Por Tatiana Milanez – Repórter
Jaguaré – Pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com participação de mestrandos do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), estiveram na Argentina, entre os dias 8 e 16 de agosto, para uma missão técnico-científica voltada ao estudo de políticas de Educação Especial e à formação de professores.
Durante o intercâmbio, a equipe participou de atividades na Universidade Provincial de Córdoba (UPC), além de visitar escolas e órgãos públicos ligados à educação. A proposta foi conhecer a realidade argentina e estabelecer comparações com as políticas adotadas no Brasil.
Professor da rede municipal de Jaguaré e mestrando do Ceunes, Reginaldo Lauriano Barcelos Scandian participou do intercâmbio internacional junto com o grupo de pesquisadores. Segundo ele, a viagem faz parte do projeto Políticas Inclusivas de Educação Especial e Formação de Professores em Diferentes Contextos: possibilidades, avanços, tensões e desafios, desenvolvido nos programas de pós-graduação da Ufes e contemplado pelo Edital Universal Fapes nº 13/2025.
A delegação foi coordenada pela professora doutora Denise Meyrelles de Jesus e contou ainda com a participação da professora doutora Isabel Matos Nunes, além dos mestrandos Reginaldo Lauriano Barcelos Scandian, Camila Cogo Bonomo e Aline Crispim e outros pesquisadores.
De acordo com ele, a pesquisa é desenvolvida há cerca de 15 anos. Após um período de interrupção por conta da pandemia da Covid-19, os estudos foram retomados em 2023 e têm como objetivo analisar, de forma comparativa, as políticas de Educação Especial adotadas em diferentes países.
“É uma pesquisa comparativa para a gente chegar a um denominador comum, saber como está sendo trabalhado nos outros países, como está sendo aqui e o que a gente pode tentar melhorar”, explica.
Realidades diferentes
Durante a permanência na Argentina, os pesquisadores visitaram a Secretaria Estadual de Educação Especial e a Secretaria de Gestão e Recursos Públicos. Também analisaram documentos e conversaram com representantes das instituições.
Um dos aspectos observados pela equipe foi a diferença na organização da Educação Especial nos dois países. Reginaldo explica que o Brasil possui uma política direcionada à inclusão dos estudantes no ensino regular, enquanto a Argentina mantém escolas específicas para a Educação Especial.
“A gente vai fazendo esses comparativos e vendo como é lá e como é aqui, até onde está o nosso avanço e até onde eles estão”, detalha.
Segundo o professor, o objetivo da pesquisa não é definir qual modelo é melhor, mas compreender como diferentes sistemas educacionais são organizados e quais fatores históricos, culturais e políticos influenciam essas políticas.
Os estudos também acompanham as mudanças recentes nas políticas brasileiras de Educação Especial. Os resultados da pesquisa são utilizados na produção de artigos científicos, dissertações e teses.
“A pesquisa também acompanha as mudanças recentes nas políticas brasileiras de Educação Especial”, enfatiza.
Novos intercâmbios estão previstos
A parceria entre pesquisadores brasileiros e argentinos deve continuar nos próximos meses. Entre as possibilidades está uma nova visita à Argentina, prevista para abril ou maio de 2027, além da vinda de pesquisadores argentinos ao Espírito Santo.
A intenção, segundo Reginaldo, é ampliar gradualmente o intercâmbio e criar novas frentes de pesquisa em outros países.
“A nossa ideia é ampliar gradualmente o intercâmbio e estabelecer novas frentes de estudo em outros países. Eu fui pela primeira vez, mas outras pessoas do grupo já fizeram essas pesquisas na Itália e no México” – afirma.
Formação contínua
Além de cursar mestrado em Ensino na Educação Básica, Reginaldo atua como professor e possui formação em Educação Física, Pedagogia, Serviço Social, Gestão Ambiental e Filosofia.
Para ele, a formação continuada é essencial para os profissionais da educação, principalmente diante das mudanças constantes nas demandas das escolas.
“O professor não pode parar. Ele está sempre em formação, porque as demandas mudam diariamente e a gente precisa estar sempre buscando informação” – destaca.
O mestrando ressalta também a importância do Ceunes para o desenvolvimento da educação no Norte do Espírito Santo. “A universidade consegue levar informação e, através da pesquisa, levar melhorias para todos. É um dos grandes pontapés do avanço da educação no Norte do Espírito Santo”, afirma.





