sábado, abril 18, 2026
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Forró Tradicional pode se tornar Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco

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Por

Tatiana Milanez

Repórter

O Brasil entregou na manhã desta terça-feira, 31 de março, um dossiê de candidatura do Forró Tradicional à condição de Patrimônio Imaterial da Humanidade. A entrega, feita à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), foi formalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), pelo Ministério da Cultura (MinC) e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).

O Forró Tradicional no País já é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan desde 2021. Na ocasião, o reconhecimento veio por meio do registro das Matrizes Tradicionais do Forró, abrangendo vários gêneros musicais e de dança, que inclui baião, xote, xaxado e arrasta-pé, que, no entendimento do Iphan, “são fundamentais para a identidade cultural brasileira, com foco na preservação de suas raízes nordestinas”.

A assessora de Relações Internacionais do Departamento do Patrimônio Imaterial do Iphan, Natália Guerra Brayner, destaca que a candidatura foi enviada pelo Instituto a partir de um desejo da própria comunidade forrozeira. Ela recorda que, quando o Forró Tradicional foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2021, os forrozeiros expressaram o interesse em ter esse reconhecimento internacional pela Unesco.

Natália Guerra Brayner é assessora de Relações Internacionais do Departamento do Patrimônio Imaterial do Iphan.
Foto: Divulgação

Na opinião dela, o reconhecimento como patrimônio imaterial da humanidade valoriza o capital simbólico dessa prática cultural. “Para os grupos que atuam com forró, que buscam a valorização do folclore tradicional, que buscam realizar ações educativas associadas ao forró tradicional, ter esse reconhecimento pela Unesco significa também conseguir mais apoios. Porque acabam ganhando força para sua própria população e, ao nível internacional, significa que a própria Unesco, a partir do momento que for aprovada a candidatura, vai acompanhar o Brasil daqui para frente” – afirma.

Ela explica que esse acompanhamento do País é em relação às ações de salvaguarda associadas à prática cultural. “Observar se o estado brasileiro está apoiando e atuando nos grupos. Com isso, passa a ter uma espécie de monitoria internacional, caso haja algum tipo de dificuldade com relação à manifestação cultural” – frisa.

Próximas etapas

De acordo com Natália, após receber o pedido de candidatura, a Unesco deve verificar toda a documentação com as informações fornecidas e liberar para pauta de votação. “A partir de 2027, pode entrar na pauta de reunião que de fato avalia essas candidaturas. Quem dá a palavra final é o Comitê Intergovernamental Para Salvaguarda do Patrimônio Cultural e Imaterial. Eles que emitem esse parecer, aprovando ou não a candidatura. A gente imagina que vamos entrar na pauta de 2028, pela forma com que elas são construídas” – enfatiza.

Fomento e difusão do forró

O coordenador estadual do Fórum Forró de Raiz, o mateense Isnaldo Pereira, pontua a importância do reconhecimento do Forró Tradicional como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco. Segundo ele, mais esse passo se traduz em fomento e difusão do forró.

Isnaldo Pereira acredita que o reconhecimento do Forró Tradicional como Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco pode demorar de dois a três anos para acontecer.
Foto: Divulgação

“Esse reconhecimento traz várias possibilidades de manutenção da salvaguarda desse bem porque a gente sabe que os mestres e mestras desse notório saber estão envelhecendo. Com isso, a gente, que não consegue ter o controle, o poder de salvaguardar esse bem, com o reconhecimento, conseguimos fazer um trabalho gigantesco preservando tanto a musicalidade quanto a dança” – afirma.

Isnaldo acredita que o reconhecimento pela Unesco pode demorar de dois a três anos para acontecer. Ele recorda que o processo de reconhecimento do Forró Tradicional como patrimônio cultural imaterial do Brasil demorou cerca de 11 anos até ser aprovado em 2021 pelo Iphan.

 

Foto do destaque: Divulgação

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