Para o Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), a responsabilidade dos aumentos sucessivos é da política de preços de combustíveis determinado pelo Governo Federal à Petrobras. Para solucionar o problema que tem provocado indignação junto aos consumidores, o coordenador do sindicato, Valnísio Hoffmann, entende que é preciso mudar essa política.

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O sindicalista explica que no governo de Michel Temer, em 2016, a Petrobras mudou a política dos preços. “Nos governos anteriores, a Petrobras era usada para segurar os preços dos combustíveis, quando refinava muito mais quantidade do que agora, em termos de percentual. Hoje temos refinarias operando com 57% da capacidade”, detalha. Ele reforça que antes de 2016, as refinarias nacionais operavam com 92% da capacidade em média.

Valnísio Hoffmann afirma que a mudança na política dos preços beneficiou apenas importadores e empresas estrangeiras. “Ele [Michel Temer] mudou a política e falou: Petrobras, os acionistas estão reclamando que não estão ganhando muito e você agora vai ser obrigado a seguir o preço que o importador falar que vai colocar no Brasil”, ressalta.

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Ele salienta que, diante da mudança, a Petrobras começou a seguir o Preço de Paridade da Importação (PPI), com o valor colocado no marcado internacional, em dólar, apesar da Petrobras vender no Brasil em real e pagar os funcionários em real. Com a valorização do dólar em relação ao real e o aumento do preço dos barris de petróleo, ele sustenta que, mesmo com a isenção do ICMS, não será garantido um valor do combustível justo ao consumidor.

Governo Federal tem que ter coragem para fazer mudanças, diz sindicalista

Como resolver essa problemática e reduzir o preço dos combustíveis? Para o coordenador do Sindipetro-ES, Valnísio Hoffmann, o Governo Federal tem que mudar a política de preços, “bater no peito e dizer para os acionistas da Petrobras que o lucro que eles querem ganhar, por exemplo em dois anos, não é possível”.

Entretanto, ele entende que não é fácil tomar essa atitude e que se precisa de coragem: “O Bolsonaro ficou incomodado. Agora, a gente concorda com ele: tem que mudar, porque o presidente da Petrobras estava seguindo muito o mercado. Quando ele tentou interferir, o que os acionistas fizeram? A Petrobras perdeu quase R$ 100 bilhões de valor de mercado, ou seja, é muita especulação. Eles metem os tentáculos nas empresas e sugam ela até onde der. Mas não é função social da Petrobras”.

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Valnísio reforça que a Petrobras é do povo brasileiro. “Subiu o valor do petróleo, o dólar, vou reduzir meu lucro aqui, mas eu vou fornecer um preço justo para a população, isso é a função social de uma estatal”, reforça.

“O ICMS é o mesmo há 5 anos”

Valnísio reitera que se os estados isentarem o ICMS sobre os combustíveis, como proposto pelo Governo Federal, não resolverá o problema dos reajustes.

Ele relata que há 5 anos, antes da mudança na política de preços da estatal, a alíquota do ICMS era a mesma, de 27% no Espírito Santo, mas o litro da gasolina era R$ 2,69.

“Então pergunto: a culpa é do ICMS? Não! Se zerar o ICMS hoje garante que a gasolina vai parar de subir? Não, porque se o dólar subir, o petróleo subir, as empresas vão exigir da Petrobras que mantenha os aumentos” – explica o sindicalista.

Valnísio afirma que, com essa política, levando em consideração as variáveis valor dólar e alta do barril do petróleo, o preço da gasolina no Brasil pode chegar a R$ 10 o litro. “Se você zerar O ICMS, que é 27% no Espírito Santo, o consumidor vai pagar ainda R$ 7,30 por litro. Resolveu tirar o ICMS? Não. O que tem que mudar é a política de preços”.

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