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Sindipetro afirma que Petrobras vendeu dois polos capixabas por valor equivalente a 50 dias de produção

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O Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), afirma que a Petrobras vendeu mais dois polos capixabas, Golfinho e Camarupim, ambos em solo capixaba, pelo valor equivalente a 50 dias de produção.

“Com mais essa venda escandalosa, a maior empresa da América Latina dá adeus à bacia do Espírito Santo, desfez-se de todos os campos terrestres e de águas rasas e agora conclui a venda dos campos em águas profundas” – destaca o coordenador-geral do Sindipetro-ES, Valnísio Hoffman, em mensagem à Rede TC de Comunicações.

Para ele, o escândalo dessa venda “está exatamente no valor irrisório que a Petrobras aceitou para fechar o negócio”. Após dois anos de tramitações financeiras, o preço final ficou no valor proposto pela Companhia, de 75 milhões de dólares, conforme declarou a própria estatal.

“Só que esse valor a ser pago pela empresa BW Energy –que ninguém sabe quem é– pode ser recuperado em apenas 50 dias de produção. É isso mesmo!” – exclama.

“Vamos às contas: a capacidade só de um dos polos vendidos, o Polo Golfinho, é de aproximadamente 15 mil barris produzidos por dia. Ao considerar a cotação média atual de 100 dólares por barril, somente com um dia de produção a nova empresa atinge 1,5 milhão de dólares em barris de petróleo, sendo necessários 50 dias exatos para chegar aos 75 milhões de dólares pagos nessa compra” – calcula.

“E nessa conta, a empresa consegue recuperar o dinheiro investido somente com a produção de petróleo do Polo Golfinho. O cálculo nem considera a produção de gás natural e condensado –petróleo levíssimo— do Polo Camarupim. E também não inclui a produção do bloco exploratório de Brigadeiro, área que faz parte dessa venda e que entra no pacote” – complementa.

Segundo o Sindipetro-ES, ainda é preciso ressaltar que a compradora leva, além das áreas de exploração, toda a estrutura que já existe nessas unidades, incluindo o mercado cativo de gás do Espírito Santo e a garantia de compra de petróleo por parte da Petrobras. “O risco é zero nessa negociação, considerando ainda o fato de serem campos conhecidos e em produção”.

O Sindipetro-ES detalha que, a partir de agora, a Petrobras não possui nenhum campo exploratório na bacia do Espírito Santo. Na foto, parte da estrutura do Terminal Norte Capixaba, localizado no território de São Mateus.
Foto: Divulgação

 

Sindicato afirma que venda foi feita sem presidência na estatal

 

Vitória – O Sindipetro-ES avalia também que, “o curioso” é que a venda foi concretizada mesmo sem presidência na diretoria da Petrobras, e com a empresa compradora, a BW Energy, sendo desconhecida no mercado: fundada somente em 2016, a sede fica em Bermudas, conhecido paraíso fiscal internacional.

“A partir de agora, a Petrobras não é dona de nenhum campo exploratório na bacia do Espírito Santo. As consequências vão impactar na arrecadação dos municípios e dos estados, com redução significativa do repasse dos royalties; na diminuição de postos de trabalho, acarretando aumento nos números do desemprego; e, ainda, no crescimento no valor dos combustíveis para os consumidores, algo que vem acontecendo constantemente, desde 2016, quando a Companhia passou a vender seus ativos e a calcular o valor da gasolina, do diesel e do gás de cozinha a partir do Preço de Importação (PPI)” – analisa.

E complementa: “O Sindipetro-ES repudia mais essa venda descabida, escandalosa e repugnante realizada pela Petrobrás. Nossa diretoria já está se organizando com o jurídico para buscar meios de reverter essa negociação e responsabilizar quem quer que sejam os responsáveis por isso”.

Foto do destaque: Divulgação

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