Por
Tatiana Milanez
Repórter
No mês em que se celebra o Dia Mundial da Tuberculose –24 de março–, o Centro de Referência Municipal em Tuberculose e Hanseníase de São Mateus tem reforçado as ações de conscientização, prevenção e orientação à população. As atividades incluem palestras em unidades de saúde e também em empresas privadas do município.
De acordo com a coordenadora do Centro de Referência, Mariza Dias da Rocha, as ações vêm sendo realizadas semanalmente ao longo deste mês de março. “Nosso objetivo é levar informação e combater o preconceito em relação à doença, além de orientar a população sobre sintomas e formas de prevenção” – destaca.

Foto: Divulgação
Segundo Mariza, em 2026 já foram confirmados 18 casos de tuberculose em São Mateus. Em 2025, o município registrou 65 diagnósticos positivos. “Atualmente, temos 38 pessoas em tratamento, sendo 20 casos iniciados no ano passado e 18 neste ano” – detalha.
De acordo com ela, para este dia 24 devem acontecer ações, em parceria com estudantes do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), com o projeto Desmistificando a Tuberculose, nas unidades de saúde que registraram o maior número de casos confirmados para a doença neste ano e também em 2025. São ações preventivas, com palestras orientativas sobre a doença nas salas de espera.
Mariza destaca ainda que, nos dias 7, 14 e 21 deste mês, as unidades de saúde dos bairros Porto, Guriri e Aroeira, respectivamente, receberam palestras sobre educação em saúde voltada para a tuberculose. “Também fomos por duas vezes neste mês, nos dias 9 e 17, em uma empresa privada que nos convidou para falarmos sobre a tuberculose para os funcionários, em especial, para desmistificar tanto preconceito com essa doença que felizmente tem tratamento e as pessoas ainda não conhecem muito bem” – frisa Mariza.
Doença, diagnóstico e tratamento
Fernanda dos Santos Palmeira Lima é enfermeira no Centro de Referência Municipal em Tuberculose e Hanseníase de São Mateus. Ela explica que a tuberculose é uma doença infectocontagiosa, causada pela microbactéria tuberculosa. Sua forma de transmissão é por via aérea, ou seja, por meio da tosse ou espirro. “Quando um paciente contaminado exala as gotículas no ar, uma pessoa sadia pode pegar essa doença” – afirma.

Foto: Divulgação
Segundo Fernanda, os principais sintomas da tuberculose são os seguintes: tosse persistente por mais de três semanas, febre repentina, sudorese noturna, perda de peso e fraqueza. “Estes são alguns dos principais sintomas e, quando acontecem juntos, podem levantar a suspeita [de tuberculose] e o paciente deve procurar a investigação na sua unidade de saúde” – explica.
Conforme Fernanda, para evitar o contágio, é primordial o uso de máscaras, tanto pela pessoa com suspeita da doença quanto para quem convive diretamente com alguém com sintomas. Salienta ainda que é preciso manter os espaços coletivos ventilados e arejados, com bastante circulação de ar. “A vacina BCG, que recebemos na infância, também é necessária porque ela previne as formas graves da tuberculose” – enfatiza.
Fernanda detalha que o tratamento de combate à tuberculose dura cerca de seis meses, mas pontua que é preciso ser feito da forma correta. “Caso o paciente não complete o tratamento, por algum motivo, é comum que o organismo crie uma resistência à bactéria, o que faz com que o tratamento se prolongue por até 18 meses [um ano e meio], mas é uma doença tratável” – afirma.
A enfermeira reforça que, caso a pessoa tenha os sintomas, o caminho para iniciar o diagnóstico e tratamento, se necessário, é buscar a Unidade Básica de Saúde. Ela afirma que todo o tratamento é custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Na UBS, o médico vai solicitar os exames e fazer o primeiro atendimento. Se a pessoa for diagnosticada [com tuberculose], o tratamento pode ser feito na Unidade Básica de Saúde, mas se houver alguma complicação, por exemplo, uma intolerância medicamentosa ou qualquer outra complicação decorrente do tratamento, o paciente é encaminhado para o nosso Centro de Referência e, se ele passar a ser um paciente droga resistente, o tratamento passa a ser em Vitória, na nossa Referência Estadual” – detalha.
Preconceito
Fernanda pontua que a tuberculose é envolta por preconceito. “As pessoas precisam tirar esse estigma em relação à tuberculose, porque é uma doença tratável, ou seja, tem cura. Antigamente acreditava-se que era possível contrair tuberculose através do compartilhamento de objetos pessoais, então a pessoa diagnosticada ficava isolada para evitar esse contágio, mas na verdade, com os estudos, foi descoberto que a tuberculose não é transmissível por meio de um abraço, do uso de um talher ou copo, por exemplo, mas sim por via aérea” – complementa.
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