Por
Tatiana Milanez
Repórter
As mulheres estão a cada dia quebrando barreiras e atuando em profissões tradicionalmente dominadas por homens, algumas até de risco maior à saúde. São os casos das mateenses Alaís Rodrigues Serafim, 24 anos, eletricista de rede de distribuição em uma terceirizada da EDP, e de Vanessa Silva Martins Negris, 51, guarda-vidas há mais de 20 anos.
Em entrevistas à Rede TC de Comunicações, as profissionais abordam os riscos físicos, barreiras estruturais, motivações, além de seus treinamentos, dedicação e amor pelo que fazem.
Eletricista há um ano em escala de cinco dias trabalhados por dois de folga, Alaís afirma que sua rotina de trabalho inclui ligações novas de rede elétrica, desligamentos, mudanças de medidores, aumento de carga e também cortes de energia. “É um trabalho que não permite falhas, qualquer erro numa rede elétrica, por envolver trabalho em altura, pode causar a perda de membros, paralisia e, no pior dos casos, a morte” – salienta.
Segundo a profissional, ela conheceu a elétrica quando fez o curso técnico em Eletrotécnica no campus de São Mateus do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). “Meu sonho era trabalhar na área, me encantei com todas as possibilidades que a energia elétrica propõe para a gente”, relata.
Alaís diz já ter ouvido: “Seu currículo é perfeito, mas só estamos contratando homens”
A eletricista Alaís Rodrigues Serafim revela que o estudo, dedicação e amor pela elétrica não foram suficientes para que a oportunidade aparecesse de forma rápida. Ela frisa que insistiu e procurou muito até conseguir ser admitida e atuar nessa função.
“Logo após me formar tive muita dificuldade de encontrar um trabalho na área. Já ouvi coisas como ‘seu currículo é perfeito, mas só estamos contratando homens no momento’. Apesar da tristeza que sentia, ergui a cabeça e não parei de tentar” – enfatiza Alaís.
De acordo com a eletricista, durante um expediente com uma colega de escala, foram intimidadas por um homem que não queria permitir que executassem um serviço. “Conseguimos passar pela situação com profissionalismo, sem ninguém se machucar. Graças a Deus, nada aconteceu” – frisa.
Guarda-vidas expressa amor pelo ofício e admite preocupação com o corpo por esforço exigido
A guarda-vidas Vanessa Silva Martins Negris afirma que atua no litoral de São Mateus desde 2004, além de já ter trabalhado em Conceição da Barra e em parques aquáticos privados. Hoje, apesar de exercer uma profissão de risco, ela revela que sua preocupação não está associada à rotina, mas sim em entender até quando o corpo permitirá que execute a tarefa que mais ama: salvar vidas.
Segundo Vanessa, para ser guarda-vidas é preciso realizar cursos ministrados pelo Corpo de Bombeiros, bem como provas de resistência e práticas. Ela recorda que, na primeira vez que se inscreveu para ocupar o cargo, eram 60 vagas disponíveis para 110 candidatos. “A maioria era homem, havia poucas mulheres. Conquistei a minha vaga e não parei mais. Todos os anos faço a reciclagem do curso e as provas necessárias para uma nova contratação. Minha preocupação é saber até quando o meu corpo vai permitir que eu trabalhe como guarda-vidas, pois são muitos anos na praia e exige esforço” – detalha a profissional.
Quanto aos riscos de trabalhar como guarda-vidas nas áreas de banho da praia, Vanessa reconhece que existem, mas diz que se resguarda com os treinamentos que recebe e é motivada pelo amor que tem pela profissão. “Às vezes nem é pelo salário. Eu amo a praia, amo o trabalho. Quando uma pessoa está em situação de perigo, a gente nem pensa, só entra na água com os equipamentos e vai. Nem pensa em cansaço, nas dores, nada disso. Isso tudo vem depois, quando a pessoa já está salva” – frisa a mateense.
Salvar vidas está no DNA da família de Vanessa Negris
A guarda-vidas Vanessa Silva Martins Negris é casada e mãe de Michelle, Kássio, Thiago e da caçula Vanielle, a única que não seguiu os passos da mãe profissionalmente. Ela revela que três filhos já atuaram por períodos como guarda-vidas em Guriri. “O Thiago ainda está atuando. Vai trabalhar neste Verão de 2026. Quando eles começaram, eu me preocupei muito porque sei dos perigos que a gente enfrenta. Meu coração de mãe ficou apertado, mas, mesmo assim, sempre os incentivei e apoiei, mas nunca deixei de me preocupar” – pontua.
De acordo com Vanessa, o treinamento é fundamental para saber lidar com as dificuldades e perigos que eventualmente acontecem na rotina de trabalho, seja com o próprio mar ou durante um salvamento. “A pessoa, quando está se afogando, normalmente se desespera e tenta se agarrar em algo. Eu tenho cabelo grande, já aconteceu de puxarem o meu cabelo e eu ter que contornar a situação. O correto é não chegar até a pessoa de frente e jogar a boia, o life-belt que a gente usa. Ao todo, são quatro técnicas específicas para concluir o salvamento com todo mundo em segurança” – enfatiza.
RELAÇÃO COM CRIANÇAS E IDOSOS
A profissional revela que, ao longo de 20 anos como guarda-vidas, muitos momentos felizes e tristes marcaram a sua trajetória. Diz também que a relação dela com as crianças e os idosos é mais próxima, porque entende que este público é o que precisa de mais atenção.
Conforme Vanessa, sua escala de trabalho atualmente é 12 horas trabalhados por 36 horas de folga, mas adianta que na alta temporada é comum fazer plantões.
A matriarca da família de guarda-vidas parece gostar mesmo de uma profissão de risco, pois revela que, além de guarda-vidas, atua também como vigilante para empresas privadas.
Foto do destaque: Divulgação




