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Pesquisa mostra que um a cada quatro estudantes de São Mateus está com excesso de peso

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Por Wellington Prado – Repórter

São Mateus – Uma pesquisa realizada pela enfermeira Magna Paris Magnago aponta que 23,2% de estudantes avaliados em São Mateus apresentam excesso de peso, o equivalente a aproximadamente um em cada quatro adolescentes. O estudo integra a dissertação de Mestrado em Saúde Coletiva da profissional, desenvolvida no Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes).

Segundo a enfermeira, que é a responsável técnica do Programa Saúde na Escola (PSE) de São Mateus, a pesquisa envolveu 185 estudantes, com idades entre 10 e 19 anos, das escolas estaduais Wallace Castello Dutra e Pio XII.
Intitulado Fluxo intersetorial de rastreio e referência do excesso de peso em adolescentes: articulação escola–atenção básica, o trabalho foi orientado pela professora Susana Bubach. Após aprovação da banca examinadora, a dissertação está na fase final de ajustes.

A enfermeira Magna Paris Magnago diz acreditar que o estudo realizado com adolescentes das escolas estaduais seja um dos primeiros do gênero em São Mateus. – Foto: Tatiana Milanez/TC Digital

Segundo Magna, o objetivo da pesquisa foi contribuir para a organização da linha de cuidados dos adolescentes com excesso de peso no Município. Como resultado, foi elaborado um fluxograma intersetorial que integra escolas, Programa Saúde na Escola, Estratégia Saúde da Família e Atenção Primária à Saúde, estabelecendo um fluxo organizado desde a identificação do estudante até o acompanhamento contínuo pelas equipes de saúde.

Além das entrevistas, os participantes passaram por avaliação clínica, com aferição de peso, altura, percentual de gordura corporal, circunferências do braço, da cintura e do quadril, além de pressão arterial e frequência cardíaca. O estudo também investigou hábitos de vida, como alimentação, qualidade do sono e a influência de um ambiente obesogênico.

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Resultados apontam risco precoce para doenças cardiovasculares

A coleta de dados ocorreu entre agosto e dezembro de 2025, embora o curso de Mestrado tenha sido iniciado em agosto de 2024.

“Os resultados demonstraram que aproximadamente um em cada quatro estudantes apresentava excesso de peso. Também foram identificados sinais precoces de risco cardiovascular entre esses adolescentes, reforçando a necessidade de intervenções ainda na adolescência” – destaca Magna.

Ela ressalta que os dados observados em São Mateus acompanham uma tendência registrada em diversos países.
De acordo com a enfermeira, o estudo foi além da produção de conhecimento científico e buscou solucionar um problema identificado na rotina dos serviços de saúde.

“Embora muitos adolescentes fossem identificados com excesso de peso nas escolas, nem sempre existia um fluxo organizado que garantisse a continuidade do cuidado na Atenção Primária. Após a implantação do fluxograma e da capacitação das equipes municipais de saúde, observou-se aumento na identificação e no registro de adolescentes com obesidade nos sistemas oficiais do SUS. Esse resultado não representa necessariamente um aumento da doença, mas uma maior capacidade dos serviços de reconhecer casos que antes permaneciam invisíveis, permitindo acompanhamento oportuno e melhor planejamento das ações de saúde”, explica.

Integração entre saúde e educação é essencial, afirma enfermeira

Responsável técnica do Programa Saúde na Escola (PSE) em São Mateus, Magna Paris Magnago defende uma atuação integrada entre as áreas da saúde e da educação para enfrentar o excesso de peso entre estudantes.

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“A saúde precisa conhecer e estar presente no ambiente escolar, promovendo rodas de conversa, palestras e materiais educativos para orientar sobre alimentação saudável e a composição adequada da dieta dos estudantes”, afirma.

Segundo ela, ao assumir a coordenação técnica do PSE, em fevereiro deste ano, uma das primeiras iniciativas foi reunir os diretores das escolas para fortalecer a execução do programa.

“O Programa Saúde na Escola possui 12 ações prioritárias. A prevenção da obesidade e a promoção da alimentação saudável são algumas delas, mas todas estão sendo retomadas. Estamos mantendo diálogo permanente entre saúde e educação, porque essa integração precisa acontecer”, destaca.

Ela acrescenta que os dados obtidos pela pesquisa devem servir para identificar os estudantes que necessitam de acompanhamento na rede pública de saúde.

“Esses alunos precisam ser encaminhados às unidades básicas de saúde. Mais de 80% dos casos de obesidade podem ser tratados na Atenção Primária. Apenas os casos que necessitam de atendimento especializado são encaminhados para outros serviços da rede”, explica.

Projeto prevê lei para ampliar triagem nas escolas

São Mateus – Magna informa que está em discussão a criação de uma lei municipal que torne obrigatória a aferição anual de peso e altura dos estudantes.

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A proposta, que surge dentro do Programa Saúde na Escola, prevê que professores de Educação Física realizem a avaliação antropométrica dos alunos, permitindo o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) conforme a idade. Os estudantes identificados com excesso de peso seriam encaminhados às unidades básicas de saúde para acompanhamento.

“Mais de 80% dos casos podem ser resolvidos na Atenção Primária. Quando necessário, a própria unidade básica faz o encaminhamento ao especialista” – reforça.

Entre adolescentes de baixa renda, excesso de peso chega a 32,7%

Magna Paris Magnago acredita que o levantamento realizado com estudantes da rede estadual seja um dos primeiros do gênero no Município.

Ela destaca, entretanto, que existem dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) referentes a 2024.

Segundo o sistema, foram avaliados 3.849 adolescentes beneficiários do Bolsa Família em São Mateus.

Desse total, 1.259 apresentaram excesso de peso, o equivalente a 32,72%.

“Os dados mostram uma tendência de maior prevalência do excesso de peso entre adolescentes pertencentes às classes socioeconômicas mais vulneráveis”, afirma.

PERFIL
A enfermeira Magna Paris Magnago, de 53 anos, é natural de São Mateus. Formada em Enfermagem pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), possui especializações em Atenção Primária à Saúde, Programa Saúde da Família, Pedagogia Aplicada à Enfermagem e Saúde do Trabalho. Recentemente concluiu o Mestrado em Saúde Coletiva pelo Ceunes.

A enfermeira Magna Paris Magnago apresentou o estudo recentemente em sua dissertação de Mestrado no Ceunes. – Foto: Divulgação
A enfermeira Magna Paris Magnago diz acreditar que o estudo realizado com adolescentes das escolas estaduais seja um dos primeiros do gênero em São Mateus. – Foto: Tatiana Milanez/TC Digital

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