quarta-feira, abril 15, 2026
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PADRE ERNESTO ASCIONE – Domingo da Divina Misericórdia

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No Jubileu do Ano 2000, Papa João Paulo II estabeleceu: “O Domingo depois da Páscoa, seja o Domingo da Divina Misericórdia”. Núcleo da mensagem evangélica é, de fato, a misericórdia: nome do próprio Deus, rosto com o qual Ele se revela na Antiga Aliança e, plenamente, em Jesus Cristo. Este amor de misericórdia ilumina, também, a face da Igreja: manifesta-se nos sacramentos, sobretudo, no sacramento da reconciliação, nas obras de misericórdia espirituais e materiais, na sua doutrina e leis canônicas, nas suas celebrações e festas, como, nos seus Santos. Tudo o que a Igreja diz e faz revela, de fato, a misericórdia divina, a fim do homem ter “vida e vida em abundância”. Pacificando o coração, a misericórdia divina faz nascer um mundo novo, o Reino, onde impera a justiça, a fraternidade e a paz, envolvendo, neste dinamismo, povos, culturas e religiões.

“Convertei-vos e crede no Evangelho”: com esta Sua primeira exortação, Cristo apela para os homens tomarem a firme decisão de amar a Deus, sem reservas, e, em Deus, os outros. Priorizar o amor a Deus em nossa vida muda radicalmente o nosso comportamento, para com o próximo, tornando-nos misericordiosos. “Misericórdia” – palavra dulcíssima e constante nas Sagradas Escrituras – resume toda a história salvífica, que culmina em Jesus Cristo, imagem perfeita do Pai e espelho luminoso de Seu rosto divino. Três termos a definem: “Éleos”, – ter piedade –, raiz da palavra “esmola”; do “kyrie eleyson” da Missa; das “Bem-aventuranças”; do Sermão da Montanha e das parábolas. “Splanchnón”: o amor, que se faz “âgape”; se doa, sem nada exigir e faz seus os sofrimentos dos outros. “Oiktirmós”: o amor, que se solidariza com os últimos, tornando-se uma só coisa com eles, participando de suas lutas, para vencer toda espécie de injustiça, emarginação e exclusão.

A misericórdia parte, sempre, de Deus: é Ele, de fato, que envia o Seu Filho, Jesus Cristo, que se faz último dos últimos. O perdão divino é tão grande, que nos abre as portas do paraíso, fazendo-nos renascer como filhos de Deus e herdeiros de Seu reinado. À Igreja, Jesus ressuscitado, na noite da Páscoa, além de partilhar Seu Espírito, Sua autoridade, Seu magistério e Sua missão, também, lhe confia o poder de perdoar os pecados: “Recebam – Ele disse – o Espírito Santo: os pecados, que perdoarem serão perdoados; os que não perdoardes serão retidos”. “Somos embaixadores de Cristo; é Deus mesmo, que exorta por nosso intermédio” – finaliza Paulo.

Sublime herança de Cristo à Sua Igreja! A misericórdia, institucionalizada, por Cristo, mediante o sacramento da Reconciliação, tem por finalidade ajudar os homens a viver uma vida pacífica, sóbria e santa, conforme o estilo de vida de Jesus Cristo, de Seus primeiros discípulos e de Seus Santos: carregar a cruz, todos os dias, renunciar a si mesmo e ir atrás de Cristo exige um constante esforço, sempre custoso, mas, altamente proveitoso, para o nosso crescimento humano e espiritual, pois doa liberdade e felicidade. “Fora da misericórdia divina –afirma Papa João Paulo II– não há qualquer outra fonte de esperança para os seres humanos”.

(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

 

Foto do destaque: TC Digital/Arquivo

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