InícioDestaquesEntre lágrimas, abraços e medalhas, família mateense faz história no tatame

Entre lágrimas, abraços e medalhas, família mateense faz história no tatame

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Por Tatiana Milanez – Repórter
São Mateus – Quando um filho entra no tatame, a torcida dos pais já é motivo suficiente para comemorar. Mas, para uma família de São Mateus, o fim de semana em Juiz de Fora, Minas Gerais, terminou com muito mais do que torcida: foram três medalhas e um troféu inédito para a academia onde os atletas treinam.
Durante o Juiz de Fora Open Internacional, competição do circuito da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ), Julieta Teixeira Borges, de apenas 5 anos, conquistou o título da categoria Pré-Mirim 2. O irmão, Olavo Teixeira Borges, de 8 anos, ficou com o vice-campeonato na categoria Mirim 2. E o pai, o servidor público Walter Borges de Almeida, também entrou em ação e garantiu o primeiro lugar na categoria Master 3.
Além das conquistas individuais, os resultados de Julieta e Olavo contribuíram para que a academia Jiujikan, do mestre Léo Barbosa, conquistasse seu primeiro troféu por equipes em uma competição da CBJJ/IBJJF. A organização integra o circuito da Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro (IBJJF), uma das principais entidades da modalidade no mundo, conforme destaca Walter, que é policial rodoviário federal.

Família também brilha no ranking mundial

São Mateus – As medalhas conquistadas em Juiz de Fora também representaram pontos importantes para os irmãos no Ranking Mundial da modalidade. Segundo Walter, Olavo atualmente ocupa a 32ª posição em sua categoria, enquanto Julieta aparece na liderança mundial de sua classe.
A competição mineira fez parte de uma sequência de torneios disputados pela família. Na semana anterior, Olavo e Julieta participaram de uma etapa do mesmo circuito, em Vitória, e também terminaram no lugar mais alto do pódio em suas respectivas categorias.
Para a mãe, a neurologista infantil Hellen Rodrigues, a rotina de competições tem sido intensa, mas também repleta de momentos especiais em família.
“Esse ano a gente está fazendo uma correria com eles, indo para os campeonatos, se divertindo, viajando”, conta.

Filho levou o pai para o tatame

São Mateus – A história da família com o jiu-jitsu ganhou um capítulo curioso quando Walter decidiu também se tornar competidor. Segundo ele, a iniciativa não partiu dos pais para incentivar o filho. Foi justamente o contrário: Olavo o levou para o esporte.
“Geralmente, é o pai que vai para incentivar o filho, mas foi ele que me arrastou para o jiu-jitsu. Ele começou e me arrastou” – brincou Walter em entrevista para a Rede TC de Comunicações.
A decisão de competir veio também como uma forma de compreender melhor aquilo que o filho vivenciava. Walter queria sentir na própria pele a pressão de entrar no tatame, enfrentar um adversário e competir diante de um público.
“Eu fui treinar e competir para poder saber qual é a sensação de estar na beira do tatame e entrar num estádio cheio para lutar com outra pessoa igual. Eu fui para ver o que meu filho passava. E é difícil” – relata.
Segundo ele, acompanhar a evolução de Olavo tem sido uma das grandes recompensas. O menino começou no esporte aos 5 anos, inicialmente como uma forma de trabalhar a timidez e a ansiedade.
“Ele vem vencendo isso e está sendo ótimo. Melhorou muito no posicionamento, na personalidade e também nessa questão da ansiedade” – afirma o pai.

Do irmão mais velho para a caçula

São Mateus – Se Olavo foi quem abriu o caminho, Julieta rapidamente decidiu seguir os passos do irmão. Aos 3 anos, ela começou a acompanhar as atividades e, naturalmente, despertou o interesse pelo jiu-jitsu.
Hoje, os dois treinam aproximadamente três vezes por semana com o mestre Léo Barbosa. E o tatame não fica restrito à academia: em casa, os irmãos também aproveitam o tempo livre para praticar.
Apesar da rotina de treinos e competições, os pais fazem questão de manter o esporte associado à diversão. Para a família, o jiu-jitsu é uma ferramenta de desenvolvimento, mas não é a única atividade das crianças.
“É como se o jiu-jitsu tivesse dado uma diversão para eles. A gente leva dessa forma, mas eles fazem outras atividades também”, explica Walter.

Medalhas são consequência

São Mateus – Para Hellen, o maior prêmio está muito além das medalhas. A mãe acompanha de perto as transformações provocadas pelo esporte na vida dos filhos e comemora principalmente os avanços comportamentais.
“Não só dentro do tatame, mas fora, na forma de comportamento. A gente fica ali na expectativa, na ansiedade, torcendo por eles. O jiu-jitsu trouxe resultados positivos justamente por trabalhar aspectos que eram uma preocupação”, afirma.
Enquanto Julieta e Olavo colecionam medalhas e avançam no ranking mundial, Walter também segue sua própria trajetória no esporte. E, entre treinos, viagens e competições, a família transforma cada campeonato em uma oportunidade de estar junta. No fim, o pódio é apenas parte da história. Para os Borges, a maior vitória acontece diariamente: ver os filhos ganhando confiança, superando desafios e descobrindo, dentro e fora do tatame, a força que existe em cada conquista.

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