ICMBio anuncia descoberta de novas espécies marinhas em ilha na costa do Espírito Santo

0
26
Foto: João Batista Teixeira-Ufes/Divulgação

Pesquisadores retornaram após 20 dias, afastados 1.200 quilômetros da costa capixaba, com resultados de valor incalculável para a Ciência do Mar e consolidação de uma cultura oceânica na sociedade, segundo o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio). Conforme o órgão, durante a expedição científica, foram coletadas 155 amostras de corais, de 12 espécies diferentes, e 67 amostras de peixes, de 29 espécies diferentes. As amostras foram coletadas em ambientes recifais rasos e profundos, de até 200 metros de profundidade.

“Entre os resultados mais notáveis, destacam-se o registro inédito de ambientes recifais de alta diversidade no Monte Columbia, registro da biodiversidade de recifes até 200m de profundidade em Martim Vaz e Monte Columbia, e o registro de três possíveis novas espécies de peixes para a ciência, além de coleta de censos visuais até 60 metros de profundidade em Martim Vaz” – frisa Hudson Pinheiro, cientista do CEBIMar/USP e coordenador científico da expedição.

De acordo com o ICMBio, as Grandes Unidades Oceânicas que vêm sendo estudadas são geridas pelo órgão: APA do Arquipélago de Trindade e Martin Vaz e MONA das Ilhas de Trindade e Martin Vaz e do Monte Columbia –celeiros de rica biodiversidade marinha e cujo conhecimento acerca dessas áreas começa a ser conhecido e divulgado para a sociedade a partir dessas expedições.

Leia também:   Câmara aprova aumento de penas para estupro e assédio sexual

Essa é a segunda edição da expedição e é uma continuidade da primeira realizada na cadeia Vitória-Trindade, em julho de 2025. “A expedição visa dar sequência aos esforços para se conhecer e conservar ecossistemas marinhos profundos e remotos que compõem os Monumentos Naturais ao redor da Ilha da Trindade” – diz Geraldo Ottoni Neto, oceanógrafo e analista da ESEC Tupinambás representando o ICMBio na expedição.

Detalhes da expedição

Vitória – A equipe de pesquisadores, utilizando equipamentos de mergulho de circuito fechado de alta tecnologia, conhecidos como rebreathers, realizaram mergulhos a profundidades que variaram de 5 a 60 metros, efetuando 79 transectos de censos visuais de peixes e comunidade bentônica.

Ao todo foram executados, ainda, 19 mergulhos de ROV – Remotely Operated Vehicle (Veículo Operado Remotamente) em localidades ainda desconhecidas pela Ciência, como recifes profundos da Ilha da Trindade, do Arquipélago de Martim Vaz, do Monte Columbia e do Monte Davis.

Esta é uma iniciativa conjunta do c, por meio do Centro TAMAR, do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (CEBIMar/USP), da Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (FEST) e da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES, LabNecton, IctioLab, e LabOGeo), além da Associação Ambiental Voz da Natureza.

“O ROV permitiu registros em vídeo de alta resolução, a profundidades de até 200 metros, possibilitando a observação direta de organismos e estruturas submarinas, além de observações em áreas inacessíveis por mergulho”, diz João Batista Teixeira, pesquisador da UFES e da Voz da Natureza, que inventou um petrecho que possibilitou a coleta de peixes remotamente via ROV, como por exemplo o raro peixe sabonete (Decodon sp.), a cerca de 170 metros de profundidade.

Leia também:   Brasil bate recorde de transplantes em 2025

Organismos coletados serão tombados em coleções

Segundo Hudson Pinheiro, os organismos coletados serão tombados em coleções como o Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e Coleção Ictiológica da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). “Nessa próxima etapa, pesquisadores especialistas de cada grupo taxonômico farão a identificação dessas espécies em laboratórios, a partir das imagens captadas desses organismos durante a amostragem de ROV ou dos mergulhos” – explica Hudson.

Os dados referentes aos censos visuais subaquáticos e imagens de ROV são fundamentais para o monitoramento contínuo das Unidades de Conservação e para estudos futuros sobre biodiversidade, biogeografia e processos ecológicos da região.

A presença da cinegrafista Carmina Reñones a bordo proporcionou a captação de imagens que alimentaram redes sociais e matérias jornalísticas em tempo real. Um dos desdobramentos será a produção de um vídeo-documentário sobre o Arquipélago Martim Vaz e Monte Columbia, dirigido pela jornalista ambiental Paulina Chamorro.

“Cabe ressaltar que foram visitados ambientes que nunca tinham sido pesquisados, e novos ambientes recifais descobertos. A opinião dos cientistas é que há ainda muito o que explorar, e que cada expedição adiciona peças que faltam em um grande quebra-cabeça” – explica.

Leia também:   Em busca da classificação, Audax São Mateus encara o Sport neste domingo pela Copa ES

Três possíveis novas espécies

O ICMBio reforça que as expedições até o momento revelam a descoberta de três possíveis novas espécies e mais de 30 novos registros de peixes no Arquipélago Martim Vaz e Monte Submarino Columbia. O acesso a tecnologias de pesquisa como ROVs e equipamentos de mergulho como rebreathers permitem aos cientistas chegarem a locais antes inacessíveis, garantindo a realização de expedições dessa magnitude.

“A experiência de mergulhar em águas com mais de 35 metros de visibilidade muda a percepção sobre o ambiente marinho, pois é possível observar grande parte da comunidade interagindo, o que é raro numa pesquisa marinha. Os pesquisadores ressaltaram, ainda, a presença de uma grande quantidade de tubarões na área de estudo. Em alguns mergulhos pudemos observar grupos de até 12 tubarões recifais (Carcharhinus perezi), e nos mergulhos de ROV vimos três tubarões tigres (Galeocerdo cuvieri) em recifes mais profundos” – diz Geraldo, do ICMBio.

Foto: João Batista Teixeira-Ufes/Divulgação

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here