PADRE ERNESTO ASCIONE – Vocação e missão

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Foto: Divulgação

A palavra vocação, no sentido amplo, se identifica com o ofício que cada um escolhe, conforme as necessidades da sociedade: advogado, médico, professor, funcionário público, pedreiro… No sentido específico, a vocação brota de um apelo, que vem de uma voz interior, que envolve toda a pessoa: ela se desdobra na vida matrimonial, religiosa, presbiteral, missionária e consagração laical. O homem não é o autor de sua vocação: é Deus, que toma a iniciativa. À proposta divina, o homem é chamado a dar uma resposta coerente, para a sua plena realização humana e espiritual.

Abraão, pastor de rebanho, nômade, é o protótipo dos homens “chamados”. Recebido “o chamado”, não muda de vida, mas, passa a viver de uma novo ideal, identificando-se com as esperanças de seu povo e da humanidade. Outros grandes nomes de Israel receberam chamados semelhantes: Moisés ouviu a voz de Deus, que o encarregava de uma tarefa libertadora a favor de seu povo, ao qual ele se consagrou com exemplar dedicação. Samuel, quando jovem, ouviu o chamado misterioso de Deus, que o interpelou para realizar uma tarefa, relacionada com o bem de seu povo.

Lucas narra a vocação dos primeiros discípulos: mais do que uma crônica, o evangelista escreve um texto profético, de uma profundidade e de um significado impressionante. Para instaurar o Reinado de Deus sobre a terra, Cristo decide –depois de uma longa noite de oração, sobre o monte– formar um novo povo. Rejeitado por Israel, Jesus: “Constituiu Doze –diz Marcos– para estarem com ele e para enviá-los a proclamar a Boa Nova da salvação, com a autoridade pra expulsarem os demônios”. Jesus chama e dá aos chamados a autoridade para continuar, no tempo e no espaço, a Sua missão salvífica.

O episódio da pesca milagrosa prefigura a vocação e missão de todo cristão. Jesus, está no centro: sentado, prega às multidões, desde o barco de Pedro; sem Jesus, todos os esforços para pescar são inúteis; com Jesus, a pesca fica prodigiosa; é Jesus, que chama a colaborar com Ele no trabalho do Reino. Vários barcos participaram da pescaria prodigiosa: a fé em Jesus leva a segui-Lo e servi-Lo com várias modalidades e espiritualidades.

O Concilio Vaticano II e os Sínodos dos Bispos de 1987, e, sobretudo, do último, de 2024, esclarecem que o apostolado não é uma “concessão” da hierarquia, pois o trabalho e a dedicação pastoral não é uma tarefa, reservada ao clero, aos religiosos, à hierarquia eclesiástica, mas, é competência, também, de todos quantos receberam a consagração batismal e crismal. A colegialidade do Concílio, se tornou sinodalidade, na Igreja de hoje.
E, sinodalidade é participar ativamente ao apostolado pela comum condição cristã de batizados em Cristo e do sacramento da Confirmação. Jesus diz a todos: “Remem mar adentro e lancem as redes para pescar”, isto é, vão para o mundo inteiro e anunciem a Boa Nova da salvação a todos os homens. Todo cristão, sincero discípulo de Cristo, é chamado a ser “discípulo-missionário”, pois “o mundo atual – diz Papa Leão XIV – necessita de um suplemento de alma”.
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(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

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