terça-feira, abril 14, 2026
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“O tempo pode salvar uma vida”, alerta mãe de criança morta por febre maculosa no Norte do Estado

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Por
Tatiana Milanez
Repórter
Boa Esperança – “O carrapato transmissor da febre maculosa [carrapato-estrela] nem sempre é visto. Às vezes, ele fica pouco tempo no corpo e cai sozinho. Não ignorem sintomas como febre, manchas, dor, não ignorem. Se algo parecer estranho, insistam e investiguem. O tempo pode salvar uma vida”. O alerta é da mãe de uma criança de 2 anos e 4 meses, moradora de Boa Esperança, que teve a morte confirmada por febre maculosa neste ano.
De acordo com a mãe da vítima, que pediu para não ter o nome divulgado, os sintomas na filha começaram com um mal-estar e febre baixa. “Começou de forma simples. Algo que parecia comum, como acontece com qualquer criança. No início, era apenas uma febre baixa. Dei medicação esperando que passasse, mas não passou, só aumentava” – afirma.
Segundo ela, quando o termômetro marcou 39,6°C, a criança foi levada ao Hospital Cristo Rei, em Boa Esperança, onde foi medicada. A suspeita da equipe plantonista era que poderia ser dengue. “A febre baixou naquele momento e voltamos para casa com orientação de fazer exames no dia seguinte, mas no outro dia, a febre voltou forte, novamente 39,6°C. Voltamos ao hospital, já com os exames. Era uma sexta-feira à noite e ela já estava com manchas pelo corpo e o médico resolveu internar” – detalha.
Muito emocionada, disse que a filha permaneceu internada no hospital em Boa Esperança até o domingo, com sensação de melhora por conta da ausência de febre em alguns momentos.
Um dos sintomas visíveis da febre maculosa são manchas avermelhadas pelo corpo, confirme explica profissional da Secretaria Estadual da Saúde. Foto Ministério da Saúde/Divulgação

Sintomas se agravaram no terceiro dia de internação

Boa Esperança – A mãe detalha que, com o agravamento do estado de saúde no terceiro dia de internação, a criança foi transferida para o Hospital São Marcos, em Nova Venécia, que possui uma estrutura melhor. “Em Nova Venécia tudo piorou. Outros sintomas apareceram, por exemplo, fortes dores na barriga. Novos exames mostraram infecção urinária, anemia e início de pneumonia. O corpo já estava inchado e os [resultados dos] exames cada vez mais alterados” – recorda.
Conforme relata, numa terça-feira, cinco dias após a primeira internação, a filha foi transferida para o Hospital Roberto Arnizaut Silvares, em São Mateus. “Nesse momento ela já não respondia, não conseguia falar. Os médicos não conseguiam entender o que estava acontecendo. Era um quadro grave, sem respostas. No dia seguinte, foi levada para o Hospital Infantil em Vitória. Chegando lá, precisaram entubar imediatamente. O estado de saúde dela já era extremamente grave e, aos poucos, os órgãos foram parando” – afirma.
Segundo a mãe, todo o processo, desde os primeiros sintomas até o falecimento da filha durou uma semana. Ela detalha que o diagnóstico de febre maculosa saiu sete dias após a morte da criança. “É uma doença silenciosa, que pode enganar até quando a febre desaparece. Nem toda febre é simples. A febre maculosa pode começar leve, até desaparecer, e mesmo assim a doença continua avançando” – frisa.
“É tão ruim voltar a lembrar de tudo, mas espero poder salvar vidas com o meu relato” – complementa.

Orientações e prevenção

São Mateus – O jornal Tribuna do Cricaré publicou na edição desta quarta-feira (18), Reportagem com alerta sobre a febre maculosa no Espírito Santo. Neste ano, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), três casos já foram confirmados, com um óbito, o da criança de Boa Esperança.
A Reportagem apresenta ainda uma entrevista com o subsecretario de Vigilância à Saúde do Espírito Santo, Orlei Amaral Cardoso, explicando os sintomas mais comuns da febre maculosa, que são os seguintes: febre alta repentina, dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas e manchas pelo corpo, principalmente nas mãos e nos pés.
Ele também alertou para as principais medidas de prevenção, como utilizar roupas claras, de manga longa e calças ao frequentar áreas de risco; usar botas fechadas e vedar possíveis entradas que possam servir para o acesso de carrapatos nas roupas; aplicar repelentes; fazer inspeção no corpo a cada hora para identificar e remover carrapatos; retirar o aracnídeo com pinça, evitando contato direto com as mãos; ao retornar para casa, deixar as roupas fora do ambiente interno e higienizá-las com água quente ou armazená-las em sacos para congelamento.

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