Jubileu 2025

Aproximando-se a meta dos primeiros 25 anos do século XXI, Papa Francisco, em 9 de maio passado, proclamou o Jubileu 2025: seu início está marcado no dia 24 de dezembro próximo. Desde que Papa Bonifácio VIII instituiu, em 1300, o primeiro Ano Santo, o povo de Deus viveu esta celebração como um dom especial da misericórdia divina. Etapa significativa de preparação para este Jubileu foi o “Ano Santo da Misericórdia”, celebrado em 2015, em que a Igreja experimentou toda a força e a ternura do amor misericordioso do Pai celeste.
O Jubileu celebra, também, os 1.700 anos do Concílio de Niceia (325). Nos primeiros 3 séculos, a Igreja sofreu uma violenta perseguição pelo Império Romano. Só no ano 313, com o “Edito de Milão”, o Imperador Constantino concedeu à Igreja a tão desejada liberdade. Saída das catacumbas, a Igreja sentiu a necessidade de elaborar um “Credo”, que resumisse a sua fé, ameaçada por mais de 10 heresias, que pipocaram depois das perseguições: a maior delas foi a do arianismo, que negava a divindade de Cristo. “Jesus é consubstancial (homoousios) ao Pai, pois Ele tem a sua mesma essência (ousia)” – afirmou o Concílio de Niceia, que escolheu, também, a data da Páscoa, conforme o calendário juliano.
A cada 50 anos, o povo de Israel celebrava o “Ano Jubilar”, em que os escravos “eram libertados, as dívidas perdoadas e as terras devolvidas aos antigos proprietários”. A Igreja assumiu este evento, determinando sua celebração de 25 em 25 anos. Tema deste Ano Jubilar: “Peregrinos da Esperança”: “Em nosso mundo conturbado – escreve Papa Francisco, na Bula de convocação – a Igreja é chamada: a ser sinal e instrumento de reconcilição das diferenças entre povos, culturas e crenças; a promover, em suas comunidades, o espírito sinodal, de comunhão e participação; a tomar o lado dos pobres e marginalizados e a cuidar, enfim, da Casa comum”.
Em preparação deste evento, Papa Francisco exorta as comunidades cristãs, a refletir sobre os 4 documentos mais importantes do Concílio: “Lumen Gentium”, que definiu a Igreja “Povo de Deus”, cuja missão é difundir no mundo o Reinado de Deus; “Dei Verbum”, as Sagradas Escrituras – Tradição Oral-apostólica, colocada por escrito – constituição do novo povo de Deus; “Sacrosanctum Concilium”, sobre a liturgia, em que a Igreja pede uma participação consciente, ativa e plena no mistério de Cristo e de sua salvação. Enfim, “Gaudium et Spes”: interpela os cristãos a fazer suas ”as alegrias e esperanças, os sofrimentos e angústias do homem de hoje”.
“A oração é o melhor caminho – afirma Francisco – para alimentar a esperança de um mundo novo, mais justo e fraterno, e de uma Igreja renovada, na fé e na caridade: todo o santo povo de Deus é chamado a intensificar sua oração para fazer brilhar a chama da esperança, com que o Jubileu 2025 pretende acalentar o mundo de hoje”. O Papa finaliza a Bula, com esta bonita expressão: “Me alegra pensar que este ano, 2024, que antecede o Jubileu, seja um ano dedicado a uma sinfonia de orações pelo felix êxito deste evento”.
___
(Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here