quarta-feira, abril 15, 2026
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“O DESAFIO É TODO DIA!”: Salário inicial de professores melhorou, mas há desafios, aponta Haroldo Rocha

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Por
Claudio Caterinque
Repórter

O salário inicial dos professores das redes estaduais no Brasil melhorou, mas há desafios no desenho das carreiras do magistério, conforme observa o coordenador geral do Movimento Profissão Docente, Haroldo Rocha. Ele apresentou para a Rede TC de Comunicações um novo estudo elaborado pela entidade que mostra que o salário inicial médio dos professores, em 2025, foi de R$ 6.212,36 para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais.

De acordo com o estudo, a média salarial em 2025 representa um crescimento de 6,22% em relação a 2024. O valor, de R$ 6.212,36, corresponde a 4,09 salários-mínimos e é 28% maior que o piso do magistério de 2025 –R$ 4.867,77. O estudo mostra ainda que, entre 2009 e 2025, o piso do magistério teve um aumento de 412,4%, bem acima da inflação acumulada do período, que foi de 144,1%, o que gerou um ganho real expressivo para os professores.

 

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Coordenador Geral do Movimento Profissão Docente, o economista Haroldo Rocha já foi secretário de Educação no Espírito Santo em duas oportunidades, foi presidente do Bandes e pró-reitor de administração da Ufes. -Foto: Divulgação

Segundo Haroldo Rocha, o salário está melhorando, mas as carreiras não estimulam a melhoria das práticas de ensino e o desenvolvimento profissional docente. “A remuneração e a carreira do professor são políticas importantes para melhorar a qualidade da educação. E como o Brasil é muito grande, tem regiões muito diferentes, a gente faz esse estudo olhando para todos os estados, como é a carreira de cada um, quanto paga. O objetivo principal do estudo é fazer com que os professores tenham essas informações” – afirma.

Ex-secretário de Educação no Espírito Santo em duas oportunidades –2007 a 2010, e de 2015 a 2018–, Haroldo Rocha destaca que o estudo também serve para que o professor e os governantes possam buscar caminhos para melhorar a remuneração a partir do conhecimento dos dados apresentados. “O objetivo do estudo é esse: servir de referência de dados, trazer evidências para que as secretarias estaduais possam melhorar as condições de salário e de carreira dos professores”.

 

Estudo começou em 2019

 

Em entrevista exclusiva para a Rede TC de Comunicações, Haroldo Rocha, que é economista e foi presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), explica que o primeiro estudo foi feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 2019. Segundo ele, o levantamento foi atualizado e teve os conceitos melhorados em 2022 pelo Movimento Profissão Docente, que apresenta agora a terceira edição, com dados de 2025.

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“Por meio desses estudos, a gente observou que, em 2022, ainda existiam estados que não pagavam o piso salarial. Hoje, todos os 26 estados e o Distrito Federal pagam no mínimo o piso salarial do magistério. Então, isso é um avanço. Outro avanço é a média de remuneração no início da carreira, que em 2025 era 28% superior ao piso. Isso porque, embora alguns estados paguem basicamente o piso, há 22 estados que pagam acima do piso” – analisa.

O estudo do Movimento Profissão Docente mostra que, entre 2009 e 2025, o piso do magistério teve aumento de 412,4%, bem acima da inflação acumulada do período, que foi de 144,1%, o que gerou um ganho real expressivo para os professores. Foto: Movimento Profissão Docente/Divulgação

Segundo Haroldo Rocha, que também já foi pró-reitor na Ufes, ainda existem coisas a melhorar. “O desafio para o professor é muito grande. Ele tem que estar sempre evoluindo, aprendendo, testando outras formas de ensinar para as crianças poderem aprender. Então, é muito importante que o professor tenha a possibilidade na carreira de melhorar a remuneração e que ela melhore porque ele se torna um professor melhor. Ou seja, ele precisa passar por avaliação de desempenho, se está trabalhando bem, se está fazendo corretamente. Se ele evolui nisso, tem que ter prêmios de remuneração” – defende.

Ele observa que, neste quesito, os estados ainda estão muito atrasados. “Embora 25 estados tenham lei que fala que os professores devem passar por avaliações, na verdade, o que fazem é uma coisa muito burocrática, formal e de fato não estimula o profissional a melhorar. Por um lado, a gente melhorou a remuneração de entrada, que é muito importante. Mas, por outro lado, os professores que estão na carreira não têm muito estímulo para melhorar. Seja porque, em vários casos, o salário no final da carreira é praticamente igual ao do início”.

 

Responsável pelo estudo afirma que o ES precisa tornar a carreira mais atrativa para os jovens

 

Em relação ao Espírito Santo, Haroldo Rocha afirma que o Estado tem um ponto positivo que é a remuneração em forma de subsídio para o professor, o que acaba aumentando o salário final do profissional de magistério. Segundo ele, seis estados complementam os salários desta forma, mas o Espírito Santo é o último desta lista por estar no nível de remuneração mediana.

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“Se o Espírito Santo olhar para cima, para os outros estados, vai ver que precisa melhorar a remuneração de entrada e ao longo da carreira para que ela fique mais atrativa e mais estimulante para os professores mais jovens. Porque o conceito é o seguinte: o professor, a menina e o rapaz que fazem o curso de licenciatura só vão trabalhar numa rede se eles tiverem uma carreira atrativa. Então, aumentar o nível de remuneração na entrada é importante e também ter um nível de melhoria ao longo da carreira que seja estimulante” – reflete.

Haroldo Rocha complementa que o principal objetivo do estudo do Movimento Profissão Docente é que os governos estaduais tenham uma base de dados confiável para enxergarem o que estão fazendo, avaliar se estão fazendo o mais correto e, se não estiverem, procurar acertar nas ações futuras. “E como esse é um ano eleitoral, seria muito bom que os candidatos olhassem esse estudo e pensassem o que fazer a partir do ano que vem para melhorar as condições de trabalho, de remuneração, de progressão na carreira das nossas queridas e queridos professores”.

 

Estudo aponta que salário inicial não reflete toda a remuneração que o professor pode receber

 

O estudo identificou que o salário inicial não reflete toda a remuneração que o professor pode receber, sendo mapeados 180 tipos de gratificações, adicionais e outros penduricalhos que, no entanto, os professores não mais levam para a aposentadoria após a reforma da previdência de 2019.

Conforme detalha a Assessoria de Comunicação do Movimento Profissão Docente, além do Espírito Santo, os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Alagoas, São Paulo e Rio Grande Sul adotam o modelo de remuneração por subsídio que consolida toda a remuneração em parcela única. Segundo o estadual, isso dá maior transparência para o professor e a sociedade, além de facilitar a gestão.

“O diagnóstico revela que 16 redes estaduais pagam o mesmo salário para professores que atuam em escolas de tempo parcial e de tempo integral. Já 11 secretarias de educação pagam gratificações de dedicação exclusiva ou de tempo integral, resultando em um salário inicial médio de R$ 7.698,57 para os professores que atuam nas escolas de tempo integral” – aponta o estudo.

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Movimento recomenda melhorar carreiras

 

O Movimento Profissão Docente recomenda que as redes de ensino aprimorem suas carreiras para serem indutoras da melhoria da aprendizagem dos estudantes por meio da avaliação de desempenho e da promoção do desenvolvimento profissional contínuo dos professores, cuja atuação é o fator intraescolar de maior impacto na aprendizagem dos estudantes.

“A avaliação das práticas de ensino permite identificar pontos fortes e fracos que precisam ser superados por meio de formação continuada e de outras ações de desenvolvimento profissional. O diagnóstico das práticas de ensino e o incentivo à sua melhoria atrelado ao crescimento na carreira já são uma prática em vários sistemas educacionais de alto desempenho no mundo” – afirma a diretora do Movimento Profissão Docente, Cecília Gomes.

 

MAIS DETALHES DO ESTUDO

 

. O levantamento destaca ainda que há uma melhoria contínua dos salários iniciais dos professores das redes estaduais, mas as carreiras do magistério ainda não estimulam a melhoria das práticas de ensino e o desenvolvimento profissional dos professores.

. O critério mais utilizado para a progressão na carreira é a titulação acadêmica –mestrado e doutorado–, adotado em 25 redes, embora estudos indiquem que o acúmulo de títulos tenha impacto praticamente nulo na aprendizagem dos estudantes. Professores com mestrado ou doutorado representam apenas 5% dos professores em regência de classe no Brasil, sendo 3,9% com mestrado e 1,1% com doutorado (INEP, 2024).

. O segundo critério de progressão mais previsto nas leis das carreiras do magistério das redes estaduais é a avaliação de desempenho, adotada por 22 redes. Porém, apenas 12 a regulamentaram, mas adotam instrumentos de caráter meramente burocrático que não avaliam a prática do professor, tampouco fornecem insumos para orientar políticas de formação continuada e a melhoria das práticas de ensino.

 

SOBRE O MOVIMENTO PROFISSÃO DOCENTE

 

O Movimento Profissão Docente é uma coalizão de organizações do terceiro setor que atuam para a melhoria da educação e uniram esforços para a valorização da carreira docente e para o fortalecimento da atuação dos professores de todo o país. É promovido por Fundação Lemann, Itaú Social, Fundação Lucia e Pelerson Penido (FLUPP), Instituto Natura, Instituto Unibanco, Todos Pela Educação e Fundação Telefônica Vivo.

 

Foto do destaque: Arquivo-SeduES/Divulgação

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