MATHEUS MOREIRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As manchas de óleo que atingem praias do nordeste desde 30 de agosto, ainda de origem desconhecida, chegaram na quarta-feira (16) à praia de Maragogi, no litoral norte de Alagoas. Até o momento, 25 locais no estado foram afetados.

Alagoas foi o quarto estado no Nordeste a ser atingido pelo óleo. A primeira praia afetada na região, em 7 de setembro, foi a de Japaratinga, que voltou a ser atingida por manchas em dois pontos diferentes também nesta quarta-feira, segundo informações do Ibama.

No município de Japaratinga fica a APA (Área de Proteção Ambiental) Costa dos Corais, a maior unidade de conservação marinha do país. Por isso, 180 fuzileiros e um navio com mergulhadores devem trabalhar para verificar se houve impacto nos recifes de corais.

O governo de Alagoas enviou para a região kits com equipamentos de proteção individual como máscaras, luvas, peneiras e botas a serem distribuídos para os voluntários.

“O diretor-presidente do IMA [Instituto do Meio Ambiente de Alagoas] e o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos informaram que homens da Defesa Civil Estadual, reeducandos do sistema prisional e servidores de todas as secretarias de Estado vão se juntar aos municípios do Litoral Norte no trabalho de limpeza das praias. Serão disponibilizadas, também, caçambas e retroescavadeiras”, diz a nota do instituto.

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Ainda na quarta, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobrevoou ao lado do vice-governador, Luciano Barbosa (MDB), o litoral norte de Alagoas para conferir o estado das praias afetadas. Durante a noite, voluntários participaram de um mutirão para remover o óleo da praia.

Até o momento, não se sabe de quem é a responsabilidade pelo surgimento do óleo, mas, segundo análises do material encontrado nas praias do litoral nordestino, o petróleo é de origem venezuelana, o que não quer dizer que a responsabilidade pela crise ambiental seja do governo da Venezuela.

Pesquisadores especializados em dinâmica de correntes marítimas fizeram simulações de computador e chegaram a resultados que indicam que a origem das manchas de óleo nas praias do Nordeste está no alto-mar, a pelo menos 400 km da costa.

Em nota, a Marinha aponta que já foram empregados 1.583 militares, cinco navios e uma aeronave na contenção, neutralização e investigação das manchas de óleo.

Pelo menos 30 navios-tanque de dez países diferentes serão notificados para prestarem esclarecimentos. “A Marinha entrará em contato com as autoridades competentes dos países dessas bandeiras, com a Organização Marítima Internacional e com a Polícia Federal, visando elucidar todos os fatos”.

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O Ibama requisitou apoio a Petrobras para a limpeza das praias. A estatal é a responsável por contratar pessoas entre agentes comunitários e cidadãos locais para receberem treinamento e auxiliarem na limpeza dos locais atingidos. Não há, ainda, informações sobre o número de pessoas envolvidas nas ações.

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