inverno, frio e seco” – frisa.

Hugo Ramos salienta que, nos períodos de transição para o Inverno, podem acontecer fenômenos, não com frequência comum, da estação ser mais fria, com a passagem das massas de ar de origem polar que influenciam as condições do tempo. “Em resumo, não é anormal, mas ainda assim não é tão frequente”, sustenta.

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