Padre Ernesto Ascione
“A Europa é o continente mais difícil para proclamar o Evangelho –observou Papa Leão XIV– por prevalecer nele violências e exclusões, cujos ruídos chegam até os confins mais distantes da Terra”. Em resposta a este desafio, foi assinada a “Charta Oecumenica”, no dia 5 de novembro, na Igreja do Martírio do Apóstolo Paulo, junto à “Abbazia delle Tre Fontane”, em Roma, pelo arcebispo de Vilnius (Lituânia), Gintaras Grusas, presidente das Conferências Episcopais da Europa, e do arcebispo greco-ortodoxo do patriarcado de Constantinopla, Nikita Loulias, presidente das Igrejas Ortodoxas europeias. Esta “Charta”, lançada pelos 1.700 anos do aniversário do Concílio de Niceia, quer ser uma pedra miliar no caminho do diálogo sincero, compreensão recíproca e unidade fraterna, que as duas Igrejas, Católica e Ortodoxa, são chamadas a testemunhar perante um mundo que parece refratário, senão hostil, à mensagem evangélica.
Fruto de um grande esforço sinodal, a “Charta” foi elaborada no intuito de construir uma visão comum perante os desafios que afligem os cristãos no mundo de hoje. “O Papa nos encorajou –disse dom Gintaras Grusas– a prosseguir no caminho iniciado e sublinhou a importância de testemunhar juntos –numa Europa cada vez mais secularizada– a centralidade da Palavra de Deus, em nossa vida pessoal, comunitária e social. O trabalho ecumênico –por sua natureza, em contínua evolução– não está restrito apenas ao respeito das legítimas diferenças de cada comunidade de fé, mas é juntar esforços para enfrentar, com valentia, os desafios que nos esperam, definindo prioridades que o Velho Continente é chamado a dar, a fim de promover o bem da Europa e da própria humanidade”.
Eis o compromisso assumido: “Em um mundo persignado por guerras, injustiças e desumanidade, promover iniciativas de reconciliação e de desarmo dos corações, antes de invocar o silêncio das armas. Dar atenção aos migrantes, aos refugiados, aos desempregados, aos jovens, como às novas tecnologias. Denunciar as injustiças e os abusos econômicos, que se cometem contra as categorias mais vulneráveis da nossa sociedade, como as políticas que negam a dignidade da pessoa humana, incentivam racismo e proselitismo, e recorrem à violência para resolver os conflitos entre os povos. Acolher o estrangeiro, o órfão e a viúva é o núcleo não só do Evangelho, mas de uma vida verdadeiramente humana” – afirma o documento.
A “Charta” faz, também, suas as preocupações do papa Francisco, expressas na “Laudato Si”: “Como o jardineiro cuida de seu jardim, assim, somos chamados a zelar pela Casa Comum, que Deus nos confiou”. “Como Igreja – finalizou Dom Grusas– somos chamados à responsabilidade ecológica: escrevemos, por isso, uma carta aos governantes em vista da COP30, da ONU, sobre o clima –que se realiza em Belém (Pará), Brasil, de 10 a 21 de novembro– para que intensifiquem os esforços para a salvaguarda da obra da criação. Cuidar da natureza é, de fato, nosso dever moral, pois ela é um dom maravilhoso de Deus, a defender e preservar, pela nossa própria sobrevivência. Oremos para que os nossos governantes sejam sábios e encontrem caminhos certos para um futuro feliz da Humanidade”.
(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)
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