Por
Tatiana Milanez
Repórter
Os grupos Arte Cultural Ascensão de São Mateus e Renascer de Jaguaré apresentam na Sexta-Feira Santa, 3 de abril, a tradicional encenação de A Paixão de Cristo, ambos com atores de 20 anos interpretando pela primeira vez o personagem principal, Jesus Cristo.
A próxima semana será de finalização dos preparativos, que já iniciaram há algum tempo. Por isso, os jovens Murilo Morelo Santos, de Jaguaré, e Emanoel dos Santos Soares, de São Mateus, vivem momentos de muita ansiedade para as respectivas estreias.

Foto: Divulgação
As apresentações acontecem em cenários ao ar livre, no Bairro Santa Teresa (Ponte), em São Mateus, e na Comunidade São Roque, em Jaguaré, ambos no mesmo horário, a partir das 19h. Para os cristãos católicos, a Semana Santa é de extrema importância e a expectativa da organização das encenações é de que muitos fiéis compareçam para prestigiar os momentos.
Murilo é membro da Paróquia São Cipriano. Já Emanoel participa na Comunidade Santa Teresa Dávila, na Paróquia Santo Antônio.
O jovem Murilo conta que há 15 anos integra o grupo teatral Renascer, em Jaguaré, mas, pela primeira, interpretará o personagem central, Jesus Cristo. O consultor de vendas afirma que a ansiedade está alta.
“Sei bem como funciona esse universo da encenação, sei da ansiedade. Mas, neste ano que interpreto Jesus, minha ansiedade está bem alta. Acredito que Deus vai prover tudo, não só para mim, mas para todo o teatro, com uma boa apresentação e atuação para todos” – frisa.

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Ele considera que Jesus foi o ser mais importante que passou neste mundo e se inspirar nEle é a maior prova de amor que deixou quando se entregou na cruz. “O amor, a dedicação pelos seus irmãos, amigos que Ele amava, e por nós, carregou os pecados do mundo inteiro nas suas costas. Jesus deixa para a gente uma mensagem de amor, paz e humanidade. Vejo que se inspirar em Jesus hoje é o melhor caminho” – reforça.
“É uma experiência proveitosa”
Pintor e morador do Bairro Santa Teresa (Ponte), Emanoel dos Santos Soares diz que está no Grupo Arte Cultural Ascensão há cinco anos e que pela primeira vez interpreta Jesus Cristo. “É uma experiência proveitosa e desafiadora interpretar um personagem principal na encenação. Coisa que eu nunca tinha feito” – destaca.
Salienta que o olhar cuidadoso dos organizadores e diretores abre portas e dá oportunidades aos atores mais jovens, o que, para ele, é muito importante. “Eu já fiz parte da multidão, já fui Mestre da Lei, Pilatos e, agora, Jesus. Sei que vai ser muito bom. Eles fazem mudanças e isso dá uma renovada. Tem muitos jovens assumindo papéis importantes é muito bom preparar essas pessoas” – frisa.

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Segundo Emanoel, interpretar Jesus Cristo é uma responsabilidade muito grande. Pontua que transmitir o que Cristo sentiu na paixão, seja na fala ou nos gestos, é desafiador. “Jesus é único e nunca teve nem nunca terá alguém igual a Ele aqui na Terra. Tentar expressar isso em forma de encenação é desafiador” – reforça.
SEGUIR A VONTADE DE DEUS
Para o ator, um exercício que tem funcionado durante os ensaios é tentar se colocar no lugar de Jesus à medida que se passam as cenas para internalizar o quão difícil foi tudo o que Ele passou, conforme a doutrina da Igreja Católica e a fé cristã. “Cada passo até a chegada na morte no calvário e a sua ressurreição não foi só lição, ensinamentos e inteligência. Jesus sentiu raiva como vai ser mostrado [na encenação], indignação, agonia e medo” – frisa.
“Às vezes, a gente lembra de Jesus como um ser espiritual e poderoso, e Ele é. Mas a gente esquece que quando Deus, como Jesus, desce para viver a experiência humana, ou seja num corpo físico que tem sentimentos, necessidades, Ele experienciou isso e nos mostrou que mesmo humanos, a gente consegue seguir a vontade de Deus” – complementa.
Cristiane, Melquione e Willian falam da emoção de participarem do Auto da Paixão
Entre os participantes do Grupo Arte Cultural Ascensão está a recepcionista Cristiane Marinho Silva, de 36 anos, moradora do Bairro Santo Antônio e integrante da Comunidade de Santa Ana. Ela afirma que acompanha as encenações da Paixão de Cristo no Bairro Ponte, em São Mateus, desde a infância e, há cinco anos, passou a integrar o grupo teatral. Neste ano, Cristiane interpreta Maria, mãe de Jesus.

“É uma experiência profundamente simbólica e emocional porque representa mais do que uma pessoa histórica: ela encarna fé, entrega, coragem e dor ao mesmo tempo. É uma mistura de serenidade, força espiritual e profunda sensibilidade humana” – afirma.
A expectativa dela é emocionar o público e evangelizar por meio da arte. “Estar no Grupo Ascensão, ser acolhida por eles e interpretar a mãe de Jesus, me ensinou e me ensina todos os dias a viver com fé, coragem e amor, mesmo quando o caminho não é fácil. Mesmo diante das adversidades, permanecer de pé” – frisa.
Mix de emoção e reflexão
Outro integrante do Grupo Arte Cultural Ascensão é Melquione Marinho Silva, de 25 anos. Ele afirma que participa do teatro há 11 anos e interpretará o Apóstolo Pedro. O ator diz que fazer o papel traz um mix de emoção e reflexão.

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“Me faz relembrar de tantas ações que Cristo realizou em tão pouco tempo, todos os milagres, tudo o que Ele enfrentou para que pudéssemos ser salvos. É um imenso prazer ser um personagem que esteve perto do homem mais importante que pisou nessa Terra” – enfatiza.
Para Melquione, as expectativas são as melhores possíveis. Ele espera a presença de grande público de São Mateus e região. “A história de Jesus, em si, nos traz mensagens de paz, amor ao próximo, perdão, fé, o que para mim, já é o necessário para tirar como lição de vida” – afirma.
“Interpretar Pilatos é uma sensação de viver um homem dividido”
O intérprete de Pilatos é o policial Penal Willian Gonçalves Ribeiro, de 45 anos. Ele salienta que participa do Grupo Arte Cultural Ascensão há 30 anos e pontua que não é fácil dar voz ao personagem.

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“Acho um papel muito difícil de ser feito, pois tem que mostrar autoridade e postura de um governador romano. Interpretar Pilatos é uma sensação de viver um homem dividido entre a certeza da inocência de Jesus e o desejo de autopreservação. A parte que mais gosto é o momento de lavar as mãos, a ato. A cena é relatada como um momento de profunda reflexão sobre omissão” – destaca.
De acordo com Willian, a expectativa é fazer um excelente trabalho de evangelização para um grande público. “Levo de lição para a minha vida: muitas vezes, a nossa omissão pode custar a vida de alguém” – sustenta.
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