As investigações envolvendo o Banco Master mergulharam o cenário político brasileiro em uma nova crise institucional, na avaliação do coletivo Padres da Caminhada. Em nota divulgada nesta sexta-feira (11), o grupo cobra apurações imparciais sobre suspeitas envolvendo recursos públicos, integrantes dos Poderes da República e autoridades do Judiciário, além de denunciar o que considera possível uso político das investigações em pleno período eleitoral.
A manifestação ocorre após a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central e a prisão de seu proprietário, Daniel Vorcaro. Segundo o coletivo, a quebra de sigilo de inquéritos e relatórios da Polícia Federal revelou conversas e conexões do banqueiro com agentes públicos, parlamentares e integrantes do Poder Judiciário, ampliando as tensões entre as instituições brasileiras.
Na avaliação dos Padres da Caminhada, é necessário investigar rigorosamente eventuais desvios milionários de dinheiro público, mas sem distinção partidária ou ideológica.
O grupo afirma defender o princípio de que ninguém está acima da lei. Ao mesmo tempo, questiona o que considera uma possível condução parcial das investigações, com concentração das apurações em apenas um lado do espectro político enquanto acusações envolvendo integrantes do campo oposto, segundo a nota, não teriam recebido o mesmo tratamento.
A entidade pede que os fatos sejam esclarecidos e que eventuais responsáveis sejam punidos caso as ilegalidades sejam efetivamente comprovadas.
Mensagens e relações com ministros do STF entram no debate
A nota também aborda informações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, citando mensagens trocadas com Daniel Vorcaro.
O documento menciona ainda alegadas viagens em jato privado envolvendo o ministro Dias Toffoli e um diretor investigado do Banco Master, além de supostos pagamentos ao escritório do filho do ministro Nunes Marques.
Os Padres da Caminhada afirmam apoiar investigações sobre esses episódios e eventuais punições, mas ressaltam que qualquer responsabilização deve ocorrer somente depois de comprovada a existência de ilegalidade.
Para o coletivo, entretanto, a forma como documentos sigilosos foram divulgados e a cronologia dos vazamentos levantam suspeitas de utilização política das informações durante o período eleitoral.
Críticas à condução do caso por André Mendonça
Outro alvo de críticas é o ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Segundo os Padres da Caminhada, a condução processual teria deixado de observar ritos previstos no regimento interno da Corte e não teria sido submetida ao plenário. Para o coletivo, a decisão produziu efeitos que ultrapassam a esfera jurídica e alcançam diretamente o ambiente político nacional.
Na avaliação expressa na nota, o episódio estaria contribuindo para o fortalecimento de pautas da extrema-direita e afetando a credibilidade do Supremo Tribunal Federal, instituição que, segundo os religiosos, teve papel central na proteção da democracia brasileira em período recente.
O grupo também critica o afastamento e posterior reintegração do diretor da Polícia Federal, classificando o episódio como mais um elemento de tensão entre os Poderes.
Pedido de R$ 61 milhões é questionado pelo coletivo
Um dos pontos mais contundentes da manifestação é o questionamento sobre valores que, segundo a nota, teriam sido solicitados ao banqueiro Daniel Vorcaro por um candidato identificado pelo coletivo como integrante da extrema-direita.
Os Padres da Caminhada afirmam que R$ 61 milhões teriam sido solicitados para financiar o filme Dark Horse, relacionado ao pai do candidato. A nota acrescenta que denúncias apontariam para uma negociação que poderia alcançar R$ 134 milhões.
O coletivo questiona por que, em sua avaliação, não teria havido esforço equivalente para investigar a origem e o destino desses recursos.
Defesa do Estado laico
A manifestação também amplia o debate para a relação entre religião e política. Os Padres da Caminhada reafirmam que o Estado laico é, para o grupo, um dos fundamentos do Estado republicano e deve garantir a convivência entre diferentes crenças sem subordinação do poder público aos interesses de determinada religião ou grupo religioso.
A nota critica grupos religiosos classificados como radicais e afirma que determinados discursos podem esconder pretensões incompatíveis com a democracia e com a pluralidade religiosa.
O coletivo também critica a chamada bancada religiosa e faz referência à influência da chamada “teologia da prosperidade” no ambiente político brasileiro.
“Democracia brasileira tem sofrido ataques”
Na parte final do documento, os religiosos ampliam o alerta para além do caso Banco Master. Segundo o coletivo, a democracia brasileira estaria sendo pressionada por diferentes interesses, incluindo grupos financeiros internacionais e grandes empresas de tecnologia. A nota sustenta que essas forças poderiam comprometer a soberania brasileira e ampliar a influência externa sobre o país e a América Latina.
Para os Padres da Caminhada, a democracia depende da aplicação impessoal da lei, do diálogo como instrumento de resolução de conflitos e da busca pelo bem comum.
O coletivo encerra a manifestação reafirmando seu compromisso com a população brasileira e, especialmente, com os mais pobres, associando sua atuação religiosa à defesa da justiça e da paz.
A nota foi assinada pelos Padres da Caminhada e datada de 11 de setembro de 2026.






