A senadora Rose de Freitas cobrou ontem agilidade do Banco do Brasil (BB) nas soluções para pequenos agricultores familiares que tiveram suas lavouras atingidas pelas fortes chuvas no Espírito Santo. “Por conta dos prejuízos sofridos desde 2015, muitos encontram sérias dificuldades em honrar pagamentos relacionados ao crédito rural adquirido junto ao BB”, registra a senadora.

De acordo com o levantamento apresentado pela parlamentar capixaba, ao todo, 13 municípios foram fortemente atingidos pelas tempestades: Alegre, Cariacica, Cachoeiro de Itapemirim, Guaçuí, Jerônimo Monteiro, Marechal Floriano, Mimoso do Sul, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, São José do Calçado, Vargem Alta, Viana e Vila Valério.

Em reunião remota com a superintendência do BB no Espírito Santo, a parlamentar expôs o sofrimento vivido pelos agricultores familiares. “As pessoas perderam a lavoura e não têm como pagar. É um desespero que não podemos deixar continuar para quem produz neste País. A saída do Brasil está na agricultura” – afirmou.

Rose apontou ainda que “a inadimplência do homem do campo não acontece por displicência ou vício moral para fazer dívida”, e que “nas últimas semanas eles vêm sofrendo muito com chuva e granizo”. Diante desse cenário, a senadora propôs que o BB analise as dívidas para solucionar o problema dos agricultores familiares.

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“Estamos falando do pequeno produtor familiar que nos alimenta e, por causa de uma política de falta de diálogo, fica à margem do processo, como se nada estivesse fazendo pelo Brasil. O Banco do Brasil tem de ter uma política voltada para isso” – cobrou.

CARTA DA ASSOCIAÇÃO AGRICULTURA FORTE

Em carta enviada à senadora Rose, o vice-presidente da Associação Agricultura Forte, Edivaldo Permanhane, relata que, por conta das dificuldades sofridas desde 2015 e diante da dificuldade de honrar os pagamentos do crédito rural, muitos produtores acabam vendendo suas propriedades.

“De 2015 para cá tiveram algumas resoluções, leis, programas do BNDES que contemplaram alguns produtores, mas nada muito significativo. A maioria foi pegando outro contrato para pagar, ajeitando com os próprios bancos, mesmo com as taxas mais elevadas. Quando chega no limite de não renovar mais [os contratos], o agricultor acaba vendendo parte da propriedade, pois as margens estão muito reduzidas. Então, é raro ter um ganho muito grande. Os custos estão muito elevados, as safras seguintes à crise hídrica tiveram perdas por causa de temperatura, os preços não tiveram aumento significativo”.

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SOLUÇÃO

O superintendente do BB no Estado, Sinvaldo Vieira, garantiu que vai providenciar reunião com as lideranças locais para resolver o problema. “A senhora [senadora Rose] tem toda a razão, o produtor tem de se preocupar em produzir e não pode ficar em filas de bancos. A gente vai providenciar reunião com as lideranças locais, com as cooperativas, para encontrarmos uma solução” – assegurou.

Já o gerente de mercado do agronegócio do BB no ES, Gustavo Silveira, ressaltou a necessidade de “trazer atitudes concretas” para resolver o impasse com os produtores. “Vou entrar em contato com as prefeituras, os agricultores, as cooperativas, para buscarmos um entendimento”, disse.

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