Por
Wellington Prado
Repórter
Um dos membros da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Domingos Firmiano dos Santos, o Chapoca, afirma que as comunidades mateenses aprovaram uma proposta da empresa Suzano relacionada à mesa de negociação sobre conflitos fundiários. Ele ressalva, no entanto, que esse acordo, discutido no sábado (25) em reunião realizada pela Secretaria Estadual de Direitos Humanos (Sedh), no auditório do Sesc, não está relacionado aos processos de titularização de territórios.
A Mesa Estadual de Diálogo Quilombola é mediada pela Comissão Permanente de Conciliação e Acompanhamento dos Conflitos Fundiários, vinculada à Sedh. “Essa mesa vem trabalhando há três anos. Vai fazer quatro anos que vem discutindo. Ela começou aqui por Conceição da Barra e expandiu para São Mateus” – explica Chapoca.

Foto: Divulgação
O coordenador da Conaq frisa que o objetivo dessa negociação é viabilizar uma área maior para que as famílias possam continuar produzindo, enquanto os processos de titularização das comunidades quilombolas têm prosseguimento.
Chapoca explica que a Suzano propôs 2,4 hectares às comunidades, mas que os representantes barrenses não aceitaram. “Eles querem dois alqueires (quase 10 hectares)”, sustenta. O representante da Conaq reforça que, apesar de as comunidades de São Mateus terem aprovado a proposta da empresa, “em Conceição da Barra há um impasse ainda”.

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Chapoca reitera que esse acordo não tem a ver com a titularização. “O que o pessoal aceitou aí é até que o território saia, porque eles estão sem lugar para trabalhar. A família cresceu, tem um monte de filhos” – assegura. Diante desse cenário, ele acrescenta que as comunidades mateenses aprovaram na reunião dar prosseguimento aos trâmites da proposta da Suzano.
Suzano pontua que proposta aceita avança para próxima etapa até posterior assinatura
A Suzano afirma que, durante o evento realizado no sábado (25), foram discutidas ações estruturantes de natureza social e fundiária com lideranças e representantes das comunidades quilombolas de São Mateus. Segundo a empresa, a proposta apresentada, “voltada ao fortalecimento da geração de renda e à valorização da cultura local, foi aprovada pelos presentes e avança para a próxima etapa.”
De acordo com a companhia, os próximos passos são: visitas de campo às comunidades participantes da assembleia, abertura ampla de diálogos e consultas, “visando à construção conjunta dos termos do acordo e posterior assinatura”.
A empresa salienta que o processo segue diretrizes definidas pela Mesa Estadual de Diálogo Quilombola – fórum que reúne comunidades, Suzano e órgãos públicos, como o Ministério Público Federal e a Procuradoria-Geral do Estado do Espírito Santo. “A Suzano reforça, que por meio de iniciativas como essa, a empresa reafirma seu compromisso com o diálogo transparente, responsável e respeitoso nas regiões em que atua”.
SEDH
A Secretaria Estadual de Direitos Humanos (Sedh), mediadora da mesa de negociação, também foi procurada ontem pela Reportagem. As ligações não foram atendidas e nem o e-mail foi respondido. O espaço segue aberto caso a pasta queira se pronunciar.
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