A Polícia Federal desvendou o aparecimento de bolsas com cocaína no litoral capixaba e baiano. Com o objetivo de desarticular “organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de cocaína, a PF deflagrou nesta terça-feira (23) a Operação Mar Aberto, cumprindo 20 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina (Balneário Camboriú, Camboriú, Itapema, Porto Belo, Florianópolis, Itajaí, Navegantes e São José), Paraná (Curitiba e Matinhos) e Espírito Santo (Itapemirim, um mandado).

Além dos mandados de busca e apreensão, outros seis de prisão preventivas estão sendo cumpridos. Na ação, autorizada pela 1ª Vara Federal de Itajaí, também estão sendo sequestrados veículos, imóveis e duas embarcações de pesca industrial, “pertencentes ao grupo criminoso”.

As bolas apareceram a partir de maio no litoral capixaba. Foto: Polícia Federal/Divulgação

“Essa operação da PF desvenda o “aparecimento” das grandes bolsas com centenas de quilos de cocaína no litoral baiano e capixaba”, enfatiza a PF. Uma das mochilas até então misteriosas foi encontrada na beira do mar, em Guriri, no dia 26 de maio.

Simulação de pesca

De acordo com a PF, por meio da simulação de operações de pesca, os criminosos tentavam movimentar toneladas de cargas de cocaína para alto mar, de onde seriam resgatadas por embarcações estrangeiras e então levadas até países da África e Europa.

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As investigações tiveram início em outubro de 2020 e “possibilitaram identificar uma organização criminosa que se apossou de barcos de pesca industrial para transportar grandes quantias de cocaína para o exterior”.

Além da aquisição de barcos de grande autonomia e capacidade de armazenamento de carga, a PF relata que a organização contratou, em vários pontos do país, tripulações especializadas na atividade de navegação marítima para realização de longas travessias intercontinentais.

Por meio da simulação de operações de pesca, “os criminosos buscavam dissimular o carregamento e movimentação de cargas de cocaína até determinados pontos em alto mar, de onde seriam resgatadas por embarcações estrangeiras e então levadas até países da África e Europa”.

Durante pouco mais de um ano de investigação, a Polícia Federal identificou três barcos pesqueiros, além de operadores logísticos e gerentes operacionais em solo.

Abordagens

Em 3 de julho de 2021 foi a PF abordou uma embarcação na foz do rio Itajaí-Açu, a qual estava carregada com 2,8 toneladas de cocaína ocultas sob densa camada de gelo. Na oportunidade, sete tripulantes foram presos em flagrante.

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Em uma segunda fase da investigação, deflagrada em 16 de setembro e denominada operação Coroa, outros sete foram presos, “todos ligados a atividades logísticas de facilitação à operação de tráfico”.

Em 20 de julho, também já havia acontecido uma outra abordagem junto à costa da cidade de Porto Belo/SC, sendo localizados 844 quilos de cocaína no porão da embarcação, ocultos dentre as redes de pesca. Naquela oportunidade foram presas em flagrante oito pessoas.

 Embarcação monitorada

Uma terceira embarcação, também originária da frota pesqueira de Itajaí, estava sendo monitorada desde sua estada junto ao porto de Natal/RN, de onde partiu em 27 de fevereiro deste ano. Em aproximação ao litoral de Recife/PE, teria sido carregada com 2.800 quilos de cocaína e seguiu viagem rumo à costa da África. “Perseguida em alto mar, a tripulação teria dispensado as bolsas náuticas que continham a droga em alto mar, não sendo possível a apreensão da carga ilícita naquela oportunidade”, detalha.

Bolsas no ES e BA

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Posteriormente, entre os meses de maio e julho, bolsas de cocaína começaram a chegar no litoral da Bahia e Espírito Santo, onde foram sendo encontradas pela população local. Há registro de que até o momento foram arrecadadas 17 bolsas náuticas intactas, carregadas com 442 quilos de cocaína, conforme aponta a PF. Em vídeo, o superintendente da PF no Espírito Santo, Eugênio Ricas, explica que tripulantes de uma das embarcações abordadas em Santa Catarina se desfez das bolas de cocaína, jogando no mar e a maré fez com que chegassem no litoral capixaba e da Bahia.

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“As investigações apontam que, ao longo de um ano, a organização criminosa tentou exportar para os continentes africano e europeu ao menos 6,5 toneladas de cocaína. As provas que estão sendo coletadas auxiliarão na identificação dos financiadores da atividade criminosa, dentre outros eventuais participantes”, registra.

Por suas condutas, todos os investigados devem responder pelos crimes de tráfico internacional e associação para o tráfico, com penas somadas de 8 a 25 anos de prisão, além do perdimento dos bens utilizados nas ações criminosas ou adquiridos com o proveito destas.

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