Por
Wellington Prado
Repórter
Pesquisador meteorologista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Ivaniel Fôro Maia, alerta, em entrevista à Rede TC de Comunicações, que o possível fenômeno El Niño, previsto para se estabelecer no segundo semestre deste ano e início de 2027, deve gerar temperaturas acima da média no Espírito Santo. Contudo, assim como havia relatado o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Ivaniel salienta que não é possível prever a intensidade dos efeitos do fenômeno.
O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apresentou na terça-feira (19) nova nota técnica sobre o possível desenvolvimento de um evento de El Niño para o ciclo 2026/2027, com potencial para provocar impactos significativos no clima global e no território brasileiro. Segundo o documento, modelos climáticos internacionais indicam a possibilidade de um episódio de forte intensidade, popularmente conhecido como super El Niño, “embora ainda exista elevada incerteza nas previsões de longo prazo”, segundo o Cemaden.

Foto: Incaper/Divulgação
Ivaniel frisa que o Incaper tem acompanhado junto a outros centros de previsão nacionais e diz que as condições estão apontando para que se configure o El Niño, com todos os efeitos costumeiros, que geralmente são mais intensos, mais severos, nos extremos do País, nas regiões Norte e Sul.
Numa visão mais local, o meteorologista aponta que o mais certo para o Espírito Santo, de efeitos com a configuração do fenômeno, é de temperaturas mais elevadas. “Existe um cenário em que a tendência dentro da atuação do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre e começo do próximo ano, entre 2026 e 2027, é que nós tenhamos um período mais quente no Estado. Então ele traz essa tendência de que os meses sejam mais quentes” – afirma.
Definição de super El Niño
O meteorologista do Incaper, Ivaniel Maia, reforça que a nomenclatura super El Niño não é exatamente científica, mas existem diferentes intensidades a cada configuração do fenômeno. “Em algum momento, ele vem numa intensidade, uma configuração padrão, uma intensidade mais fraca, mas pode vir a trazer efeitos mais severos, dependendo da sua intensidade, de acordo com o aquecimento das águas no Pacífico. Quanto mais intensa a questão do posicionamento também desta água na região do Pacífico equatorial, pode trazer consequências mais severas ou menos severas” – explica.
Ele frisa que o certo é realmente que aconteça o estabelecimento do fenômeno El Niño no segundo semestre, mas de forma gradativa devido à interação do oceano com a atmosfera, provocando muita chuva na porção sul do Brasil e um período mais seco na região Norte brasileira.
Alerta para pecuária e agricultura
Para o meteorologista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Ivaniel Maia, a temperatura elevada prevista com o fenômeno El Niño deve acender um alerta para os pecuaristas e agricultores capixabas.
Na pecuária, frisa que o desconforto térmico causado pela temperatura acima da média por períodos prolongados causa estresse animal.
Em relação à agricultura tradicional, principalmente café, o café a pleno Sol, que é um sistema de monocultivo onde os pés de café são plantados em áreas abertas, sem árvores ou sombreamento ao redor, o meteorologista reforça que o estresse térmico pode impactar em perda de folha e de produtividade, com grão com mais defeito.
“A temperatura muito elevada pode danificar a questão da formação do grão”, salienta. Contudo, adianta que a fase de enchimento de grão, pós-florada, pode ser afetada.
Outras culturas também podem ser impactadas. O meteorologista lembra que o ciclo do fenômeno El Niño mais recente ocorreu em 2023 e 2024 e uma situação que repercutiu foi sobre a batata baroa, cultivada no Sul e na parte serrana do Estado. Ele detalha que, em razão da temperatura elevada, a batata acabou “cozinhando” debaixo da terra.
DICA DO METEOROLOGISTA
O meteorologista relata que quem cultiva produtos, por exemplo, hortaliças, leguminosas, também deve se organizar para enfrentar o período de El Niño. “Deve precisar se preparar para ter um tratamento para que ele possa produzir sem ter esse tipo de efeito. Porque, com a alta temperatura, a única coisa que você pode fazer é colocar uma cobertura de palha em cima e aí evita qualquer Sol, qualquer temperatura, radiação solar neste período. Acaba aquecendo muito a superfície”, disse.
Ainda sem previsão do grau de elevação de temperatura
De acordo com o meteorologista do Incaper, Ivaniel Maia, ainda não é possível apresentar uma previsão quantos graus acima da média devem ocorrer durante o fenômeno El Niño.
“É um fenômeno que dura vários meses, chega a durar mais de um ano, um ano e meio. A partir da configuração, do acompanhamento, podemos divulgar a questão de previsão com mais certeza, se vão ser três graus acima da média, cinco graus, se vai ser um super El Niño” – frisa. Por esse motivo, o meteorologista destaca a importância de um acompanhamento mensal.
PRECIPITAÇÃO
“Os efeitos para a condição de chuva dentro do Espírito Santo, tem ano que ficam abaixo da média e tem ano que a chuva fica alta. Então, não tem uma definição muito certa para precipitação”, reforça.
Contudo, salienta que como altas temperaturas provocam uma perda de evaporação ou leva para uma combinação da transpiração da planta com a evaporação da superfície líquida.
“Então, quem tem reservatório, mesmo que a pessoa tenha reserva de água, mesmo que tenha chovido dentro do normal, a perda de água para a atmosfera por conta do calor a mais, pode provocar um rebaixamento do nível de água daquele reservatório e a pessoa que tinha uma reserva para tantos meses, pode ter essa reserva esgotada um pouco antes. Esse é um cenário que a gente tem que trazer, para quem tem pequena barragem, seu pequeno reservatório. São preocupações que a gente tem, principalmente no Verão” – sustenta.
Foto do destaque: Arquivo/Incaper-GovernoES/Divulgação – Arquivo





