O município de Conceição da Barra foi reconhecido como o maior berçário de Meros do País. Segundo o coordenador do Projeto Meros do Brasil, professor Maurício Hostim, o peixe, que está na lista de animais em extinção, é importante para o ecossistema do litoral brasileiro. Com isso, no dia 5 de março foi inaugurada no município a Sala da Cultura Oceânica Mero, que fica no polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB). Na mesma data, A Câmara de Vereadores aprovou o Mero como símbolo e patrimônio natural do Município.

Professor do Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes), Maurício Hostim, considera essas conquistas importantes na preservação do animal. “Essas conquistas reforçam a importância da região, que abriga o maior berçário de Meros do Brasil”, reforça.
Ele destaca que as inciativas fazem parte das ações do projeto de pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) cujo objetivo é a proteção da espécie Epinephelus itajara, popularmente conhecida como Mero. “Na Ufes, o grupo de pesquisa do Ceunes foi criado em 2008 e atua em conjunto com outras instituições nacionais de ensino, pesquisa e extensão, como as universidades do Pará, de Pernambuco e de Alagoas, bem como com o Museu do Capão de Curitiba, Instituto de Pesca de São Paulo e Grupo Cultural Artemanha da Bahia”.
Maurício Hostim detalha ainda que, associado a outras instituições brasileiras e internacionais de investigação do mar nas Américas, na Europa e na África, o Projeto integra a Rede de Conservação dos Meros do Atlântico.
“O Mero representa muito mais que uma espécie marinha. É um símbolo da nossa biodiversidade, da identidade costeira e do compromisso com a preservação dos oceanos. Essas conquistas em Conceição da Barra são fundamentais para unir educação, ciência, cultura e políticas públicas, com importantes parcerias institucionais” – avalia.
Projeto presente em nove estados
Coordenador do Projeto e professor do Ceunes, Maurício Hostim detalha que o Meros do Brasil tem patrocínio governamental por meio do Programa Petrobras Socioambiental e está presente em nove estados e 53 municípios onde realiza ações de pesquisa científica, educação ambiental e comunicação.

“Cobrindo aproximadamente 1.500 quilômetros da costa brasileira, por meio da atuação em rede, as ações do projeto levam em conta as particularidades de cada região, e são executadas de forma colaborativa entre as equipes de todos os estados”, sustenta.
PEIXE MERO
O peixe Mero pode alcançar 2,5 metros de comprimento e pesar 400 quilos. No Brasil, a espécie é classificada como criticamente ameaçada de extinção. Desde 2014, mais de 300 espécies jovens já foram identificadas na região de Conceição da Barra. As pesquisas são realizadas de forma não-letal, com apoio essencial de pescadores locais. São investigadas a genética, o deslocamento e a alimentação da espécie.
Conforme o professor Maurício Hostim, a parceria da universidade com o Instituto Meros do Brasil e o município de Conceição da Barra mostra que ciência somada a políticas públicas, educação e colaboração das comunidades locais pode resultar em proteção ambiental e desenvolvimento sustentável.
“Um exemplo de como unir conhecimento tradicional, pesquisa científica e ação institucional para transformar realidades. Em duas décadas de trabalho, o projeto tem oferecido os principais subsídios para a recuperação das populações de Meros na costa brasileira. Estudos de biologia da conservação e populacional, poluição marinha, genética, valoração ambiental e aquacultura têm contribuído com a criação de políticas públicas direcionadas para a espécie e os ambientes marinho-costeiros” – manifesta. (Com informações do Projeto Meros do Brasil).






