Por Tatiana Milanez – Repórter
Jaguaré – A história da família Morello atravessa gerações, continentes e séculos. É uma trajetória marcada pela coragem dos imigrantes italianos que cruzaram o oceano em busca de uma nova vida, pela dedicação ao trabalho no campo e pelo compromisso com a construção de uma comunidade baseada na fé, na união e na solidariedade. Esse legado, que começou há quase 150 anos, será celebrado hoje, durante a 14ª Semana Cultural Italiana de Jaguaré, quando a família recebe uma homenagem em reconhecimento à sua contribuição para a formação e o desenvolvimento do município.

Para a jaguarense Margarida Maria Morello, a homenagem representa o reconhecimento da história de homens e mulheres que transformaram desafios em oportunidades e deixaram uma herança que continua viva nas novas gerações.
“Os nossos antepassados ajudaram a transformar a realidade de Jaguaré, sempre preservando valores como a fé, a perseverança, a união familiar e a dedicação ao trabalho”, destaca.
A origem dessa trajetória remonta ao fim do século XIX, quando os primeiros integrantes da família deixaram as regiões italianas do Vêneto e de Friuli Venezia Giulia em busca de um futuro melhor no Brasil.
Segundo Margarida, os primeiros Morello chegaram ao Espírito Santo em 1878. Entre eles estava Bonaventura Morello, que se estabeleceu na então Colônia Rio Novo, atual Anchieta. Dez anos depois, em 1888, Giacomo Morello fixou residência na antiga Colônia Castello, ampliando as raízes da família em solo capixaba.
Décadas mais tarde, um novo capítulo dessa história começou a ser escrito em Jaguaré.
No dia 25 de agosto de 1954, Ângelo Morello e seus familiares deixaram a região de Castelo para iniciar uma nova vida no município. Ali encontraram terras férteis, mas também muitos desafios. Com muito trabalho e perseverança, dedicaram-se à agricultura, formaram suas famílias e participaram ativamente do crescimento da comunidade.
“Em 25 de agosto de 1954, Ângelo Morello e seus familiares chegaram a Jaguaré, onde passaram a cultivar a terra, criar suas famílias e participar ativamente da construção da comunidade. Hoje, a nossa matriarca é Maria Neris Morello, de 87 anos”, ressalta Margarida.
Um legado que continua vivo
Para os descendentes, a homenagem recebida durante a Semana Cultural Italiana vai muito além de um reconhecimento público. É uma oportunidade de reverenciar aqueles que enfrentaram o desconhecido com coragem, preservaram as tradições italianas e ajudaram a construir a identidade de Jaguaré.

Ao longo das décadas, o legado da família permaneceu presente não apenas na agricultura, mas também na formação de uma comunidade alicerçada em valores que atravessam gerações.
Fé, respeito à família, dedicação ao trabalho e espírito de união continuam sendo marcas da trajetória dos Morello, que fazem questão de manter viva a memória de seus antepassados.
“O legado deixado pelos nossos antepassados continua presente não apenas na agricultura e no desenvolvimento de Jaguaré, mas também nos valores transmitidos às novas gerações. Seguiremos contribuindo para a história de Jaguaré, honrando a memória dos primeiros colonizadores e mantendo viva a herança que recebemos”, afirma Margarida.
Mais do que recordar o passado, a homenagem simboliza o reconhecimento de uma família que ajudou a escrever a história de Jaguaré. Uma história construída com trabalho, esperança e amor pela terra, cujo legado permanece vivo nas pessoas, nas tradições e no desenvolvimento do município.







