O Ponto de Cultura Belas Artes Projetos Culturais, em São Mateus, recebe, a partir desta semana, a exposição fotográfica Infâncias Cativas – Da senzala às ruas: permanências da exploração da infância no Brasil, uma mostra que convida o público a refletir sobre a exploração da infância ao longo da história brasileira e suas permanências na sociedade contemporânea.
De acordo com o ativista cultural Marcelo Oliveira, com entrada gratuita, a exposição permanecerá aberta à visitação até o dia 29 de agosto, reunindo fotografias, gravuras e documentos históricos que retratam crianças escravizadas durante os períodos colonial e imperial. “O percurso expositivo estabelece um diálogo com imagens contemporâneas que revelam diferentes formas de trabalho infantil ainda presentes no País, evidenciando que a exploração da infância não pertence apenas ao passado, mas continua sendo um desafio social urgente”, reforça.

Foto: Divulgação
Segundo ele, a proposta da mostra não é equiparar contextos históricos distintos, mas provocar uma reflexão sobre as permanências estruturais da desigualdade, do racismo e da exclusão social que atravessam séculos da história brasileira. “Ao longo da exposição, o visitante é convidado a compreender como milhares de crianças tiveram sua infância interrompida pela exploração do trabalho, pela violência e pela negação de direitos fundamentais” – diz.
A exposição chama atenção também para uma das consequências mais graves do trabalho infantil na atualidade: a evasão escolar. “Em diferentes regiões do país, muitas crianças e adolescentes abandonam ou têm sua trajetória educacional profundamente comprometida pela necessidade de trabalhar, contribuindo para a reprodução dos ciclos de pobreza e desigualdade. Quando a infância é substituída pelo trabalho precoce, o acesso à educação deixa de ser um direito plenamente exercido, limitando oportunidades de desenvolvimento pessoal, profissional e social” – destaca Marcelo Oliveira.
Mostra evidencia escravidão e suas marcas
Marcelo Oliveira explica ainda que ao estabelecer conexões entre passado e presente, Infâncias Cativas evidencia que a escravidão deixou marcas profundas que ainda se refletem na realidade brasileira. “A exploração da mão de obra infantil, embora proibida pela legislação, continua atingindo principalmente crianças negras, indígenas e aquelas que vivem em contextos de maior vulnerabilidade socioeconômica, demonstrando que a defesa da infância permanece como um compromisso coletivo”.
“Na exposição, a fotografia assume simultaneamente os papéis de documento, testemunho e denúncia. Cada imagem rompe silêncios historicamente construídos e restitui visibilidade a sujeitos frequentemente apagados das narrativas oficiais, transformando a experiência expositiva em um espaço de memória, educação e promoção dos direitos humanos”.
Com viés de proporcionar a democratização do acesso à cultura, a mostra contará com recursos de acessibilidade por meio de audiodescrição, permitindo que pessoas com deficiência visual possam usufruir da exposição com autonomia e participação plena.
Além da visitação espontânea, escolas, universidades, instituições e grupos poderão realizar visitas mediadas, mediante agendamento prévio pelo 9.9764.8010. “A iniciativa busca fortalecer ações de educação patrimonial, educação antirracista e promoção dos direitos da criança e do adolescente”.
A realização da exposição integra a programação da ocupação da Galeria A Margem, projeto contemplado pelo Edital de Ações Continuadas da Secretaria da Cultura do Estado do Espírito Santo (Secult-ES), com financiamento do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), uma iniciativa do Ministério da Cultura e do Governo Federal, em parceria com o Governo do Estado do Espírito Santo.
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