O Amor misericordioso de Deus é uma constante na Bíblia e é o centro do Evangelho: “Fora da misericórdia de Deus não há qualquer outra fonte de esperança para a humanidade – escreveu na encíclica “Dives in misericórdia”, em 1980, João Paulo II. Porque nos sentimos amados por Deus, podemos e devemos amar aos outros, que são filhos, queridos por Ele, e, portanto, nossos irmãos.

Acolhendo a mensagem espiritual, transmitida por Jesus a Santa Faustina –sintetizada na invocação: “Jesus, confio em Ti”–, João Paulo II, no dia da beatificação dela, instituiu, no ano 2.000, o “Domingo da Misericórdia”, a ser celebrado todos os anos, no segundo domingo de Páscoa.

O evangelista João relata duas aparições de Cristo: no dia de sua Ressurreição e oito dias depois. Aos discípulos, Jesus mostra os sinais da Crucifixão, bem visíveis e palpáveis, no seu Corpo glorioso. Aquelas chagas –nas mãos, nos pés e no lado– sinais esplêndidos de seu amor por nós e fontes inexauríveis de misericórdia: delas, haurimos perdão e paz no coração. “O mundo seria mais humano se a misericórdia entrasse a fazer parte da cultura moderna e da organização e funcionamento da nossa sociedade” – escreveu. Este amor misericordioso de Deus faz da humanidade uma grande família, em que todos são respeitados e amados

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Ponto mais alto da misericórdia divina é Jesus, imagem visível, espelho do rosto misericordioso de Deus. Os Evangelhos usam três termos para expressar este amor. “Éleos” (piedade): daí vem “esmola” e kyrie eleyson” da Missa; expressa solidariedade. “Planchnón” (compaixão): é a atitude da mãe, que, comovida, corre em socorro de seu filho, necessitado de ajuda. “Oiktirmós” (misericórdia): é de quem, sensibilizado pelas condições miseráveis de seu próximo, se engaja num movimento social, para tirá-lo de lá. Foi, exatamente, esta compaixão, que levou Cristo a vir a este mundo, para devolver ao homem a dignidade perdida.

Testemunha excepcional desta misericórdia divina foi o próprio Apóstolo Paulo. Ele, blasfemo e perseguidor da Igreja, viu realizado em si mesmo o que ele afirma: “Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, de que eu sou o primeiro”. Há, no mundo, milhões de corações, que, movidos pela misericórdia, vão ao encontro de seu próximo para socorrê-lo e salvá-lo. “O perdão e a misericórdia de Deus, longe de humilhar o homem e ofender sua dignidade pessoal, o reabilitam em sua alta condição humana, devolvendo-lhe sua dignidade de filho de Deus” (Dives in misericórdia).

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Cristo, neles, continua a curar os males da humanidade, abrindo os olhos aos cegos, o ouvido aos surdos, curando os enfermos, expulsando os demônios, testemunhando, assim, o amor com que Deus ama a todo ser humano, sobretudo, se fragilizado. O amor não espera ser procurado, mas, vai ao encontro de quem precisa, espontaneamente: “Abaixar-se, porque alguém, caído, se levante: não existe um caminho em direção ao homem e um outro em direção a Deus; é no caminho em direção ao próximo, que se encontra a Deus” – (Papa Francisco). Prevenir os outros em suas necessidades é o perfume da caridade e a essência do cristianismo.

(*Padre Ernesto Ascione é missionário comboniano.)

Foto do destaque: TC Digital/Arquivo

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