terça-feira, abril 14, 2026
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Produtores relatam problemas com fornecimento de energia em São Mateus

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Tatiana Milanez

Repórter

Produtores rurais de São Mateus têm relatado dificuldades frequentes com o recebimento de energia elétrica em suas respectivas propriedades. Desta vez, moradores de localidades ao longo da ES-315, conhecida como Estrada de Boa Esperança, apontam quedas constantes e longos períodos sem energia elétrica. Dois produtores procuraram a Reportagem e afirmaram que as situações têm causado prejuízos à produção, além de afetar a rotina nas propriedades.

Produtores rurais relatam que os problemas com a energia elétrica têm afetado moradores ao longo da Estrada de Boa Esperança, entre as localidades de São Jorge e Morro das Araras.
Foto: Claudio Caterinque/TC Digital

A produtora rural Fernanda Marim defende que a zona rural precisa de maior atenção por parte da EDP, concessionária responsável pelo serviço. “Hoje, a energia no campo não é apenas uma questão de conforto, ela é essencial para a produção de alimentos, irrigação, funcionamento das propriedades e para a vida dos moradores. Quando falta energia e a retomada demora, os prejuízos são grandes. Compromete a produção, afeta o trabalho das equipes e dificulta até condições básicas dentro da propriedade, como acesso à água, ventilador, internet e comunicação em geral” – afirma.

Fernanda Marim: “Às vezes, ficamos até três dias sem energia elétrica”.
Foto: Divulgação

Na opinião de Fernanda, a estrutura da rede elétrica precisa de melhorias. Ela detalha que na propriedade, localizada na Comunidade São Jorge, as quedas são recorrentes e, em alguns casos, a normalização do serviço pode demorar dias. “Às vezes, ficamos até três dias sem energia elétrica. Na fazenda já perdemos bebedouro, geladeira dos funcionários e ventilador. Inclusive já perdemos funcionários que deixam o trabalho porque, com crianças e sem energia, no calor, é realmente muito difícil. Perdemos alimentos, muita coisa” – relata.

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Burocracia no atendimento

 

A produtora relata também que, ao buscar atendimento da EDP, enfrenta burocracia. Segundo ela, os chamados são realizados por telefone e também por mensagens via aplicativo. “Eles exigem que a gente verifique o disjuntor para ter certeza que não é algo interno e até sugerem a contratação de um eletricista para confirmar. Precisamos confirmar durante a solicitação, porque corremos o risco de pagar R$ 373,39 na fatura seguinte caso o profissional entenda que o problema é interno” – explica.

Fernanda acrescenta que, recentemente, também tem sido difícil acionar o atendimento por telefone. No entanto, a produtora salienta que conseguiu agendar uma reunião com representantes da EDP e dos moradores das localidades afetadas com as quedas de energia elétrica para a tarde de ontem. Ela afirma que a reunião serviria para tratar, principalmente, da questão das quedas de energia, em especial, por períodos prolongados.

Para ela, a rede elétrica, instalada há décadas, não suporta a demanda atual. “A gente observa que não há renovação da estrutura que foi implantada há muitas décadas e já não suporta mais a utilização. Frequentemente a energia cai e as pessoas vão tendo perdas e prejuízos. Ficamos impedidos de usar a irrigação porque, sem energia, não dá”, pontua.

 

“Falta investimentos”, pontua produtor

 

O produtor rural Edward Lanusse Patrício Vasconcelos, que possui propriedade na localidade de Morro das Araras, também relata dificuldades com o recebimento de energia elétrica. Segundo ele, na quarta-feira (11), novamente houve interrupção do serviço em diversas propriedades ao longo da Rodovia ES-315, especialmente no trecho entre São Jorge e Morro das Araras. “É uma região com muitos moradores, associação dos quilombolas, produtores de leite e todo mundo é prejudicado. Isso acontece com muita frequência” – afirma.

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Edward Patrício possui propriedade rural na localidade de Morro das Araras e também relata dificuldades com o fornecimento de energia elétrica.
Foto: Divulgação

Patrício, como afirma ser conhecido, lembra que, quando a então Escelsa foi privatizada, a empresa portuguesa EDP que assumiu a concessão fez o compromisso de realizar investimentos na rede elétrica nas localidades atendidas. “Foi feito um termo de ajustamento de conduta [TAC] e assumido o compromisso de investir em todas as cidades [municípios]”, diz o produtor. Segundo ele, a empresa deveria melhorar a distribuição de energia, mudando de monofásica para trifásica, além de investir na manutenção de redes elétricas em São Mateus. “Mas durante vários anos não houve investimentos”, afirma.

Ainda de acordo com o produtor, a falta de energia afeta diretamente a atividade rural. “Os produtores de leite têm problemas com os resfriadores e acabam tendo prejuízo. Quem trabalha com irrigação também não consegue produzir. À noite, não é possível usar as bombas para levar água do poço artesiano para as caixas. Sem contar que nessas localidades há pessoas idosas, enfermas e com necessidades especiais” – descreve.

Ele acrescenta que a demora no restabelecimento da energia elétrica também preocupa os moradores. “Na terça-feira [10] faltou energia e hoje [quarta-feira, 11], ainda estamos sem energia. Já são mais de 12 horas sem luz e ninguém veio religar. Ligamos, temos protocolos, mas até agora [tarde de quarta-feira] não tivemos solução”, complementa.

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O QUE DIZ A EDP

 

São Mateus – A Reportagem procurou a EDP que, por meio da Assessoria de Comunicação, respondeu que “nos últimos dias o fornecimento de energia em algumas localidades da região foi impactado por condições climáticas adversas, com registro de temporais que provocaram danos à rede elétrica”.

Ainda respondendo de forma pontual sobre a falta de energia elétrica nesta semana, a empresa disse o seguinte: “Equipes técnicas foram mobilizadas e realizaram a normalização do fornecimento de energia para a população. Com relação à mensagem exibida no WhatsApp e na Agência Virtual, a EDP esclarece que o aviso orienta sobre a possibilidade de cobrança quando, após vistoria técnica, é identificado que o problema está na instalação interna do cliente, e não na rede elétrica da distribuidora”.

A empresa não respondeu sobre o relato dos consumidores em relação à demora de até três dias no restabelecimento do fornecimento de energia elétrica nas localidades ao longo da Estrada de Boa Esperança.

Foto do destaque: Claudio Caterinque/TC Digital

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