Nascida na Sexta Feira Santa, na morte redentora de Cristo, a Igreja se manifesta em Pentecostes, com a efusão do Espírito Santo: os Apóstolos, movidos por esta força interior, levam até os confins mais distantes da Terra a Boa Nova da salvação. Pedro proclama, no dia de Pentecostes: “Em nenhum outro nome, o homem pode ser salvo” e começa a exercer a sua autoridade: mais de três mil pessoas recebem o batismo; Matias é integrado no grupo dos Doze; Ananias e Safira são castigados; são instituídos sete diáconos; o próprio Pedro sofre dura prisão. Começa a comunidade cristã a dar os primeiros passos. Um mundo novo nasce: “Olha como eles se amam!” – exclamavam, admirados, os pagãos, pelo testemunho dos primeiros cristãos. Estevão e Tiago, o Maior, sofrem o martírio; Cornélio e o etíope, Filipe, são batizados.
Pelo ano 34, no caminho de Damasco, Saulo, líder judeu e fanático perseguidor da Igreja nascente, se converte ao cristianismo. Assume o nome de Paulo, fundar a teologia cristã e se torna “o Apóstolo dos Gentios”. Realiza três viagens missionárias. Injustiçado, apela a César, em Roma, por ser cidadão romano. O Evangelho difunde-se por contágio. Os mártires, com o seu sangue, tornam-se “sementes de novos cristãos” (Tertuliano). Em Jerusalém, no ano 49, é celebrado o primeiro Concílio. É elaborado o primeiro catecismo da Igreja: a Didaké.
Nas comunidades cristãs são celebrados os sete sacramentos: o catecumenato –período de preparação ao batismo– durava três anos, e o batismo era dado uma vez por ano, na noite do Sábado Santo, com a participação festiva de toda a comunidade cristã. É professado o “Credo Apostólico” e inicia o Ano litúrgico, ritmado pelo “domingo”, tendo como centro a celebração da Eucaristia. Pedro e Paulo se estabelecem em Roma, capital do Império e, no ano 64, sofreram o martírio. A sucessão de Pedro, como a dos Apóstolos, o magistério eclesiástico, o Direito canônico e a Doutrina Social da Igreja começam a se afirmar. Papa Clemente escreve duas cartas à comunidade de Corinto em ebulição
No final dos anos 60, Marcos inicia o gênero literário, chamado Evangelho, resumo da pregação de Pedro; nos anos 70, Mateus, para os cristãos-judeus; nos anos 80, Lucas, a catequese de Paulo, e os Atos; João, o Evangelho e o Apocalipse; Paulo, 14 cartas; uma, Tiago o Menor; duas, Pedro; três, João, e uma, Judas Tadeu. Pela primeira vez na história é praticada a objeção de consciência. São Justino, mártir, é o primeiro filósofo e apologeta cristão. Nas catacumbas, aparecem as imagens de Cristo, “Bom Pastor”, e da Virgem Maria, com seu Filho no regaço.
É cantado o primeiro hino mariano: “Sub tuum proesidium, confúgimos, Sancta Dei Genitrix” (Sob a tua proteção, confiantes, recorremos, Santa Mãe de Deus). Nas montanhas e no deserto se instalam anacoretas e ermitães. O matrimônio, a virgindade e o trabalho são santificados. A Igreja começa a caminhar “entre as alegrias de Deus e as perseguições dos homens”: novos valores e uma nova civilização começam a fermentar na estrutura escravagista do Império Romano.
(Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)
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