segunda-feira, fevereiro 9, 2026
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Operação apreende adolescente no ES suspeito de integrar organização criminosa digital

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A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) deflagrou, na manhã dessa quarta-feira (04), a Operação Desconectado, com objetivo de desarticular o núcleo de uma organização criminosa digital dedicada à prática de tortura contra animais, produção e difusão de pornografia infantojuvenil, apologia ao nazismo e induzimento sistemático à automutilação e ao suicídio. Um adolescente de 16 anos foi apreendido em Serra.

“As investigações apuram a prática de atos infracionais cometidos em plataformas digitais, especialmente no aplicativo Discord, com vítimas em diversas unidades da Federação. Segundo apurado, os envolvidos utilizavam ambientes virtuais para incentivar e transmitir condutas violentas, incluindo maus-tratos e tortura contra animais, além de estimular a automutilação, sobretudo entre crianças e adolescentes” – sustenta a Polícia Civil.

Durante buscas na residência do investigado, foram apreendidos computadores, aparelhos celulares e dispositivos de armazenamento de dados, que serão submetidos à perícia técnica para aprofundamento das investigações e identificação de outros possíveis envolvidos.

Teatro de horror

De acordo com adjunto da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, delegado Tarsis Gondim, as investigações revelaram um cenário descrito nos autos como um teatro do horror, com o grupo utilizando plataformas de comunicação como Discord e Telegram para transmitir ao vivo sessões de sadismo.

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Crueldade

“Foi constatado que a organização tratava a crueldade contra animais como forma de entretenimento. Os envolvidos, sob comando do adolescente apreendido, realizavam chamadas de vídeo onde mutilavam e matavam animais domésticos, enquanto espectadores incentivavam os atos” – explica o delegado.

Abuso sexual infantil 

A Polícia Civil relata que a suposta organização atuava na distribuição massiva de material de abuso sexual infantil (Child Sexual Abuse Material) e utilizava esses conteúdos, bem como ameaças de vazamento de dados (doxing), para coagir outras vítimas, em sua maioria crianças e adolescente, a se submeterem a rituais de degradação física e psicológica transmitidos em tempo real.

Operação urgente

A operação foi deflagrada com urgência devido à descoberta, pela inteligência policial, de que o líder do grupo articulava a reativação do jogo Baleia Azul, uma sequência de 50 desafios que induzem progressivamente à automutilação e culminam, obrigatoriamente, no suicídio da vítima.

“A apreensão do adolescente foi fundamental para interromper um risco iminente e letal a jovens em todo o território nacional.

O procedimento tramita sob segredo de justiça. Em razão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Polícia Civil não divulga informações que possam levar à identificação do adolescente, ressaltando que as ações visam à proteção das vítimas e à repressão de crimes praticados no ambiente virtual” – acrescenta.

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Foto: PCES/Divulgação

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