CRISTINA CAMARGO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Discreta e reclusa, a cantora e compositora Marisa Monte apareceu na noite desta terça-feira (30) na live de Teresa Cristina para comemorar o seu próprio aniversário. Teresa, que faz lives diárias no Instagram, dedicou a noite para celebrar os 53 anos da amiga e contou com as presenças de vários artistas.

As duas conversaram longamente sobre a carreira de Marisa Monte, passando por várias fases, como a dos Tribalisas e a do resgate da Velha Guarda da Portela. Teresa entrevistou a cantora, que contou, por exemplo, sobre o seu primeiro encontro com o cantor e compositor Arnaldo Antunes, na época em que cantava “Comida”, sucesso dos Titãs.

Em apresentação no Aeroanta, célebre casa de shows que funcionou em Pinheiros -zona oeste de São Paulo- entre 1987 e 1996, ela chamou Antunes para subir ao palco com ela, acreditando que tudo estava combinado com a produção. Mas o ex-Titãs não sabia de nada e demorou um tempo até levantar da plateia e começar a cantar com Marisa. Os dois saíram amigos dessa experiência inusitada.

Leia também:   Caetano Veloso diz que está inseguro com live e tem medo de errar músicas antigas

Marisa Monte revelou que a música “Já Sei Namorar”, sucesso dos Tribalistas, ficou por anos esquecida em uma fita que havia mandado a Antunes no início da carreira dela. “Beija eu” também estava nessa fita, recebeu letra e virou sucesso. “Já Sei Namorar” só foi recuperada muito tempo depois, na fase Tribalistas, e também virou hit.

A cantora falou ainda sobre sua relação com o produtor e jornalista Nelson Motta, que dirigiu o primeiro show dela e é o autor da versão brasileira da italiana “Bem Que Se Quis”, outro grande sucesso do início da trajetória de Marisa.

“Lembro de estar em casa vendo o ‘Fantástico’ e o locutor anunciar o surgimento de uma grande cantora. Entrou ‘Bem que se quis’ e derrubou o quarteirão. Foi muito emblemático”, recordou Teresa.

Outros momentos comentados pelas duas foram as gravações de “Speak Low”, de Kurt Weill, gravada no álbum de estreia de Marisa e chamada de chique por Teresa; e “Rosa”, do álbum “Mais”. “Conheço casais que se formaram com a canção “Rosa”. E mulheres que se descobriram lésbicas com essa canção.”

Leia também:   9 milhões perderam trabalho no pico da pandemia, diz IBGE

As duas se conheceram em Madureira, no Rio de Janeiro, em um pagode na casa da Tia Surica, da Portela. Portelenses, elas ficaram amigas quando Teresa acompanhou a gravação de um álbum de Argemiro Patrocínio, da Velha Guarda da escola de samba, em um estúdio na casa de Marisa de Monte. O álbum foi lançado pelo selo particular da cantora.

Na live, Marisa Monte contou que um álbum anterior, “Tudo Azul”, também lançado por seu selo particular, teve a gravação precedida por sessões de entrevistas com os integrantes da Velha Guarda da Portela, em uma grande e com muito café e pão de queijo. Ela fazia perguntas e puxava pelas memórias para resgatar antigos sambas esquecidos.

A pedido de Teresa, Marisa cantou na live de seu aniversário. Sem lembrar toda a letra, atendeu a amiga e fez “Speak Low” a capela, seguida de “Velha Infância” e “Na Estrada”, essas acompanhadas ao violão. “Estou com saudade de uma festa, uma ronda de samba”, disse ao encerrar sua participação.

Leia também:   Cursos de qualificação profissional têm alta demanda na pandemia

Outros artistas como Caetano Veloso, Maria Gadu, Paulo Miklos, Carlinhos Brown, Silva e Pedro Baby também participaram e cantaram em homenagem a Marisa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here