A maioria dos cristãos não conhece suficientemente o Espírito Santo: “o grande desconhecido, até mesmo esquecido, quando não ausente, na vida cristã” (Papa Francisco). Sucede, hoje, o que os Atos referem de Paulo: ao chegar em Éfeso, perguntou aos cristãos daquela comunidade, se, ao abraçarem a fé, não tinham recebido, também, o Espírito Santo. A resposta não podia ser mais desoladora: “Nem sequer ouvimos falar dele!”. Em nossos dias, a partir do Concílio, assistimos, com alegria, ao redescobrimento do Espírito Santo e de sua ação, na vida da Igreja e da humanidade.

O Espírito Santo –“Ruah” (em hebraico) e “Pneuma”, (em greco)– aparece em ação em toda a Revelação bíblica, do Antigo e Novo Testamento. A narração da Criação revela: “Um vendaval impetuoso pairava sobre o caos primordial e o caos se tornou cosmos”. E, na criação do ser humano: “O Senhor Deus formou o homem do pó da terra; soprou nas narinas o hálito de vida e o boneco de barro se tornou um ser vivente”. Juízes, reis, profetas, sacerdotes –ungidos com o óleo sagrado – prefiguraram o “Ungido por excelência”, Jesus Cristo, sobre o qual iria pousar e permanecer o Espírito Santo para realizar sua missão salvadora.
Na Bíblia, não encontramos uma definição do Espírito Santo: pertence ao magistério da Igreja. Dom do Ressuscitado aos seus, sua presença é retratada por imagens: água viva, que apaga nossa sede de verdade e de bem; sopro de vida, com que o Ressuscitado faz dos Apóstolos, corajosos arautos do Evangelho; vento, fogo, línguas, sinais de sua presença, em Pentecostes, manifestando-se na Igreja e operando por ela; defensor, advogado, consolador dos discípulos, no seu itinerário terreno, feito de perseguições e incompreensões, alegrias e esperanças; dons, carismas, serviços e funções dentro e fora da Igreja.
É a hora do Espírito! Por meio dele, todo ser humano é regenerado e elevado à altíssima dignidade de filho de Deus e herdeiro de seu Reino; a construtor de um mundo mais justo e fraterno; a membro do Corpo, de que Cristo é a cabeça; a templo, em que habita a Santíssima Trindade e a artesão de unidade e paz na história humana. Sua função permanente é o rejuvenescimento da Igreja e implementar um contínuo progresso material, cultural e espiritual dos povos. O sopro do Espírito Santo é perceptível, no desejo das nações de formarem uma só família e dos cristãos, na busca da unidade, na diversidade; enfim, na sensibilidade dos povos em cuidar da Casa comum.
A própria sobrevivência multissecular da Igreja –obra de Deus nas mãos humanas– é um testemunho da presença do Espírito Santo nela e do cumprimento da promessa de Jesus: “Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” e “as portas do Inferno não prevalecerão”. Tudo isso não é triunfalismo superficial e vazio, mas, confissão agradecida, pela constante assistência de Jesus Cristo e de seu Espírito à Igreja, na sua difícil peregrinação, ao longo dos tempos. Por isso, confessamos, hoje, com alegria: “Creio no Espírito Santo, Senhor e doador da vida”.

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(Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

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