Com o desafio autocolocado de fazer o melhor jornal possível todos os dias, o Diretor Geral da Rede TC de Comunicações, Márcio Castro afirma que a boa comunicação tem o poder de libertar as pessoas. “A verdade liberta” – frisa o jornalista e administrador de empresas nesta entrevista especial. Fundada em 12 de janeiro de 1984, a Tribuna do Cricaré comemora 37 anos de circulação ininterrupta sendo a maior empresa jornalística do interior do Espírito Santo e a segunda no ranking geral do Espírito Santo.

Fundada em 12 de janeiro de 1984, a Tribuna do Cricaré comemora 37 anos de circulação ininterrupta sendo a maior empresa jornalística do interior do Espírito Santo e a segunda no ranking geral do Espírito Santo.

Márcio afirma que “para fazer jornal todos os dias você precisa ter equilíbrio, bom senso, capacidade de convergência e não se afastar dos seus princípios, que marcam a sua empresa, que é o respeito às pessoas, à verdade, àquilo que é importante para a comunidade”.

O Diretor Geral fala também sobre a evolução tecnológica nesses 37 anos de história no setor jornalístico, destacando que a Tribuna do Cricaré foi o primeiro jornal capixaba a implantar a edição eletrônica de suas páginas e a utilizar a impressão a laser em seu sistema de produção no Espírito Santo, além das inúmeras contribuições nas principais conquistas sociais da comunidade do norte capixaba.

Leia a seguir a entrevista:

Rede TC de Comunicações – Nestes 37 anos, o jornal Tribuna do Cricaré tem enfrentado e superado muitos desafios. Neste período de pandemia do novo coronavírus não é diferente. Como enfrentar e superar os desafios impostos e, de forma literal, sem deixar a peteca cair?

Márcio Castro – Os desafios sempre foram muito fortes para qualquer empreendedor no Brasil. Todos nós que nos propomos a empreender no Brasil temos que enfrentar todo o tipo de adversidade colocado por uma legislação extremamente burocrática que inibe o empreendedorismo, que dificulta a atividade empresarial com a tributação normalmente muito elevada e relações que não são marcadas pela mais plena liberdade de empreender e também de se relacionar com seus funcionários. Tem toda uma legislação extremamente burocratizada no Brasil.

Mas, além disso, empreender no ramo de comunicação social é ainda mais desafiador porque a comunicação tem o poder de libertar as pessoas, a boa comunicação. A verdade liberta. Então, na medida em que a verdade liberta, a gente enfrenta muitas resistências. São muitos os enfrentamentos com os poderosos eventualmente de plantão.

Quando falo de poderosos, me refiro a todos eles: os instituídos, aqueles que estão nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário; e também ao poder informal, o poder econômico, o poder de polícia e tantas outras formas de poder que, no exercício da liberdade de imprensa, por muitas vezes, a gente acaba se chocando porque, como eu disse, a verdade incomoda ao poder.

Então o desafio é permanente e nesses 37 anos foram muitos e muitos casos que a gente teve que superar. E a gente procura superar tentando não potencializar os conflitos, sendo fidedigno com as informações, mas sabendo também que ela tem que ter um caráter construtivo, porque se não tiver ela não cria ambiente para convergências e nós todos precisamos ser competentes não apenas por um dia. Sempre disse que nosso desafio não é fazer o melhor jornal do mundo. O nosso desafio é fazer o melhor jornal possível todos os dias. E, para fazer todos os dias, você precisa ter equilíbrio, bom senso, capacidade de convergência e não se afastar dos seus princípios, que marcam a sua empresa, que é o respeito primeiro à verdade e àquilo que é importante para a comunidade.

Rede TC – Como a TC evoluiu nessa trajetória frente aos desafios e às novidades tecnológicas?

Márcio Castro – Nós pegamos toda essa revolução da comunicação. Implantamos um jornal que no início era impresso em gráfica lá em Nanuque, na gráfica de meu pai e, logo com um ano e meio aproximadamente de existência da TC, conseguimos, através de financiamento, comprar nossos primeiros equipamentos gráficos, que utilizavam a tecnologia de tipografia.

Com mais alguns anos, também através de financiamento e recursos próprios, conseguimos implantar a edição eletrônica com impressora a laser na preparação de nossas matrizes. Fomos a primeira empresa jornalística do Espírito Santo a utilizar essa tecnologia. Isso se deu em 1990, há quase 31 anos.

 Então, nesse sentido, nós somos pioneiros na utilização dessa tecnologia em solo capixaba. Antes de implantar essa tecnologia, eu rodei Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e várias outras cidades do Brasil, visitando empresas e feiras de tecnologia, conhecendo o que havia no mercado e aquilo que era possível, do ponto de vista econômico, ser implantado em São Mateus, pela dimensão do próprio mercado mateense. E nós conseguimos ser inovadores, com a TC sendo o primeiro jornal capixaba a apostar nessa tecnologia no Espírito Santo. Para isso ser possível, tivemos que enviar funcionários para treinamento no Rio de Janeiro, já que não existia mão de obra pronta no mercado capixaba.

É importante lembrar que a TC nasceu como jornal quinzenal e evoluiu gradativamente para semanal, duas vezes e depois três vezes por semana, até chegar ao diário em 28 de julho de 1998, quando já tínhamos 14 anos de circulação e serviços prestados à comunidade. Foi assim também que desenvolvemos nosso porte empresarial e a capacidade de nosso parque industrial. É por isso que ainda hoje a TC é a maior empresa jornalística do interior do Espírito Santo, superando jornais de cidades maiores, como Linhares e Cachoeiro de Itapemirim, por exemplo.

E nosso desenvolvimento não para. Estamos seguindo adiante com as novas tecnologias, com o portal TC Online, nas redes sociais como Facebook, Instagran e Twitter. E também pela geração de conteúdo audiovisual, através da TVTC, utilizando do streaming, daquilo que a internet nos propicia.

Estamos hoje fazendo tudo isso e tenho certeza que vamos avançar ainda muito mais. Não existe situação de conforto nessa questão de tecnologias, porque elas têm evoluído muito e tenho certeza de que vão evoluir ainda muito mais. A única certeza que se pode ter neste momento é de que tudo está mudando e continuará mudando por muito tempo. Nosso desafio é estar acompanhando isso, nos capacitando tecnologicamente e principalmente do ponto de vista econômico, para podermos dar consequência a essas mudanças e levar aos nossos leitores todos os recursos que a tecnologia dispõe hoje.

Nossa evolução também se deu no desenvolvimento do mercado de leitura de jornais e no mercado anunciante. É só lembrarmos que, antes da TC, não existia nenhum jornal tradicional no Norte capixaba, nem nenhuma outra empresa de comunicação como rádio ou emissora de televisão. Desenvolvemos esse mercado, criamos o Programa TC na Escola para estimular a leitura e o aprendizado, valorizamos as empresas locais e regionais. Por isso hoje muitas pessoas vivem da comunicação no norte do Espírito Santo. São jornais, emissoras de rádio e TV, sites, agências de propaganda e tantos outros atores desse mercado.

Rede TC – O que norteou o jornal Tribuna do Cricaré nesta caminhada de 37 anos e quais os principais planos para o futuro?

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Márcio Castro – Há princípios fortes para uma boa comunicação. O primeiro é o compromisso com a fidedignidade dos fatos. E também o compromisso em participar da construção de uma sociedade mais fraterna. Nós, desde o início, por inspiração do fundador do jornal, que é o meu irmão Antonio de Castro, praticamos o jornalismo comunitário-construtivista.

Este é o nosso norte: um jornalismo que se reconhece inserido dentro de uma comunidade. Então nós fazemos parte dessa comunidade. Nós não pretendemos, com a Tribuna do Cricaré, abraçar o mundo. Nós abraçamos nossa comunidade há 37 anos.

E quem é nossa comunidade? É São Mateus, são os municípios do norte capixaba, é o Espírito Santo e nosso País, sabendo que o foco do nosso trabalho é local e regional. É baseado neste jornalismo comunitário-construtivista que caminhamos até aqui e que eu não tenho dúvida de que todas as boas práticas jornalísticas caminharão sempre por esta trilha.

Assim é que o MIT (sigla em inglês para Instituto de Tecnologia de Massachusetts), já fez inúmeras pesquisas e chegou à mesma conclusão: O jornalismo, quando praticado com responsabilidade comunitária, focado nos interesses locais, nos interesses da comunidade onde o jornal está inserido, ele ganha legitimidade, ganha força, repercussão e é capaz de catalisar os esforços criativos e empreendedores da comunidade e, através disso, construir inúmeras conquistas para essa comunidade.

E foi dessa forma que a gente se pautou até aqui e tenho certeza que este caminho é uma pedra fundamental e vai continuar nos encaminhando, para que a gente possa continuar merecendo da comunidade mateense e do norte do Estado o respeito que adquirimos ao longo desses 37 anos de jornada.

Rede TC – Em tempos de disseminação de fake news e diante da necessidade cada vez mais crescente da busca dos leitores por fontes seguras de informação, a Rede TC se firma como verdadeiro bastião da notícia apurada com responsabilidade. Como se manter na vanguarda sem se deixar cair no sensacionalismo, entregando um produto confiável ao público?

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Márcio Castro – Muitos apelam para o sensacionalismo, para abordagens não construtivas e até para fake news. Nós não estamos atrás dessa audiência desqualificada, porque ela não é construtiva. Aqueles que se dedicam ao sensacionalismo e às fake news não conseguem agregar credibilidade. Por isso não servem à comunidade e nem às empresas que precisam se comunicar com seus clientes, porque é um risco muito grande anunciar em sites sem credibilidade.

A Rede TC de Comunicações busca uma audiência qualificada, atraída pela credibilidade da informação, como sempre fez a Tribuna do Cricaré. Buscamos ser relevantes aos interesses da comunidade e às empresas aqui instaladas. Nós trabalhamos para que nossa comunidade cresça e satisfaça suas demandas. E, com a graça de Deus, temos visto nossa comunidade crescer ao longo desses 37 anos.

Rede TC – Nesta trajetória, quais são as principais contribuições da empresa jornalística à comunidade regional?

Márcio Castro – A gente pode lembrar que São Mateus saiu de 47 mil habitantes, aproximadamente, para mais de 132 mil habitantes nesses 37 anos. E isso se deve ao conjunto de esforços que a sociedade regional empreendeu e foi capaz para trazer São Mateus até aqui.

E nós temos a felicidade de participar de tudo isso juntos, desde a conquista do Ceunes, de mobilizar a comunidade para lutarmos pelo Ceunes, que é hoje um dos maiores empreendimentos estabelecidos em São Mateus. Muito acima do valor econômico que se possa aferir, é o valor cultural, o valor de multiplicação do conhecimento, de disseminação de informações que o Ceunes faz, não só com os jovens mateenses, mas do norte do estado, de todo do Espírito Santo e até de estados vizinhos, de onde também vem jovens fazer sua formação profissional e pessoal, criando cidadãos mais proativos e comprometidos com as suas comunidades.

E falo do Ceunes com a mesma alegria que falo da instalação do Instituto Federal do Espírito Santo na nossa Cidade, em Nova Venécia, Montanha, Linhares, Barra de São Francisco. Na área da Educação temos uma verdadeira revolução que ocorreu desde 1985 pra cá no norte do Estado. É só lembrarmos que até 1984 o norte do Estado não tinha nenhuma instituição de educação superior, nenhuma faculdade, escola técnica federal, curso técnico do nível que a gente tem hoje no Ifes.

Hoje nós temos, além do Ifes com seus cursos técnicos e superiores, o Ceunes, as faculdades privadas, não só em São Mateus, mas também em Nova Venécia, Barra de São Francisco, e outras. É uma mudança qualitativa enorme. São milhares de oportunidades de formação para nossos jovens. E isso reflete no curto prazo, porque é uma atividade que gera muito emprego, porque demanda a construção de apartamentos, gera novas demandas na área de alimentação, serviços e tudo mais. E vai gerar ainda pela qualidade das pessoas que estão se formando, pela capacidade empreendedora, pelo que acrescentam de conhecimento técnico e tecnológico dentro na nossa região, o que já é possível ver com muita clareza no nosso meio rural, onde o curso de Agronomia tem um impacto enorme e imediato.

Rede TC – O que mais o senhor destaca neste trigésimo sétimo aniversário do jornal Tribuna do Cricaré?

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Márcio Castro – Quando você me pergunta o que mais a gente destaca nesse 37º aniversário do jornal, entre as inúmeras campanhas comunitárias que realizamos, ainda podemos lembrar de nossa campanha pela implantação em São Mateus do serviço de hemodiálise.

Lembrando que até então todos os mateenses e pessoas do norte do estado que necessitavam de serviço de hemodiálise tinham que se deslocar para Colatina, Linhares ou Vitória, num sofrimento tremendo. É uma doença que acomete muitas pessoas e traz uma dificuldade muito grande porque, dia sim, dia não, eles têm que fazer a filtragem do sangue, exigindo um esforço sobre-humano dessas pessoas.

E a gente fez campanhas. Não podemos esquecer do Seu Geraldo que participou ativamente. Ele tinha deficiência renal, precisava fazer hemodiálise e junto com ele a gente empreendeu essa campanha com o consórcio de saúde do norte do Estado, com a participação dos prefeitos daquela época e conseguimos sensibilizar o Governo do Estado e fazer com que o serviço fosse implantado em nossa Cidade. O serviço de hemodiálise evitou que muita gente tivesse que andar 300, 350 quilômetros por dia, no caso daqueles que moravam em Mucurici ou Montanha, para chegar a Vitória, e hoje vêm a São Mateus, que é muito mais perto, menos da metade da viagem, e podem realizar esse serviço.

Podemos lembrar também que o Hospital Roberto Silvares estava com o prédio construído, mas não funcionava. Foi com campanha nossa que a gente conseguiu pressionar o então governo estadual da época e fazer com que fosse aberto o concurso público e provido o número de funcionários, médicos e todos os outros profissionais necessários à abertura do Hospital. E hoje ele está funcionando e é a principal referência na área de saúde para todo o norte do Estado e até para os estados vizinhos, Bahia e extremo leste de Minas Gerais.

Ainda falando das contribuições, podemos lembrar do asfaltamento do Trecho da Vergonha, que era aquele trecho de rodovia da BR-381, de São Mateus para Nova Venécia, que o asfaltamento foi realizado em 1986. Ficaram faltando 1600 metros para ser concluído e demoraram mais cerca de 20 anos para que fosse realizado. Foi também com muitas campanhas nossas, com a participação comunitária, do nosso bispo emérito Dom Aldo Gerna. Ele também, é importante lembrar, participou ativamente na conquista do Ceunes.

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