quarta-feira, abril 15, 2026
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Morte de criança por febre maculosa deixa o Norte do Espírito Santo em alerta

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Por
Tatiana Milanez
Repórter
São Mateus – O subsecretário de Vigilância à Saúde do Espírito Santo, Orlei Amaral Cardoso, fez um alerta sobre os riscos da febre maculosa no Estado, após o registro de três casos neste ano de 2026, sendo um deles com evolução para óbito. A vítima é uma criança de dois anos, moradora do município de Boa Esperança, no Norte do Estado.
De acordo com dados apresentados pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), em 2025 foram registrados 18 casos da doença e três mortes no Espírito Santo. O cenário, segundo o subsecretário, reforça a necessidade de atenção dobrada, especialmente em áreas rurais.
Orlei Cardoso explica que a febre maculosa é transmitida pelo carrapato-estrela [Amblyomma cajennense], mais comum em locais onde existem capivaras e cavalos. “Na zona rural, onde há circulação desses animais, o carrapato permanece nos pastos e pode fixar-se nas roupas ou na pele das pessoas que frequentam esses ambientes, às vezes, para ir ao trabalho ou pescar, por exemplo” – explica.
Ele destaca que, muitas vezes, a contaminação pode ocorrer de forma indireta. “Nem sempre a pessoa esteve no local onde há carrapato. Alguém pode ter passado por uma área contaminada, levando o parasita na roupa e, ao chegar em casa, ele se fixa em outra pessoa. Por isso é importante fazer uma vistoria no corpo e nas roupas e manter as vestimentas do lado de fora da casa” – alerta.

Sintomas mais comuns

São Mateus – Conforme Orlei, a febre maculosa manifesta, principalmente, com febre alta repentina, dor de cabeça intensa, dores musculares, náuseas e manchas pelo corpo. “Essas manchas costumam surgir inicialmente nas palmas das mãos e solas dos pés, podendo se espalhar. Por apresentar sintomas semelhantes aos de doenças como dengue e chikungunya, o diagnóstico pode ser confundido, mas a febre alta súbita associada às manchas é um importante indicativo da febre maculosa” – frisa.
“Também é importante que o paciente relate ao médico que esteve em locais onde existem carrapatos, ou se retirou algum carrapato do corpo, das roupas, para um diagnóstico rápido, porque, sem tratamento precoce, a doença pode evoluir rapidamente para casos graves e até levar à morte” – reforça.
Para o subsecretário, a prevenção é essencial. Entre as principais medidas de prevenção, orienta as seguintes: utilizar roupas claras, de manga longa e calças ao frequentar áreas de risco; usar botas fechadas e vedar possíveis entradas que possam servir para o acesso de carrapatos nas roupas; aplicar repelentes; fazer inspeção no corpo a cada hora para identificar e remover carrapatos; retirar o aracnídeo com pinça, evitando contato direto com as mãos; ao retornar para casa, deixar as roupas fora do ambiente interno e higienizá-las com água quente ou armazená-las em sacos para congelamento.
“Como o carrapato é muito pequeno, especialmente na fase de larva, muitas vezes passa despercebido. Por isso, a inspeção frequente é fundamental” – enfatiza.
Orlei Amaral Cardoso é subsecretário de Vigilância à Saúde do Espírito Santo. Foto Sesa/Divulgação

Diagnóstico e tratamento

São Mateus – Orlei explica que o diagnóstico da febre maculosa é feito por meio de exame de sangue, mas o tratamento não deve esperar a confirmação laboratorial. Ele salienta que, em casos suspeitos, a recomendação é procurar imediatamente o serviço de saúde e informar se teve contato com carrapatos.
Segundo o subsecretário, o carrapato não transmite a doença em um contato rápido com a pessoa, “ele precisa permanecer de quatro a seis horas fixado na pele para transmitir a bactéria”. Já os sintomas podem surgir entre dois e 14 dias após a picada.
“O relato do paciente é fundamental. Se ele informar que esteve em área de risco ou teve contato com carrapato, o profissional de saúde pode iniciar o tratamento com antibiótico específico para a doença, mesmo antes do resultado do exame” – detalha.
Orlei reforça que o início precoce do tratamento é decisivo. “Quando há demora no diagnóstico, as chances de agravamento aumentam e, em alguns casos, não é possível reverter o quadro. Por isso, a informação e a prevenção são as melhores formas de salvar vidas” – complementa.

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