sexta-feira, abril 17, 2026
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Em seis meses, clube do livro em Guriri expande participação feminina

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Por
Tatiana Milanez
Repórter
O Clube do Livro Ilha Literária prepara mais um encontro para este sábado (21). E ele deve ser muito especial, pois, além de acontecer quando se celebra o Dia Mundial da Poesia, em seis meses de atividade, expande a participação feminina. O momento de troca, bate-papo, dinâmicas e interação acontece há seis meses. Em outubro de 2025, iniciou com 18 mulheres. Neste sábado, o encontro deve reunir em torno de 50 integrantes.
Exclusivo para mulheres maiores de 18 anos que gostam de ler, o grupo escolheu para o encontro a obra Tudo é Rio, da escritora mineira Carla Madeira. As integrantes fazem o encontro no Bosque da Praia, a partir das 9h. Atualmente, participam mulheres de várias localidades de São Mateus, incluindo da Região dos Quilômetros, e também de municípios vizinhos.
O grupo que teve o primeiro encontro em outubro do ano passado com 18 participantes, chega neste sábado com a prrevisão de reunir 50 integrantes, mais que dobrando a quantidade de mulheres que cultivam o hábito da leitura.
Foto: Divulgação
Em comum, eles compartilham a paixão pela leitura e também dividem histórias de suas próprias jornadas. Uma das idealizadoras do projeto Ilha Literária, Natalí Monteiro Alves da Silva, de 34 anos, salienta que a organização está preparando um encontro muito especial para este sábado. “Vamos dividir os momentos para incentivar a participação de todas. Mesmo quem não conhece o clube pode participar. Teremos recepção e um momento mais descontraído, seguido por uma dinâmica de troca de livros entre as participantes” – detalha.
Segundo ela, um dos momentos mais aguardados do encontro é o debate do livro em pauta. “Com uma breve introdução e espaço aberto para que todas as participantes possam compartilhar suas percepções”. Natalí frisa ainda que, durante o encontro, são realizadas dinâmicas interativas, com questionamentos e outras atividades. “Um dos nossos principais objetivos é que o encontro seja o mais memorável possível” – afirma.

Tudo começou em outubro de 2025

Natalí explica que o Clube do Livro Ilha Literária teve o primeiro encontro em setembro de 2025, a partir do desejo dela e de outra moradora de Guriri, Mayara Trevizani Carneiro, de 29 anos, de participarem de uma atividade neste estilo em São Mateus. “Como não havia nenhuma iniciativa do tipo na região, decidimos, então, dar início ao projeto, mesmo sem grandes expectativas, mas muito felizes por tirar a ideia do papel” – recorda.
Natalí Monteiro Alves da Silva e Mayara Trevizani Carneiro são as idealizadoras do Clube do Livro Ilha Literária. Foto de divulgação
Ela reforça que, no primeiro encontro, em outubro do ano passado, foram 18 mulheres. Seis meses depois, este número mais que dobrou. Além das reuniões, as integrantes buscam também outras interações, como as caracterizações alinhando o gênero do livro ao encontro. Por exemplo, no encontro realizado em outubro do ano passado, as mulheres participaram fantasiadas com temas de halloween. Na ocasião, o livro debatido foi a obra Casas Estranhas (Hen na Ie), do autor japonês Uketsu, de horror psicológico, suspense e mistério.
Para Natalí, a evolução do clube é motivo de entusiasmo e emoção. “É muito especial ver mulheres tão diferentes juntas, desde meninas de 18 anos até senhoras com mais de 70, todas compartilhando leituras, experiências e percepções. Cada encontro traz trocas muito ricas, que vão muito além dos livros. Ver esses laços sendo criados e fortalecidos, mulheres se conectando, se ouvindo e se reconhecendo umas nas outras é algo que realmente emociona e dá ainda mais sentido ao projeto” – reforça.

Clube cresce de forma consistente

Também idealizadora do grupo, Mayara Trevizani Carneiro, salienta que o objetivo do Clube do Livro Ilha Literária é consolidar os encontros como espaços cada vez mais estruturados e acolhedores. “O clube vem crescendo de forma consistente, tanto em quantidade de participantes quanto em oportunidades de colaboração. A ideia é seguir fortalecendo esse movimento” – frisa.
Ela destaca que, entre os principais planos, está a criação de parcerias contínuas com editoras, com intuito de garantir exemplares das obras escolhidas e também brindes que enriqueçam a experiência das leitoras, como marcadores personalizados, ecobags, pôsteres, cards literários, adesivos e bottons.
De acordo com Mayara, recentemente foi firmada uma parceria com uma editora, responsável pela obra Tudo é Rio, que será debatido neste sábado. “Enquanto as parcerias institucionais ainda estão sendo estruturadas, as próprias participantes contribuem com brindes produzidos por elas, como peças em crochê e outros itens artesanais, além de terem espaço para divulgar seus trabalhos dentro da comunidade. Há ainda o interesse em criar conexões com autores, principalmente capixabas, promovendo encontros presenciais que possibilitem troca de experiências e aproximação entre quem escreve e quem lê” – detalha.
Segundo Mayara, outro projeto em desenvolvimento é a criação de um sistema de recompensas voltado para as participantes mais engajadas. “Na prática, as participantes acumulam pontos conforme interagem com o grupo, o que pode aumentar as chances em sorteios, garantir acesso a brindes exclusivos ou oferecer vantagens dentro da comunidade. A proposta é tornar a experiência ainda mais participativa, reconhecendo quem contribui de forma ativa para o crescimento do Ilha Literária” – explica.
Mayara frisa que o Clube também almeja produzir um sarau literário, além de incentivar novas escritoras, abrindo espaço para que as participantes compartilhem seus textos, por exemplo.

Hábito da leitura surge com a maturidade

São Mateus – Participante do grupo desde o primeiro encontro, Daniele de Oliveira Leite Paiva, de 37 anos, afirma ser uma leitora assídua. Ela disse que, ao tomar conhecimento de que o clube iria se reunir, mesmo sem ter lido a obra proposta, tomou coragem e foi participar. Daniele, que é psicoterapeuta por formação, afirma que o hábito da leitura se formou na idade adulta.
Danielle de Oliveira: “Eu amo ler”. Foto de divulgação
“Comecei a ler muitos livros por conta da minha formação. Só que a maioria era muito técnicos, com uma leitura um pouco mais densa. Então comecei a buscar leituras mais leves. E assim descobri uma grande paixão pelos contos. Gosto muito. Eu amo ler” – detalha.
Daniele afirma já ter participado de outros clubes de leitura, no entanto, de forma remota, por serem grupos de outras cidades e de outros estados. “Todos os que participei sempre foram de outras cidades de outros estados, ou seja, a minha experiência, até então, era sempre online e a possibilidade de poder ter esse encontro presencial para mim foi maravilhosa. Porque posso acompanhar de perto a experiência das outras mulheres. É muito mais interessante com essa oportunidade de nos conhecermos pessoalmente” – reforça.
“Sou uma leitora assídua. Gosto muito de ler, mas ter a oportunidade de poder ler um livro e ler o mesmo livro com um grupo de pessoas me faz sair um pouquinho da minha ótica, assim compreendo que na mesma história existem várias camadas que tocam as pessoas de formas diferentes e me aprofundo muito mais” – complementa.

 

Foto do destaque: Divulgação

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