RENATO MACHADO
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Em depoimento à CPI da Covid, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou nesta terça-feira (4) que apresentaram a ele, em reunião no Palácio do Planalto, uma proposta de decreto presidencial para alterar a bula da hidroxicloroquina a fim de que o medicamento pudesse ser receitado para tratar a Covid-19.

Mandetta já havia feito a revelação no ano passado, meses após deixar o Ministério da Saúde. O ex-ministro disse que estava no Planalto e foi chamado para uma reunião com a presença de outros ministros e médicos.

“Nesse dia, havia sobre a mesa, por exemplo, um papel não timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido, daquela reunião, que se mudasse a bula da cloroquina na Anvisa, colocando na bula a indicação de cloroquina para coronavírus. E foi, inclusive, o próprio presidente da Anvisa, Barra Torres, que estava lá, que falou: ‘Isso não'”, disse Mandetta durante seu depoimento

“E o ministro Jorge Ramos [aqui Mandetta se confunde e cita os nomes dos ministros Jorge Oliveira e Luiz Eduardo Ramos] falou: ‘Não, não, isso daqui não é nada da lavra daqui. Isso é uma sugestão’. Mas é uma sugestão de alguém. Alguém pensou e se deu ao trabalho de botar aquilo num formato de decreto”, acrescentou o ex-ministro da Saúde.

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ERNESTO ARAÚJO

Mandetta disse também que as condutas do ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo e dos três filhos mais velhos do presidente Jair Bolsonaro dificultaram as negociações de insumos com a China, dos quais o Brasil era dependente.

“O bom diálogo com a China era mais que necessário, mas tinha muita dificuldade com o ministro das Relações Exteriores. O Eduardo Bolsonaro tinha rotas de colisão com a China através de tuítes que geravam mal-estar. Fui a uma reunião com o presidente, assessores de comunicação e os filhos no palácio e eles disseram que eu não poderia levar o embaixador da China lá. Tive que fazer a reunião por telefone”, disse.

 

PERGUNTA DO PLANALTO
Durante a sessão, o senador governista Ciro Nogueira (PP-PI) questionou Mandetta sobre sua orientação inicial para as pessoas evitarem buscar hospitais se acometidas de sintomas leves da Covid-19.

Mandetta então apontou que a pergunta lida pelo senador tinha sido elaborada pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, que encaminhou por engano ao ex-ministro.
“Senador Ciro Nogueira, ontem [segunda-feira] eu recebi essa pergunta, exatamente nessa íntegra, do ministro Fabio Faria, que ele inadvertidamente mandou para mim a pergunta.

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Quando eu ia responder, ele apagou a mensagem. Então vou responder para o senhor, mas também para o meu amigo, que foi parlamentar comigo, ministro Fábio Faria”, afirmou Mandetta.

Nogueira já havia apresentado requerimentos de convocações para participação na CPI, que foram redigidos por uma servidora da Secretaria de Governo da Presidência da República.

 

Foto do destaque: Arquivo TC digital

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