terça-feira, abril 14, 2026
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Exposição reúne máscaras cerâmicas inspiradas em manguezal mateense

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A exposição Sonhando o Manguezal é composta por máscaras confeccionadas a partir de material
coletado nas margens do Rio Mariricu, em São Mateus. Ponto de Cultura Belas Artes Projetos Culturais/Divulgação
São Mateus – O Museu da História de São Mateus abre neste sábado a exposição Sonhando o Manguezal, da artista e pesquisadora Saritha Denardi Vattathara. De acordo com a curadoria do museu, a mostra reúne uma série de máscaras cerâmicas inspiradas no manguezal do Rio Mariricu, em Guriri, território onde a artista vive e desenvolve sua pesquisa artística.
Em mensagem à Rede TC de Comunicação, a curadoria do museu detalha que as peças surgem “como uma homenagem a esse ecossistema singular, considerado berçário de diversas espécies fundamentais para os ambientes costeiros e profundamente conectado às comunidades que historicamente vivem e dependem do manguezal”.
O curador e artista Marcelo Oliveira afirma que, produzidas em cerâmica, as máscaras foram queimadas em baixa temperatura –até 850ºC–, em fornos de latão e à lenha. “O material combina argila de produção regional com argila preta coletada em áreas onde o solo foi revolvido durante as obras de construção da nova ponte sobre o Rio Mariricu” – explica.
Segundo ele, a elaboração das peças envolve técnicas de abertura de placas e modelagem manual, em diálogo com princípios da cerâmica tradicional, da sustentabilidade e do respeito aos saberes territoriais.
“Além de sua importância ecológica, o manguezal se apresenta como um espaço de complexidade e mistério —um labirinto natural de raízes, águas e percursos imprevisíveis. Essa coexistência entre fertilidade e incerteza, proteção e risco, organização e caos inspira a criação das máscaras. Nas obras, essa ambiguidade se traduz em rostos oníricos e, por vezes, satíricos, capazes de evocar sentimentos diversos e até contraditórios. O imaginário que emerge das peças oscila entre o lúdico, o grotesco, o sensível e o simpático, refletindo a dinâmica do próprio manguezal e a relação que moradores, pescadores e ribeirinhos mantêm com esse território”.
As peças foram produzidas pela artista Saritha Denardi Vattathara, pesquisadora residente em Guriri. Foto Ponto de Cultura Belas Artes Projetos Culturais/Divulgação

“Um dos ecossistemas
mais relevantes da região”

São Mateus – Para o curador do Museu da História, Marcelo Oliveira, Sonhando o Manguezal se firma como uma exposição estratégica para São Mateus ao colocar em evidência “um dos ecossistemas mais relevantes da região”. Segundo ele, ao ocupar o espaço do museu, o manguezal é apresentado como protagonista de uma narrativa que articula meio ambiente, cultura e identidade local, em consonância com iniciativas que buscam ampliar o reconhecimento e a valorização dos patrimônios naturais do Município.
Marcelo Oliveira destaca ainda que a mostra convida o público a revisitar esse território não apenas como fonte de sustento, mas como espaço simbólico, social e afetivo, fortalecendo o debate sobre preservação ambiental e pertencimento. Nesse sentido, a realização da exposição no Museu da História reafirma o compromisso institucional com ações de educação patrimonial, promovendo o diálogo entre arte, território e comunidade.
O curador enfatiza também o papel do museu como um espaço vivo e em constante diálogo com o presente. “Receber uma exposição como esta é também uma forma de ampliar a compreensão da sociedade sobre o que é um museu. Não se trata apenas de um lugar de preservação do passado, mas de um espaço ativo, que produz reflexão, conecta saberes e se posiciona diante das questões contemporâneas”, afirma.
A exposição, que começa neste sábado, segue com visitações abertas ao público de terça-feira a domingo, no Museu da
História de São Mateus. Foto Ponto de Cultura Belas Artes Projetos Culturais/Divulgação

Território marcado por dinâmicas
ambientais e sociais próprias

São Mateus – A escolha pelo manguezal do Rio Mariricu, em Guriri, também é ressaltada pelo curador como um dos pontos centrais da proposta. De acordo com ele, o recorte territorial parte de uma vivência direta da artista com o ambiente, o que confere às obras um caráter autêntico e sensível. “Trata-se de um território atravessado por dinâmicas ambientais e sociais próprias, além de transformações recentes que o tornam especialmente relevante para reflexão”, pontua.
Ao privilegiar esse recorte, a exposição chama atenção para um ambiente que sintetiza desafios contemporâneos, como o avanço urbano e a pressão sobre áreas naturais, ao mesmo tempo em que reafirma o valor do território local como campo de criação, reflexão e reconhecimento. Mais do que representar um manguezal genérico, Sonhando o Manguezal se ancora no Rio Mariricu para, a partir dele, alcançar questões amplas e urgentes.
EXPOSIÇÃO
De acordo com Marcelo Oliveira, a Exposição, que começa neste sábado, também fica aberta para visitação de terça-feira a domingo, das 10h às 17h. A entrada é gratuita.

Saritha investiga relações entre arte,
território e memória

São Mateus – A artista Saritha Denardi Vattathara é pesquisadora residente em Guriri. Marcelo Oliveira detalha que a produção dela investiga as relações entre arte, território e memória, “com especial interesse nas paisagens naturais e na cerâmica tradicional do Norte do Espírito Santo”.
“A trajetória na cerâmica teve início com a participação nos projetos Iniciação à Cerâmica Tradicional (2024) e Do Barro ao Raku (2025), conduzidos pela mestra ceramista Shila Joaquim em São Mateus. A partir dessas experiências de formação coletiva, passou a desenvolver pesquisas autorais com o barro, aprofundando-se em técnicas de modelagem, queima em forno à lenha, queima em latão e investigação de argilas locais” – detalha o curador do Museu Municipal.
“Em seu trabalho, utiliza argilas da região e processos artesanais de modelagem, explorando a cerâmica como uma linguagem artística democrática e popular. Suas peças dialogam com paisagens, memórias e modos de vida ligados aos rios e manguezais, buscando traduzir, por meio da matéria e do gesto, as relações entre natureza, cultura e pertencimento” – complementa.

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