quarta-feira, abril 15, 2026
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Mês missionário

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“Missão”, do latim, “mittere” (enviar), tem um duplo significado. O primeiro, trinitário: o Pai manda o Filho; ambos, o Espírito Santo (ex Patre Filioque procedit). O Verbo humanado eleva o ser humano à altíssima dignidade de filho de Deus e instaura o Reinado do Pai na história humana. O outro, eclesial: Jesus, o enviado do Pai, envia, por sua vez, a Igreja, com a missão de levar a “Boa Nova” da salvação até os confins mais distantes da Terra.

Os primeiros três séculos foram marcados pelos mártires: o “Edito de Constantino” (313) concedeu à Igreja a tão sonhada liberdade. Os Concílios de Nicéia (325) e Constantinopla (381) elaboram “o Credo” e os provinciais, de Roma (382), Hipona (393) e Cartago (397), fixam o Cânon bíblico. O Ano litúrgico e o catecumenato, em preparação ao batismo, são articulados. O domingo é instituído como dia do Senhor Ressuscitado. Os Pais da Igreja ilustraram a fé com seus escritos, de altíssimo nível bíblico-teológico. O imperador Teodósio, manipulando a fé cristã, declarou, no ano 380, o cristianismo “religião de Estado”. A espiritualidade monástica se afirma e cresce.

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É publicada, no ano 405, a Bíblia em língua latina, “vulgata” (popular), traduzida das línguas originais por São Girôlamo. Nos Vº e VIº séculos: Itália, Gália, Espanha, Norte da África, Oriente Médio, Índia e Etiópia são evangelizados. Os pobres, os enfermos, os peregrinos e os presos são assistidos. As dioceses começam a se articular, como o Canto Litúrgico, o Direito Canônico e a Doutrina Social da Igreja. No ano 476, o Império Romano desmorona; o papa, no vazio criado, assume, também, o poder temporal. Começa a Idade Média: a Igreja exercerá nela um papel preponderante.

Papa Gregório, em 596, evangeliza a Inglaterra; Bonifácio, a Alemanha; Cirilo e Metódio, os países eslavos. No ano 1054, as Igrejas do Oriente se separam de Roma. Papa Urbano IIº, em 1095, lança a primeira Cruzada, para libertar a Terra Santa. Nos séculos XIIIº e XIVº, missões no Extremo Oriente e na Ásia são implementadas. Os tribunais da Inquisição são instituídos. No século XVIº, o Evangelho chega ao continente latino-americano e caraibico.  Lutero e Calvino rompem a unidade da Igreja do Ocidente, fundando uma nova Igreja. Em 7 de outubro de 1571, com a vitória naval em Lêpanto (Grécia), a “Liga santa” do Papa Pio Vº interrompe a expansão islâmica na Europa.

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Foto: Arquivo/TC Digital

A Revolução Francesa (1789) inaugura os tempos modernos, em que a ortopraxe e não a ortodoxia é considerada como valor: a dignidade humana e os seus direitos inalienáveis são promovidos. Em 1846, inicia-se a evangelização da África: Justino de Jacobis, Massaia, Daniel Comboni, Ludovico da Casória e Charles Lavigeri são os seus grandes impulsionadores. O Concílio Vaticano IIº é celebrado (1962-1965): “Evangelizar – diz Papa Paulo VIº na “Evangelii Nuntiandi” – é a graça e a vocação própria da Igreja, a sua identidade mais profunda: ela existe para evangelizar”. As Conferências Episcopais de Medellin, Puebla, Santo Domingo e Aparecida inculturam o Evangelho na realidade latino-americana. Também, o Brasil, partilhando de sua pobreza, envia missionários para os povos não-evangelizados.

(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

 

Foto do destaque: Arquivo/TC Digital

 

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