Uma das figuras centrais do Advento é João Batista. Como “a estrela da manhã” anuncia o nascer do sol, assim, João Batista precede Jesus, “o Sol nascente, que nos veio visitar”. “Sobre Ele, –segundo a profecia de Isaias–, pousa o Espírito do Senhor, Espírito de sabedoria e de inteligência, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito da ciência e do temor de Deus”. “Arrependei-vos, pois está próximo o Reino dos céus” – pregava o austero profeta do deserto.
Sua missão: chamar o povo de Israel para o arrependimento, anunciando, com palavras exigentes, a vinda iminente do Messias. “O machado já está posto à raiz da árvore: toda árvore que não der frutos será cortada e lançada ao fogo”. Contestava, sobretudo, a hipocrisia de quem se julgava “já salvo”, só pelo fato de pertencer à raça de Abraão, pois, diante de Deus –ele dizia– ninguém tem títulos para se vangloriar, nem méritos para cobrar, pois a única condição de salvação é “dar frutos dignos de arrependimento”.
João Batista, à semelhança dos antigos profetas, vestia-se rudemente, sua alimentação era austera e seu estilo de vida, desprendido, casto e simples. Profeta autêntico, homem carismático, verdadeiro enviado de Deus, ele foi o primeiro a viver a mensagem de conversão que ele mesmo proclamava. O mais alto elogio Jesus teceu dele, dizendo aos enviados de João Batista: “Ele é o maior entre os nascidos de mulher!”. Contudo, por estar dentro dos limites da Antiga Aliança e não ter ultrapassado o limiar do Novo, “o menor no Reino de Deus é maior do que ele”.
A missão, confiada-lhe, foi a mais sublime que possa ser dada a um mortal: testemunhar Cristo e irradiar Sua Palavra “para que todos, crendo nEle, se salvassem”. O povo humilde acorria a ele, de toda parte. Confessavam seus pecados; recebiam o batismo, anúncio e preparação do batismo, no Espírito Santo e no fogo, que iria dar o próprio Messias, Jesus Cristo. Perante ele, o Batista não se sentia “digno nem de desatar as correias de Suas sandálias”.
Conversão, biblicamente falando, é dom e conquista. Mudança de vida, interior e exterior, de mentalidade como de atitudes. Ela é dinâmica e abrangente. Uma vez iniciada, continua crescendo e se aperfeiçoando ao longo de nossa vida, procurando atingir, em profundidade, todos os aspectos da vida humana, dos mais íntimos até os mais públicos. A conversão tem duas vertentes: renúncia aos ídolos do ter, poder, saber e prazer, e confessar que Jesus é o único Senhor e Salvador de nossa vida e da vida do mundo, e integrar Sua comunidade.
João, o Gigante do Advento, não reteve as pessoas para si, mas as conduziu até Cristo. Reconheceu que ele devia diminuir e o Messias crescer. Nós, também, herdeiros de sua missão, somos chamados a fazer o mesmo: apontar Cristo aos homens de hoje, proclamando: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”, ou, como Pedro, no dia de Pentecostes, na praça de Jerusalém: “Não tem outro nome, no qual o homem possa ser salvo”.
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(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

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