Por Eduardo Laguna – Estadão Conteúdo
Dez anos após o Acordo de Paris, há sinais de progresso no combate ao aquecimento global, com países estabelecendo, como nunca antes, metas mais ambiciosas e planos para alcançá-las dentro de seus compromissos frente às mudanças climáticas, as chamadas NDCs, na sigla em inglês. O quadro é retratado por um relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) às vésperas da COP30, a conferência das mudanças climáticas que acontecerá, em Belém (PA), entre os dias 10 e 21 de novembro.
“Portanto, embora a direção da jornada esteja melhorando a cada ano, temos uma séria necessidade de aumentar a velocidade e de ajudar mais países a tomarem medidas climáticas mais fortes”, comentou Stiell.
As emissões, após a implementação das novas NDCs devem ficar, em 2035, 6% abaixo do nível projetado para 2030, e 17% abaixo do nível de 2019, ano de referência ao cálculo de corte de emissões As metas climáticas, conforme o relatório, indicam que o combate ao aquecimento global se tornou um pilar cada vez mais central na estabilidade e crescimento econômico dos países.
A ONU avalia que as novas NDCs, que cobrem cerca de 30% das emissões globais, mostram uma evolução em termos de qualidade, credibilidade e cobertura econômica, sendo que 89% dos países estabelecem metas ligadas à economia. Há um entendimento de que as etapas em direção à neutralidade nas emissões estão claras. No entanto, reforça a ONU, acelerar consideravelmente os cortes de emissões ainda é necessário.
Todas as novas metas, observa as Nações Unidas, vão além da mitigação – ou seja, das medidas para conter as emissões -, incluindo também planos de adaptação dos países aos eventos extremos do clima, financiamento e transferência de tecnologia. Nesse sentido, objetivos de resiliência, previstos em 73% das novas NDCs, estão ganhando mais destaque, pontua a ONU.
A organização multilateral frisa ainda que a implementação dos novos compromissos demanda forte cooperação internacional, assim como abordagens novas e inovadoras para destravar o financiamento e o apoio em grande escala aos países em desenvolvimento.







