Fruto visível e mais bonito da Ressurreição é a comunidade cristã. Lucas a descreve, com rápidas pinceladas, nos Atos dos Apóstolos: “Eram assíduos na escuta do ensino dos Apóstolos, na união fraterna, na fração do pão e nas orações. Tinham um só coração e uma só alma; ninguém dizia que era sua propriedade o que lhe pertencia; tudo era colocado em comum; ninguém entre eles passava necessidade”. Desde então, a comunidade é algo de essencial no itinerário cristão. Até mesmo, no mundo contemporâneo, é apreciado o espírito comunitário, pois gera amizade, irmandade, partilha e corresponsabilidade. A Igreja universal, como a local, e os vários grupos e movimentos de vida espiritual, que a compõem, têm como eixo principal a comunhão de fé, de amor e de vida, pela presença do Cristo Ressuscitado no meio deles: presença, que experimentamos, de modo particular, todos os domingos, na celebração da Eucaristia.
A comunhão com o Corpo e Sangue de Cristo nos dá a força necessária para sermos seus autênticos discípulos, perante um mundo, tantas vezes, descrente e indiferente, que prioriza mais o ter, o poder e o aparecer, do que o ser. A saudação de despedida, no final da Missa, do ministro, recorda aos fiéis que, a partir de agora, começa a missão deles: irradiar no mundo a Boa Nova do Evangelho, pelo testemunho de sua fé, que se transforma em dedicação e serviço, amoroso e desprendido, a favor dos outros, a começar por aqueles, que estão mais próximos de nós, e que se estende a todos os homens, sobretudo, aos mais vulneráveis. A celebração da Eucaristia, de fato, tem por finalidade fomentar uma fé viva e pujante, solidária e libertadora, sensível aos sofrimentos e esperanças do homem de hoje.
O apóstolo Tomé – homem inquieto e titubante – presente no Evangelho de hoje, representa bem o homem moderno, que anda em busca das “razões de sua esperança”: considerado o teólogo do grupo dos Doze, procurava aprofundar as questões e ir às causas dos fatos. Não contente de certezas pré-fabricadas pelos outros, considerava melhor a dúvida autêntica do que a segurança cômoda e as respostas tranquilizantes, que dispensavam percorrer o caminho pessoal, árduo e difícil, do discernimento. Preferia correr o risco da incompreensão e, até mesmo, de um certo atraso em relação ao grupo de seus companheiros, contanto que caminhasse com as próprias pernas e chegasse à maturidade de uma profissão de fé madura, coerente e convicta. O evangelista João não esconde sua simpatia por este Apóstolo, talvez por considerá-lo como modelo das pessoas, que, embora buscando, com retidão e abertura, o aprofundamento às próprias dúvidas, passam por crises em seu itinerário de fé.
Encontrou em Cristo, Crucificado-Ressuscitado, o princípio fundamental de seu viver e de seu morrer, assim, os Santos, como, João Paulo II, que escolheu, como Ideal de sua vida, desde sua juventude, ser todo e só de Cristo: “Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia” (Sou todo Teu e tudo o que possuo é Teu. Tomo a Ti, como minha única riqueza).
__
(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)


